Top 10 – Filmes de Ação (2000-2015)

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Rush

Parece que, até a década de 80, o pessoal sabia fazer bons filmes de ação. Concordo em parte. Na realidade, eu penso que atores como Bruce Willis, Mel Gibson, Jean-Claude Van Damme, Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger formaram a plêiade de sucesso do gênero. Todos eles, no entanto, tiveram seu auge durante a década de 90 (à exceção de Stallone). Depois Hollywood perdeu a mão, e vieram porcarias como Velozes e Furiosos, Os Mercenários, AvP, Transformers e outras drogas (num sentido quase literal) que usavam o enredo como pretexto para explodir coisas, estimular os sentidos e outras avacalhações que reduziram o cinema de catarse a punhetologia comparada.

Mas a desgraça não foi completa. No meio do mar com ondas gigantescas de merda, no meio da borrasca de caganeira do cinema à moda Michael Bay, a gente viu sobreviver alguns náufragos como Quentin Tarantino e Luc Besson. Depois veio a bem sucedida onda dos filmes de super-herói, que se tornaram meio que um sub-gênero dentro do gênero em questão. Porém, não incluiremos esse tipo de filme na lista.

10. Gladiador (2000) – é um filme de Ridley Scott que catapultou Russell Crowe ao estrelado. Eu não gosto desse diretor, que filmou bombas como Prometheus e o ridículo Cruzadas, ambos com um discurso que tenta ser sério e acaba soando bisonho, totalmente clichê. Mas ele também trouxe à tona o primeiro Alien e é um cara que sabe fazer o bê-a-bá do negócio. Gladiador é assim, apenas a história despretensiosa de um ex-general romano que tenta voltar para sua família, mas é transformado em escravo e gladiador pelo Imperador tirânico. O cara luta muito, além de ser estrategista nato, então a gente fica com aquela sensação de vingança toda vez que ele se dá bem na arena.

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9. Jogos Vorazes (2012) – os filmes de ação para adolescentes, baseados em livros, entraram em voga depois do sucesso estrondoso de Crepúsculo. Dentre Dissidente, Maze Runner e outros que criaram praticamente um novo sub-gênero, eu fico com este, protagonizado por Jennifer Lawrence. Dizem que é uma cópia de Battle Royale, mas tem os seus méritos. Na verdade, ele me lembra muito de um outro filme chamado O Sobrevivente, dos anos 80, com Schwarzenegger. Num futuro distópico, colônias são obrigadas a enviar representantes para um jogo mortal, no intuito de saciar o senso de dignidade de seus dirigentes e trazer alguma esperança (falsa) a quem luta pela sobrevivência todos os dias. É uma premissa fantástica que é explorada apenas superficialmente.

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8 – 300 (2006) – depois de Matrix, que inovou na estética cinematográfica, acho que o único filme que trouxe um novo senso de perspectiva foi este, baseado em quadrinhos homônimos da Marvel. Proporciona um espetáculo visual que é uma característica marcante do Zack Snyder, pelo menos em todos os filmes que eu vi desse cara. No entanto, o plot é ridículo de tão simplório e deformado. Querem nos fazer crer que os espartanos lutam pela liberdade e contra a tirania, como se fossem gente de nosso tempo, mas não há nada mais distante da realidade da Esparta histórica, cujos cidadãos viviam para servir ao Estado.

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7. Django Livre (2012) – Quentin Tarantino é uma espécie de Andy Warhol do cinema, versão sádica. Ele faz um pout-pourri de técnicas, temas, imagens, referências e sons da cultura pop, o que quase sempre resulta numa narrativa fragmentária em que ganha um maior relevo o absurdo e o irracional da cultura, inclusive de sua própria leitura de mundo. Na história em questão, um faroeste desconstruído, nós temos Django, um ex-escravo que se torna um matador profissional (sic), treinado por um alemão (sic), e acaba na fazenda de um senhor branco que faz dinheiro usando escravos como gladiadores (sic!). Quase sempre predomina a metalinguagem, e só há uma queda de qualidade quando o vezo crítico esbarra no politicamente correto.

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6. Kill Bill – Vol. 1 (2003) – como vimos em o Gladiador, narrativas sobre vingança costumam atrair a atenção do público. Em Kill Bill, a personagem principal, a “Noiva”, faz parte de um grupo de assassinos liderado por Bill, que mais parece um caubói do que um mestre de artes marciais (e, por isso mesmo, foi excelente a escolha de David Carradine). Depois que resolve deixar sua vida de matadora, ela sofre uma tentativa de homicídio encomendada por Bill e levada a cabo por suas antigas parceiras. Para azar deles, ela sobrevive. Destaque para o alívio cômico que pipoca aqui e ali: o tal do Pai Mei, representante da “sabedoria” oriental, é extremamente temperamental e violento.

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5. A Identidade Bourne (2002) – antes da trilogia Bourne, Matt Damon era um conhecido ator de filmes dramáticos. Hoje em dia, ele praticamente sobrevive da franquia. Não sei se foi muito bom para ele, mas foi ótimo para nós, os fãs. Acho que eles criaram uma fórmula instigante que une elementos de mistério e de filmes de espionagem. A gente acompanha Jason Bourne à procura de respostas, totalmente perdido, desorientado, mas fazendo a caveira da CIA mesmo assim, realizando por intuição coisas incríveis sem nem saber como. O mais legal é que o contexto o torna o sujeito mais badass do universo. Na minha opinião, as continuações não fizeram muito sentido.

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4. Busca Implacável (2008) – outra fórmula que, depois de inventada, passou a ser repetida à exaustão por Hollywood. Um agente aposentado da CIA volta à ativa por conta própria depois que tem sua filha raptada por cafetões do leste europeu. Dispondo de uma quantidade irrisória de informações, nenhum auxílio oficial e agindo sozinho, em país estrangeiro, contra uma organização criminosa que inclui até mesmo agentes da lei, Liam Neeson ganhou status de lenda dos filmes de ação. O sujeito é um ninja cinquentão praticamente. Com um arsenal de cenas antológicas, foi um sucesso estrondoso que motivou duas outras continuações e cópias protagonizadas por Denzel Washington, Nicholas Cage e até por Keanu Reeves.

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3. Mad Max – Estrada da Fúria (2015) – assim como Zack Snyder, George Miller é um cara que gosta muito de trabalhar com efeitos visuais. Para completar, enquanto o primeiro enche o filme de efeitos gráficos de computador ou edição, o diretor australiano prefere se ater à moda old school. O que temos, no “reboot” de Mad Max, é um festival de imagens produzidas a partir de capotagens e explosões reais. Não sei dizer se o filme de 2015 é melhor do que o original, mas é de muita qualidade. Quase não há roteiro, porque os personagens, vivendo num futuro apocalíptico, vivem mais de seu instinto de sobrevivência do que da linguagem. Do pó ao pó: a única esperança é buscar esperança ou se render a ilusões vendidas por tiranos psicopatas.

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2. RoboCop (2014) – o que eu gosto muito nessa nova versão do José Padilha é que ela se mantém fiel à essência da original, um futuro distópico, e ainda ressalta suas virtudes. Pode parecer muito diferente do filme de Paul Vehroeven, mas não é. O conflito entre a parte humana e a parte máquina, inclusive, é muito enfatizado pela perspectiva de Padilha. A parte máquina é muito mais do que uma metáfora para a mecanização de um único indivíduo. A tensão não se reduz à necessidade de obedecer ordens, num ciclo vicioso que desumaniza: por trás há todo um processo de reengenharia que transforma o homem num produto. O modo como o diretor trata a Omnicorp é mais verossímil, porque a OCP de Padilha é inescrupulosa -mas age de maneira mais sutil e manipuladora.

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1. Rush – No Limite da Emoção (2014) – filmaço! História baseada na rivalidade real existente entre os pilotos Niki Lauda e James Hunt, durante a segunda metade da década de 1970. O primeiro é um sujeito discreto e racional, e o segundo, pelo contrário, gosta dos holofotes e age por puro instinto. Hunt é um mulherengo e boêmio que não tem medo do futuro nem de morrer na pista, mas Lauda é o cara que vive exclusivamente para o que gosta e teme perder o que tem. Duas pessoas completamente diferentes que se irmanam naquilo que os torna almas gêmeas do asfalto: o extremo espírito competitivo e o talento incomum para a velocidade.

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