Manchester City – O que fazer na nova temporada?

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Manchester City 2

Chegamos ao final de mais uma temporada e, se tínhamos dúvida a respeito da necessidade de uma reformulação, aponta nessa direção uma jornada marcada pela falta de títulos somada a mais uma campanha pífia na Champions. Poderiam dizer, a exemplo de Marcel Dessailly, que o Chelsea ganhou em razão da capacidade de José Mourinho. Pode ser que seu dedo tenha feito alguma diferença… Mas daí a afirmar que boas táticas resultam no sucesso total? Eu duvido muito. O Chelsea ganhou porque tinha um elenco mais qualificado.

Os europeus têm mania de exaltar as qualidades do técnico e a sintonia do plantel, mas se esquecem que futebol e vitórias se fazem com jogadores de primeira linha. Mesmo os problemáticos. Suárez foi mandando embora de Anfield Road e o Liverpool passou de postulante ao título, na temporada 2014/2015, à condição de aspirante à Liga Europa. Não estou dando peruadas, mas simplesmente revelando os fatos. Carlos Tévez saiu quase escorraçado do Manchester City e, no entanto, acabou conduzindo a Juventus à final da Liga. Será tudo isso tão coincidência assim? Continue lendo

Pílulas Crônicas

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nomes estranhos

– Chega um momento na tarefa de um escritor em que ele empaca na escrita, sobretudo em se tratando de um romance. Ocorre que isso se dá precisamente naquele início de parágrafo em que, caso ele cometa um deslize, fode o restante do texto na sua integralidade, não importando o número de páginas que o negócio já tenha. Pois é, pode crer que isso acontece. É o problema da verossimilhança. Uma inconsistência qualquer e compromete a porra toda, mesmo as partes muito bem estruturadas. Pra sair da sinuca de bico, há que se conjugar três qualidades que aparecem juntas esporadicamente: ânimo, criatividade e molejo verbal.

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Crônicas PP

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Manequinho

* Você pode até acreditar que não sejam comunistas os três principais concorrentes à Presidência da República. Mas não tem direito nenhum de acreditar que estejamos falando de adversários verdadeiros, do ponto de vista ideológico. Entre Dilma e Aécio, ou entre o socialismo e a social-democracia, a distinção é apenas de grau. Entre Marina e esses dois, a diferença é quase nenhuma; embora o ecologismo pareça uma plataforma política independente, a verdade é que se trata de um engodo da Nova Esquerda. Dito isso, o melhor para a Direita seria optar pelo Pastor Everaldo; no segundo turno, ele teria mais poder de negociação para barganhar com Aécio (o menos nocivo dos candidatos supracitados). Se não ganhamos de todo, ao menos conseguiremos manter nas mãos a administração de Ministérios.

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Balotelli MITO!

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Balotelli 11

Fala sério, esse cara é MITO demais! No mundo do futebol, estamos cansados de ver as entrevistas de sempre, que sempre acabam com aquele apanhado de palavras de sentenças que parecem mais recorte/colagem de pré-primário. Eu sei que pessoas públicas devem ser bons exemplos. Mas se comportar como um boneco de ventríloquo recém-canonizado não serve de exemplo nem para os idiotas. Afinal, os idiotas também morrem de tédio.

Balotelli é um sujeito com personalidade e inteligência, coisa rara hoje em dia. Balotelli é o que as pessoas querem ouvir, porra. Se o jogo foi uma droga, ao menos teremos o Balo da galera falando umas merdas ou fazendo aquelas poses escrotas em campo. Ninguém espera que um cretino qualquer vista uma batina ao sair do vestiário e reproduza no microfone aquela ética de botequim super-manjada. “O importante são os três pontos”, “Respeitamos o time adversário” e blá, blá, blá… Se fosse pra ouvir essa ladainha, eu nunca veria necessidade de haver mídia esportiva. Continue lendo

O Manchester City comprou a Premier League?

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Sempre que algum campeonato de futebol termina, é praxe ouvirmos as ladainhas costumeiras da parte dos derrotados. Quando não se atêm nas críticas ao próprio clube de coração, os torcedores gostam de recorrer a pichações para ofuscar o brilho do rival vitorioso. Não raro a “poeira sacudida”, causadora de mal estar, vem de seus próprios e lastimáveis andrajos, de suas cicatrizes de fracassado.

No caso, a mesquinhez vem trajada de vermelho, com um providencial diabo vermelho do lado esquerdo do peito. Depois de observar o triunfo do lado azul de Manchester, que acabara de conquistar o primeiro título inglês depois de longos 66 anos, jogadores e torcedores red devils preferiram chamar a atenção para o azar que assombrou sua campanha (logo, a sorte que premiou o adversário). E alguns dentre eles optaram mesmo por questionar a honradez dos citzens.

Não é nenhuma novidade o tipo de acusação que vem recaindo sobre o Manchester City. Vezes ou outras, mas sempre quando os citzens vencem, aparece um espírito-de-porco para dizer que os citzens estão “comprando a liga”. Ora, “comprar a liga” seria fazer uso de expedientes escusos para vencer o campeonato; Juventus e Olimpique de Marselha já o fizeram, em tempos idos. Mas fazer parcerias com milionários e pagar fábulas por bons jogadores não é “comprar a liga”. Pelo contrário: faz parte do jogo.

Faz parte do jogo também o que acontece fora das quatro linhas. Nossos próprios acusadores foram os pioneiros na arte de “comprar a liga” -ainda que essa expressão pejorativa, quando usada para definir sua própria conduta, tivesse sido substituída, à época, pela elegante “gestão profissional” do futebol. Nos tempos românticos, quando o futebol e a tradição prevaleciam sobre o dinheiro, enquanto clubes nada históricos como Manchester City e Nottingham Forest comiam o pão que o diabo amassou em divisões inferiores, clubes como Arsenal e Manchester United ficavam a léguas de seus adversários, em termos de prosperidade, ao introduzirem a novidade do clube-empresa no futebol. Por que olhar para a discrepância da folha salarial dos Red Devils, em relação a outros clubes, se era muito mais bonito apelar para a “mística da camisa”?

Por isso muito me surpreende que Sir Alex Ferguson troque o esoterismo triunfante de tempos passados pela objetividade amarga da atualidade (se eles pagam 200 por semana, o escocês também vai pagar!). Ele está certo quando diz que o Manchester City inflacionou o mercado, tornando a janela de transferências um período mais complicado para se fazer negócios. Mas também estava certo quando pagou 30 milhões pelo zagueiro Rio Ferdinand, numa época em que pagar “meros” 5 milhões em um atacante era uma despesa muito complicada de arcar para grande parte dos clubes, que não tinham ações a ser valorizadas em função do patrimônio em expansão e de uma perspectiva de crescimento a curto prazo.

A verdade é que o romantismo no futebol, na atualidade, é coisa de Dom Quixote cara-de-pau. O departamento financeiro de um clube faz parte do jogo também, tanto quanto as divisões de base, a mística da camisa e os jogadores dentro de campo. Ninguém paga 200 mil libras esterlinas por semana a Wayne Rooney acreditando que a história vai fazer todo o serviço de graça. Assim como ninguém, em sã consciência, briga com moinhos-de-vento -nem quando são fantasiados de gigantes malvados (e azúis).