Charles Baudelaire – A Beleza

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O Complexo Mecanismo do Simples

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Matrix - Arquiteto É normal que pessoas de minha convivência achem que eu sou uma pessoa bastante “simples”. De outro modo, elas sequer conviveriam comigo. Ou não? Afinal, ninguém passa horas conversando com alguém com quem ache difícil de lidar. De alguma forma nada que seja prazeroso implica a sensação de perda de tempo.

Por outro lado, há pessoas que me acham muito “difícil”, sem dúvida. Há pessoas que acham você “difícil” também, eu tenho certeza. E não chega a ser uma surpresa espantosa que, no fantástico Reino de Banânia, debruçando-se calculadamente sobre nós, tenhamos macunaímas que detestam ciências exatas e, por isso mesmo, ignoram o que há de humano em qualquer ciência. Essa gente me acha difícil; eu discordo. Não é que eu seja difícil: para elas eu não posso ser nada além de impossível. Continue lendo

Pessoas Novas & Velhas

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jantar em família

Uma das atividades humanas mais cafonas que a modernidade inventou é o famoso “sair para conhecer pessoas novas“. Sim, porque, de certo modo, pessoas nunca envelhecem. Estão sempre surpreendendo e ao mesmo tempo sendo incrivelmente monótonas. Não importa o tamanho, o sexo ou a cor da criança que você vê no supermercado, por exemplo; quase todas são sempre birrentas. E às vezes você é pego de surpresa na rua com um sorriso inesperado.

Eu fico com sono sempre que sou convidado a “conhecer pessoas novas”. Digo que prefiro “as velhas”. E é verdade! O problema com as “pessoas novas” é que elas automaticamente exigem de você que finja um nível de interesse por sua vida que, em verdade, nem um fofoqueiro fanático tem: qual o seu nome, onde mora, quais os seus interesses e outras idiotices. É o tipo de situação clichê que você armazena no arsenal mental de discursos “pré-renderizados” que se usa quando o clima fica chato.

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Nerávia – Capítulo 2

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Neve na tundra

 

OBS: capítulo 1 AQUI.

A nevasca havia se intensificado inesperadamente, e eles não sabiam se restava, no lampião, querosene o suficiente para prosseguir a viagem. Estavam abrigados dentro de uma espécie de caverna havia preocupantes trinta minutos. Anoitecia. Por um momento, Hitreu se arrependeu por não ter permanecido em Maribor e negociado por mais tempo com Orcoler, a fim de garantir a estadia na vila por pelo menos uma noite… Fosse apenas ele a escalar o Kroldan, seria uma coisa, mas Vindgaard e Helga o acompanhavam. Uma criança ferida e uma senhora idosa. Por que diabos Helga insistira em acompanhá-los!? O ultimato do Ferreiro havia sido claramente direcionado a Hitreu e ao filho; Helga poderia retornar a sua choupana, se quisesse. Mas não. Agora representava um peso a mais. De qualquer modo, porém, pode ser que ele tivesse tomado a decisão correta, uma vez que Mávia não tinha todo tempo do mundo… Continue lendo

Sem Limites

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Sem Limites

Ontem eu voltei a assistir a “Limitless“, um filme com Bradley Cooper interpretando um escritor que consegue acessar mais do que os habituais dez por cento de capacidade cerebral -o limite do ser humano comum. Seus processos cognitivos se tornam mais intensificados, diversificados e ágeis. Eddie Morra, o protagonista, se torna um gênio das finanças em pouquíssimo tempo. Mas veja o leitor que não me refiro à inteligência lógico-matemática, medida pelos testes de QI, mas à capacidade intelectiva em geral, que engloba aquela.

A experiência me fez lembrar de um assunto muito em voga nos debates atuais, que é o trans-humanismo. Trata-se de um “projeto de humanidade” que se propõe, em linhas gerais e atenuadas, a “aperfeiçoar” o ser humano. Em vez de pernas, membros biônicos fariam com que nos movêssemos mais rápido e com menor cansaço. Em vez da vista, olhos biônicos nos proporcionariam uma visão mais aguçada e detalhada da paisagem a nosso redor. Nosso cérebro positrônico teria um hardware de terabytes, um processador de nanotecnologia ultraveloz.

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Orlando Fedeli

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Professor-Orlando

A pessoa que deseja dominar a outra termina por não dominar nem a si mesma.

Mas toda pessoa pode interrogar o mundo, interrogar as coisas e ter olhos abertos para a beleza, para a bondade e para a verdade. Isso é mais fácil de encontrar nos ignorantes.

Há um analfabetismo intelectualizado (…), porque juntam as letras “be-a-bá”, “be-o-bó”, “o bobo baba” e pensam que compreenderam grande coisa do universo. Se não compreendeu que o universo fala de Deus, não entendeu nada.

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Os Nômades

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O texto que se segue data de 2009 ou 2010, provavelmente, e pertence a uma coletânea de contos a que denominei “Freak Show”. Na época, eu lia muita “literatura marginal”, sobretudo Sérgio Sant’Anna e Rubem Fonseca. Os personagens principais da obra são sempre drogados, prostitutas, nazistas, coveiros, malucos, psicóticos, cegos, doentes, arruaceiros, pugilistas etc. Só não escrevi sobre ex-presidiário. Como o conto era curto, decidi publicar aqui como brinde, já que estou me dedicando a “Nerávia” hoje em dia, cujo gênero sempre foi mais popular e, consequentemente, mais rentável.

Praia

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