A Ancestralidade do Novo

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M. Duchamp, por D. Hirst

Uma impressão que sempre tive dos outros é que alguns deles sempre quiseram saber de mim como consigo ser tão original. Nunca me disseram, é verdade, mas sempre tentaram afetar excentricidade para me chamar a atenção. Bem, eu não sabia que eu era “original”. Desconfio que sei. Mas me parece que há uma certa convicção disso entre aqueles que juram ter visto o que nunca viram antes… Eu diria que são criaturas peculiares… assim como nossa época de instantâneos.

A resposta que eu lhes dou é a seguinte: basta não fazer força. Continue lendo

A Casa de Cera

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Ken Humano

Sexta-feira última eu voltei da missa de Corpus Christi e foram logo me contando o que parecia ser a notícia do século, dada a euforia. O retorno de Jesus!? Não, o “Ken humano” havia falecido… Eu perdi o “babado”, que pecado! Preferi escutar a homilia de um bispo.

Quanto à criatura eminente, não quero fazer críticas pessoais ao pobre diabo, recém-falecido; vamos nos ater aos fatos. Parece que o sujeito havia contraído melanoma em razão das inúmeras cirurgias estéticas que fizera. Pois bem, o que me admira não é saber que cirurgias feitas sem critério causam câncer; qualquer um com bom senso sabe disso. O que me admira é imaginar o estado de sua bunda, depois de tantos procedimentos.

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Villa e a Confusão Demoníaca

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Marco Antonio Villa

Tenho visto muito esquerdista confuso (desculpem o pleonasmo) a respeito da mais recente treta na Direita, envolvendo o Olavo e o Marco Antônio Villa. Na verdade não chega a ser um choque, visto que a chamada “Direita”, na sua acepção mais ordinária e esteriotipada, é um nome genérico utilizado para vilipendiar (e acuar) um samba do crioulo doido de cidadãos intelectual e politicamente engajados no combate a linhas de pensamento que se articulam mais ou menos com o projeto reformista de todo e qualquer esquerdista. A bem da verdade, os esquerdosos ignoram que o antagonismo dentro das direitas por vezes chega a ser ainda mais extremado do que em relação a eles. Sobretudo porque há, no caso, muita infiltração desorientação. Não conheço muito bem o senhor Villa, mas percebo com clareza, pelo seu discurso, ao menos isto: que a criatura não entende lá muita coisa… ou, quem sabe, entende muito e não nos dá a entender nada disso. Continue lendo

Os Limpinhos Estão Chegando

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Tudo Puta e Viado

Lispector, Clarice

 

Artigo sensacional de Luiz Felipe Pondé:

O mundo contemporâneo é um parque temático de egos. Com a melhoria das condições materiais de vida, as pessoas ficaram cada vez mais bobas.

Quando uma universidade dá a bênção, então, ninguém segura o desfile de bobagens. Basta alguém escrever uma tese qualquer que o tema vira “científico”.

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Ganbaru

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Wagakki Band

Ganbaru, sem nenhuma surpresa para quem conhece o caráter desse povo, é um verbo japonês largamente utilizado na Terra do Sol Nascente. Numa tradução livre para o português, significa algo como resiliência para nós. Para quem não conhece nem a palavra em vernáculo, trata-se da capacidade de lidar com adversidades. Mas o verbo japonês abrange um conteúdo semântico maior. Ganbaru, mais do que resiliência, consiste na aptidão para, exercendo uma atividade individual, dar tudo de si a fim de que seu potencial recrudesça o valor do todo.

Uma nação que cresceu em meio ao antagonismo das forças naturais, país onde tsunamis, terremotos e a escassez de recursos nunca foram meramente esporádicos. Uma civilização que nunca sucumbiu à barbárie das inúmeras guerras civis que assolaram sua sociedade e conseguiu sobreviver a séculos de atraso tecnológico em relação ao Ocidente, durante o período de Restauração Meiji. Uma ex-potência do Eixo que, perdida a Guerra, viu-se estraçalhada sob o impacto eterno de duas bombas atômicas. Continue lendo

Pessoas Novas & Velhas

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jantar em família

Uma das atividades humanas mais cafonas que a modernidade inventou é o famoso “sair para conhecer pessoas novas“. Sim, porque, de certo modo, pessoas nunca envelhecem. Estão sempre surpreendendo e ao mesmo tempo sendo incrivelmente monótonas. Não importa o tamanho, o sexo ou a cor da criança que você vê no supermercado, por exemplo; quase todas são sempre birrentas. E às vezes você é pego de surpresa na rua com um sorriso inesperado.

Eu fico com sono sempre que sou convidado a “conhecer pessoas novas”. Digo que prefiro “as velhas”. E é verdade! O problema com as “pessoas novas” é que elas automaticamente exigem de você que finja um nível de interesse por sua vida que, em verdade, nem um fofoqueiro fanático tem: qual o seu nome, onde mora, quais os seus interesses e outras idiotices. É o tipo de situação clichê que você armazena no arsenal mental de discursos “pré-renderizados” que se usa quando o clima fica chato.

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