Pílulas Crônicas 8.0

Padrão

Giordano Bruno

1. Oriente X Ocidente

É preciso deixar bem claro que eu nunca disse que o Oriente era espiritualmente superior ao Ocidente. Quem faz essa ideia de meus textos é um analfabeto funcional e um delirante. Aliás, um vídeo sobre Chesterton, que eu mesmo publiquei aqui, é bastante elucidativo a respeito de minha posição sobre isso.

Quando elogio o Japão e o faço em contraponto ao Ocidente, não me passa nem de longe pela cabeça a ideia de flertar com o Budismo ou qualquer outra porcaria gnóstica. Tanto é verdade que meus elogios se orientam sempre no sentido de exaltar hábitos tradicionais igualmente relevantes para o Ocidente histórico, ainda que traduzidos sob os signos de outra cultura. Ocorre que, no âmbito de nossa civilização, aprofunda-se a destruição de valores judaico-cristãos e, de nossa parte, gente de bem, a vontade de salvaguardá-los. Nesse contexto, o Japão se me afigura o modelo ideal de simbiose entre o velho e o novo, naquilo que ambos trazem de salutar e instigante.

2. Nepal todo fodido

Não me pronunciei sobre o Nepal porque, como eu digo sempre, não tenho o hábito de assistir à TV aberta e não me importo com aquilo que sai na imprensa em geral. Tenho motivos ideológicos e estéticos para tanto. Mas é evidente que, convivendo com gente que vê essa desgraça (TV aberta, não o Nepal ferrado) todos os dias, eu acabo sendo contaminado por suas bobagens. Evito o perigo do soterramento por abobrinhas, ao qual, estando no Brasil, temo mais que terremotos.

Outro dia eu soube que um repórter havia dito que o Japão servia de exemplo mundial na prevenção a desastres naturais. Tudo bem, eles são muito disciplinados. Mas é preciso ter senso das proporções, fera. Não adianta mostrar como são construídos os prédios nem o conteúdo dos kits de sobrevivência. O Nepal, pelo mínimo que eu saiba, não tem os recursos financeiros que o Japão esbanja. E o Japão está sujeito a tsunamis e fissuras no solo, mas não tem que se preocupar, quando balança a terra, com um teto de pedra de milhões de toneladas a desabar sobre suas cabeças. Não tem capacete de emergência que aguente.

É muito triste o que aconteceu com o Nepal, mas vamos falar a verdade: ninguém sabia quase merda nenhuma sobre o lugar até ontem. A não ser os hippies e os alpinistas. Se nos dissessem que morreu a população inteira do Nepal no terremoto, a gente iria no mínimo pensar que o velório seria curto e barato pacas. Afinal, o enterro de 43 cabras e 86 monges não seria assim tão oneroso para a iniciativa internacional.

Humor negro à parte, eis um dos benefícios da globalização, pra quem acha que não tem nenhum. Graças aos recursos de que dispomos hoje, foi célere como nunca a ajuda aos milhões de nepaleses desabrigados.

3. Ministro Faquinha e Primeiro de Maio

Eu estou sabendo sobre o recrutamento do novo ministro de Dilma, o exótico advogado do Paraná. Reinaldo Azevedo andou dando aulas sobre a figuraça. Mas eu tomei a decisão de não deitar o pau na Esquerda, em suas trapalhadas. Pelo menos não tão ostensivamente. Então o Faquinha que oxide no Senado.

Quanto ao pronunciamento da ilustríssima presidenta por ocasião do Primeiro de Abril, acho que ela faz certo em fechar a boca. Eu já ouvi seus pronunciamentos em anos anteriores, por exaltação ao Dia do Trabalho. E, passados 4 anos de governo, acho que foi o bastante para todos nós.

4. Inquisição e novas babaquices sempre bem velhas

Para fechar o assunto (por hora): a Inquisição NÃO perseguiu e executou bruxas durante a Idade Média! Burro empacado é resistente, eu já sabia; mas tagarelice equina é fora do comum. E chata. Você pode acreditar no que quiser, desde que não distorça os fatos. Se você acha que a Inquisição foi o Diabo na Terra, ótimo, mas não jogue o seu enxofre em cima para parecer mais convincente. Atenha-se às evidências históricas.

Para início de conversa, a Igreja nunca acreditou que o sobrenatural pudesse ser engendrado pela mera manipulação de recursos naturais. O povo, durante a Idade Média, sim. Mas não por deseducação promovida por clérigos. Na verdade, o grosso da população europeia, à época, era formado por povos bárbaros recém-convertidos. E analfabetos. Então eles traziam entranhadas em sua cultura muitas convicções ainda supersticiosas, como a crença em bruxas e em bizarros métodos de julgamento, como a ordália.

Por que os Papas e Bispos não coibiam os abusos, assim que eram cometidos? Porque eles não tinham internet para enviar e-mail. Nem discada. E, que eu saiba, não tinham aviões para viajar às regiões distantes onde essas babaquices eram mais costumeiras. Só dispunham de cartas. Que levavam muito tempo para chegar aos destinatários.

Numa desses lugares, a Dinamarca, havia ocorrido um terremoto devastador. O povo matou na fogueira um grupo de mulheres acusadas de “feitiçaria”. Linchamento popular. Em resposta ao monarca local (que tampouco concordava com seu povo), o Papa o incitou a interromper esse tipo de prática, exortando-o a educar o povo; porque catástrofes assim, segundo ele, eram eventos naturais que ocorriam por “vontade de Deus”, não por “bruxaria”. Naquela época, os cristão instruídos não acreditavam em bruxas. E elas na verdade não existiam.

A bruxaria como conhecemos só foi introduzida na Europa cristã a partir do Renascimento, depois da Idade Média. Nesse contexto, houve, sim, perseguições e condenações. Porque havia bizarros rituais de magia negra (que, acredite, envolviam muito mais do que simpatias para trazer o amado em três dias). O alucinado Giordano Bruno, por exemplo, era um bruxo.

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