O Bom e o Mau Selvagem

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Folk Metal

Uma das razões pelas quais eu não acredito em darwinismo é a seguinte: tente jogar um homem dentro de um zoológico em que todos os animais estão fora das jaulas. Dê-lhe um prato com aquele bife steak americano. Observe. Não precisa ser um gênio da biologia para chegar a uma conclusão razoável, ainda que se dê margem a outras probabilidades. Infelizmente (ou não), o mito do Tarzan pertence mais à literatura fantástica do que ao mundo real.

Outro dia eu estava assistindo a um vídeo do Varg Vikernes em que ele diz que a humanidade retrocedeu com o advento do cristianismo. Na visão dele, o paganismo era melhor porque fazia com que os homens corressem mais rápido, fossem melhores com arremesso de lanças e tivessem uma relação mais harmoniosa com a “Mãe-Natureza”. Ou seja, para ele, progresso significa ser um hippie e medalhista olímpico. Eu discordo.

A começar pelo equívoco da “relação mais harmoniosa” com a Natureza. Porventura ela tem uma relação “harmoniosa” conosco? Ela não está nem aí para você, meu filho! Não há negociação. Num minuto você está dormindo no chão da floresta, no outro está sendo devorado por uma onça. Para que haja integração perfeita entre o homem e a Natureza, ela precisa ser dominada; para ser dominada, ela precisa ser conhecida. Você pode fazer uma hidrelétrica e se aproveitar da força das correntezas para produzir luz e bem-estar, mas de jeito nenhum vai conseguir viver melhor caso desafie as leis da gravidade ou espere da “Natureza” uma vida melhor -ela não é um ente abstrato e misterioso, uma Mãe Gaia da vida a quem possamos rezar.

Segundo, “sobrevivência dos mais aptos” é uma expressão muito tosca do ponto de vista do juízo de valor, embora possa ser matéria de estudos no ramo da Antropologia, que ignora sutilezas filosóficas. Terremotos e furacões também ignoram sutilezas filosóficas e técnicas, ao contrário da gente. A presença de um engenheiro agrícola dentro de um grupo de indígenas seria valorizada se o cacique tivesse interesse em otimizar a vida do grupo sob sua tutela. Isso ele sendo minimamente perspicaz. Caso contrário, poderia ser motivo de inveja e guerra civil. Um judeu como Einstein não poderia ser o mais apto na bestializada Alemanha nazista nem se ele quisesse e se esforçasse muito. O mesmo se pode dizer de um direitista dentro de um país socialista.

Não existia diferença substancial entre a natureza de um indígena brasileiro e a de um português, no tempo do Descobrimento, muito embora o abismo cultural tendesse a absorver, na cosmovisão lusitana, a proto-cultura do primeiro -como uma galáxia a engolir um pequeno ecossistema sideral. As pessoas sempre se dividem em tipos muito semelhantes, malgrado as diferenças de outra ordem. Então você tinha, de um lado, quem continuasse interessado em antropofagia e pilhagem e, do outro, quem compreendesse haver maior vantagem em seguir a liderança jesuítica.

Por essas e por outras, reputo por curioso que um liberal creia ser justificável o aborto em função de leis econômicas. E ainda acredite viver em cultura superior à tribal. Em certas tribos, o cacique é muito mais econômico em motivos para enterrar vivas as crianças deficientes.

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