Pílulas Crônicas 9.0

Padrão

Japonesa Idosa

1. Japão

Outro dia inventaram uma pesquisa para descobrir por que o povo japonês vive mais do que os outros. Inventaram uma pesquisa científica para saber o que qualquer Zé das Couves descobre em meia hora de observação da vida pacata dos olhinhos puxados.

Constatou-se que os caras tinham uma vida longeva devido a seus saudáveis hábitos alimentares. Really, motherfucker!?

Todo mundo sabe que eu adoro o Japão, mas isso não quer dizer que eu seja um fã de pastel de flango, do tipo que cria ONG’s e fala em sustentabilidade. Existe um enorme abismo entre ser admirador de cultura japonesa e ser um ninja assassino, por exemplo. É o óbvio dos óbvios. Se não fosse assim, qualquer fã do Stanley Kubrick faria questão de viver 2/3 da existência com aquele TOC de simetria obsessiva.

Uma vez me levaram numa lanchonete de comida natural e pensaram que eu iria me entusiasmar pra cacete (sério, mas não me pergunte de onde tiraram isso). Veja só! Tinha tabule e tofu. Suco de beterraba. Sabe o que é “tabule”? É um negócio sem graça que os árabes inventaram, uma forma de terrorismo avant la letre -contra a gastronomia ocidental. Contra o junk food.

Não me levem a mal, mas eu prefiro viver 50 anos comendo “hamburgui” do que 100 anos me alimentando de peixe cru e arroz empapado. Até nisso o capitalismo é mais foda: uma simples relação de custo/benefício.

***

Cthulhu

2. Call of Cthulhu

Às vezes eu fico pensando na razão pela qual o sujeito cria toda uma obra ficcional para descrever uma realidade imaginária que é incrivelmente perturbadora. Talvez seja uma espécie de prazer semelhante ao sadomasoquismo, eu acho. Será que é patológico isso? Não sei. Só sei que Lovecraft é um puta nome maneiro, e as paradas que ele escreve apavoram pelo aspecto de nonsense que mexem com nosso instinto de sobrevivência.

Quem não gostaria de viver um dia de Liam Neeson naquele filme em que ele foge dos lobos? Mas só no cinema mesmo, porque ninguém é louco de apostar a própria vida pra se sentir em “sintonia com a vida selvagem”. É mais seguro viajar para o Alaska, com guia, arma, barraca e sinalizador. E equipe de filmagem.

O grande problema da civilização é que ela é muito chata, por isso criaram a modernidade. Você sai na rua, trabalha e conversa com desconhecidos sobre o clima. Em casa, joga Call of Duty.

Vejam o monstro do cara. Cthulhu é um bicho estranho que veio do espaço sideral, de outra dimensão. Qual é a necessidade de um Cthulhu? Alguém rezaria pra essa merda? A verdade é que o ser humano não criou as viagens espaciais para testar a ciência e se aperfeiçoar. Esse é apenas o pretexto racional que a gente dá. A gente quer ir a Marte a fim de ficar dando saltos em gravidade baixa e, quem sabe, encontrar aqueles homenzinhos verdes. É como um passeio pelo zoológico, só que gastando bilhões de dólares em vez de 20 reais a entrada. É como eu disse: às vezes a razão é apenas um pretexto.

Deve ser por isso que literatura de gênero faz tanta grana. Os caras viajam na maionese -a preço de ingresso de zoológico.

***

3. Entretenimento

Na época de faculdade, se eu não fosse o próprio “general”, nunca tinha disciplina. O professor me mandava ler um livro, então eu ia para a biblioteca e acabava levando outro. Sempre detestei regras da academia, tipo puxar saco de cânones ou respeitar regras da ABNT.

Ser um entretainer foi uma das razões pelas quais eu nunca quis seguir carreira acadêmica. Mas não a principal. O fundamental foi isto: eu sempre fui sobretudo um pensador. Explico. Pra chegar a ser um doutor, você precisa passar por uma série de protocolos, a começar por se ajustar à “pesquisa” do orientador, geralmente uma forma de bajular ideologias ou aumentar o salário, e a terminar por se ajustar ao modus operandi da instituição. Ou seja, você faz isso até se tornar um protocolo em si.

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