Manchester City – O que fazer na nova temporada?

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Manchester City 2

Chegamos ao final de mais uma temporada e, se tínhamos dúvida a respeito da necessidade de uma reformulação, aponta nessa direção uma jornada marcada pela falta de títulos somada a mais uma campanha pífia na Champions. Poderiam dizer, a exemplo de Marcel Dessailly, que o Chelsea ganhou em razão da capacidade de José Mourinho. Pode ser que seu dedo tenha feito alguma diferença… Mas daí a afirmar que boas táticas resultam no sucesso total? Eu duvido muito. O Chelsea ganhou porque tinha um elenco mais qualificado.

Os europeus têm mania de exaltar as qualidades do técnico e a sintonia do plantel, mas se esquecem que futebol e vitórias se fazem com jogadores de primeira linha. Mesmo os problemáticos. Suárez foi mandando embora de Anfield Road e o Liverpool passou de postulante ao título, na temporada 2014/2015, à condição de aspirante à Liga Europa. Não estou dando peruadas, mas simplesmente revelando os fatos. Carlos Tévez saiu quase escorraçado do Manchester City e, no entanto, acabou conduzindo a Juventus à final da Liga. Será tudo isso tão coincidência assim?

O Manchester City se tornou uma potência nacional a partir do momento em que trouxe jogadores de calibre. Os demais gigantes da Premier League amargaram a sombra porque se contentaram com reposição de elenco. Por algum tempo. Na temporada recém-encerrada, a situação desses times se inverteu quanto à política de transferência. O que também se refletiu em seu sucesso, relativo e absoluto.

Se os citizens querem prosperar na temporada que vem, avançar em direção a suas ambiciosas metas de futuro, é necessário se mexer. Primeiro é preciso entender que existe uma coisa chamada de “balança financeira”, a qual deve estar equilibrada. Seus jogadores não podem ser vendidos a preço de banana apenas porque não fizeram uma boa temporada; se é possível aproveitá-los enquanto ainda se valorizam, que seja. Segundo que, em vez de gastar 100 milhões em 5 jogadores medianos, faz muito mais sentido comprar apenas 2 craques com esse dinheiro. Não é garantido que estes dois jogadores vão valer o que custaram -mas é seguro dizer que, se 2 craques se encaixam no grupo, os 9 demais titulares têm muito mais chance de manter seu emprego (e o clube, o saldo positivo no caixa).

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COMPRAS NECESSÁRIAS (por ordem de importância):

Paul Pogba (Juventus) – 70-100 milhões de euros

Independente da saída ou da permanência de Yayá Touré (mas sobretudo se ele se for), penso que a chegada de alguém do nível de Paul Pogba, para o setor do meio de campo, é fundamental. Touré, como todos sabemos, é o motor do time. O problema tem sido justamente este: a ausência de rivais na posição. Falta de concorrência que o torna um tanto quanto displicente no tocante à consistência de suas atuações. A chegada de Pogba, a propósito, não apenas o pressiona como pode ter o efeito de resgatar o melhor do marfinense, se ambos jogarem juntos. No que se refere à capacidade técnica do francês e a sua idade, teríamos outro grande trunfo; porque ele possui um controle de bola ímpar e uma criatividade exuberante, qualidades essas que, aliadas a sua juventude, transformam Pogba no sucessor em potencial de um meio-campista trintão e em fase descendente na carreira.

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2° Kevin De Bruyne (Wolfsburg)35-40 milhões de euros

Com 24 anos, o belga Kevin De Bruyne já passou da fase de experiência no futebol e, ao mesmo tempo, ainda está longe de se aproximar do ponto de decaída na curva. Na verdade sua compra não seria necessária se Samir Nasri correspondesse em campo. Ocorre que nele sobram as qualidades que têm faltado ao armador francês e que seriam de vital importância para criar uma articulação criativa com David Silva, estratégia que tanto nos fez falta ao longo da última temporada. Kevin é um jogador muito rápido e esbanja precisão em sua ambidestria, tanto nos chutes quanto nos passes; Samir Nasri, por seu turno, é lento e, apesar de perigoso dentro da área adversária, é um destro que não consegue ter, como o jovem De Bruyne, a mesma acurácia com os pés. Por falar em idade, o francês vai fazer 28 anos no mês que vem; ou seja, a troca de um pelo outro se mostra proveitosa também em termos de investimento a médio prazo. O problema com De Bruyne é que o Wolfsburg tem se mostrado no mínimo relutante quando o assunto é liberá-lo.

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3° John Stones (Everton) – 20-25 milhões de euros

Embora não tenha aparecido muito em rumores de especulações mais recentes envolvendo o Manchester City, desponta hora ou outra, bem discretamente, o nome desse jovem zagueiro do Everton, de apenas 19 anos. Uma pena. Como foi demonstrado pela temporada que passamos, o badalado (e caro) Mangala não deu conta do recado e, em verdade, mesmo que o tivesse, nós temos defasagem na posição; Demichelis está velho demais, Kompany tem se machucado bastante e o quarto zagueiro é o questionável Boyata, alvo de possível transferência. Talvez fosse o caso de efetivar, no elenco principal, o holandês e prata da casa Karim Rekik -uma opção sem custos e, ao que parece, eficaz. Mas consta que o PSV vai fazer uma oferta pelo jogador. Ademais, John Stones é um zagueiro inglês, o que nos lembra que o Manchester City precisa cumprir a cota de jogadores nascidos no país.

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COMPRAS EMERGENCIAIS (por ordem de importância):

1° Ross Barkley (Everton) – 50-60 milhões de euros

Caso percamos Pogba e não consigamos manter Touré, a solução paliativa seria contratar Ross Barkley. O jovem meio-campista inglês tem lá seus talentos, que não são desprezíveis, mas ele está longe, bem longe de ter o mesmo nível técnico dos dois jogadores supramencionados. Se, para ganhar nossos jogos, já dependemos muito de Yayá Touré, imagine o que poderia acontecer se dependêssemos de um jogador tecnicamente inferior? Talvez sequer nos qualificássemos para a próxima Champions League. Barkley é o tipo de meio-campista que sabe fazer bem de tudo um pouco para um jogador de sua posição. Aliás, como a maioria dos bons jogadores ingleses. Mas um time como o Manchester City precisa cada vez mais de jogadores que tirem o coelho da cartola, jogadores que desequilibrem a favor. Ele é inglês, o que é ponto positivo, mas não é craque (e é caro).

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2 ° Raheem Sterling (Liverpool) – 40-50 milhões de euros

É um dos jovens jogadores britânicos mais badalados do futebol inglês. E com razão. Em situação normal, o Liverpool não o liberaria por dinheiro nenhum. Mas o problema é que Sterling quer jogar por um clube que brigue por títulos -e não crê que o Liverpool possa oferecer isso a ele. Não é craque ainda, mas é um jogador com vocações ofensivas e é muito veloz e incisivo. Parece uma flecha, quando liga o motorzinho. Poderia fazer facilmente o papel de ponta, winger ou segundo atacante, servindo de substituto para a (provável) saída de James Milner, Jovetic ou de Samir Nasri. Conta a favor dele a idade (20 anos) e a nacionalidade (outro jogador inglês), mas a relação entre custo e benefício ainda se parece muito com loteria; difícil pagar 50 milhões por um jogador que ainda não se estabeleceu.

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3° Roberto Firmino (Hoffenheim) – 27-30 milhões de euros

Roberto Firmino é o típico centroavante: sabe se posicionar, chuta com muita qualidade e tem muita frieza para finalizar. Além disso, possui qualidade técnica, sabendo fazer tabelas, fintas etc. Eu diria que é uma espécie de Diego Costa do futebol alemão. Ele também não é um jogador lá muito caro, para os padrões da Premier League. Mas o City já conta com atacantes do calibre de um Aguero e de um Bony, e eu não penso que nenhum dos dois seja inferior a Firmino, muito pelo contrário até. Dzeko tem menos qualidade, mas simplesmente não vale a pena contratar o brasileiro, pelo preço que custa, para fazer revesamento de plantel. Valeria a pena caso nos frustrássemos com todas as outras investidas; acredito que ele poderia fazer frente a Wilfried e formar uma boa dupla com Aguero.

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QUEM PRECISA SAIR?

Além dos figurões de sempre (Hart, Kompany, Silva e Aguero), não há ninguém que não seja dispensável no clube. À exceção de Yayá Touré, que poderia sair apenas em razão do desgaste na relação e por causa da idade avançada. Tirando isso, creio que são totalmente dispensáveis antigos flops, como Jovetic (20 milhões), Dzeko (20 milhões), Nasri (20 milhões) e Jesus Navas (15 milhões). Se Yayá saísse, teria que sair por 20 milhões, mas não creio que a Inter pagaria isso num jogador de 32 anos de idade.

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QUEM PRECISA FICAR?

James Milner. Não só porque é um jogador versátil e muito útil, mas porque sairia de graça e, além de tudo, é um dos ingleses que preenchem a cota necessária dos homegrow que todo time da Premier precisa ter. Se James saísse, precisaríamos repor -e jogadores ingleses custam muito caro. Na realidade, eu penso que a tendência é esta: James sair. Não é por acaso que tenho ouvido muitos boatos a respeito da compra, pelo Manchester City, de Raheem Sterling. Vamos ver se procede.

 

 

 

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