Top 10 – Filmes de Terror

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Scary face

Tensão constante, respiração ofegante, vontade de apertar o botão de pause no controle remoto… Os sintomas são muito claros para ignorar: você está assistindo a um bom filme de terror! Sempre tem aquela obra-prima do gênero que faz a gente cair da cadeira quando vê da primeira vez. Ou ficar petrificado no sofá. Ou permanecer sem dormir, no pior dos cenários. Já aconteceu comigo. Se ainda não aconteceu o mesmo com você, surprise motherfucker… este artigo pretende ser sua encruzilhada.

Eu fiz uma lista com 10 dos melhores filmes do gênero, de acordo com a minha opinião. Excluí alguns muito badalados (e muito bons) porque estou usando um critério meu que separa os filmes de terror, como os concebo, daqueles que simplesmente apostam no suspense e no gore como apelo principal. Para mim, filme de terror mesmo é filme típico de assombração, mesmo sem assombração; ou seja, aqueles que focalizam no terror psicológico, uma fórmula tipicamente japonesa de apavorar. Produções do gênero que caem no clichê serial killer/monstro + pessoas desavisadas (normalmente adolescentes) são enquadrados por mim num gênero que chamo de “thriller de horror”. Originalmente, os thrillers eram subgêneros cinematográficos que se destacavam por enfatizar a ação e a tensão subjacentes a narrativas de natureza mais investigativa derivadas de literatura policial do século XIX; no contexto de uma atmosfera de horror, o thriller caracterizaria um enredo muito preso à necessidade de chocar pela brutalidade e hostilidade do antagonista da trama.

Em suma, um filme de terror, na acepção mais fidedigna da locução adjetiva, teria que ser aquele que primasse por construir toda sua estrutura a partir do elemento medo como eixo. Num thriller de horror, por sua vez, o medo seria um produto secundário, um derivado exterior de um roteiro ocupado em realçar o contraste entre um protagonista inteligente e “fraco” e um vilão astuto e brutal.

Então você não vai encontrar nesta lista filmes como Olhos Famintos, Tubarão, Sexta-Feira 13Hellraiser, Centopeia Humana,  Madrugada dos Mortos e outros (embora eu goste particularmente desses que citei). Se você é fã desse tipo de filme e quiser conferir mesmo assim, dê uma olhada.

*** A Mosca

10. A Mosca (1986) – o barato desse filme de Cronenberg é que ele inocula em você, gradativamente, uma overdose de medo e  angústia na proporção em que o enredo consegue nos introduzir na inexorável espiral de decadência do protagonista. No auge de sua carreira e vida afetiva, o protagonista encarnado por Jeff Goldblum vai acompanhando seus anseios de sucesso e amor, na iminência de sua realização, sendo corroídos lentamente por uma fatalidade terrível. Poderia ser um filme sobre um câncer raro a princípio, mas a metáfora grotesca do inseto nos remete ao estado de degradação ética, psicológica e cognitiva em que Seth Brundle mergulha justamente enquanto se debate para escapar de seu destino. Triste.

*** Linha Mortal

9. Linha Mortal (1990) – o título se refere à linha verde que aparece no aparelho que monitora os batimentos cardíacos da pessoa; quando ela estabiliza numa reta contínua, significa que o paciente está clinicamente morto. Mas estar “clinicamente morto” é o mesmo que estar morto? O que acontece depois? São essas as perguntas que o filme procura responder. Ou explorar. Com um elenco estelar, o filme narra a história de um grupo de amigos médicos que se submete a experimentos de indução temporária à morte clínica, no intuito de investigar os estados mentais do “limbo” existencial. Vão descobrir que a “zona de transição” sempre foi o lugar mais estável em suas vidas. Muito interessante e muito tenso -especialmente porque você não sabe se os caras vão reanimar a “cobaia” da vez…

*** The Thing

8. O Enigma de Outro Mundo (1982) – existe o filme original, que eu nunca vi, existe o remake de John Carpenter, do qual falaremos agora, e existe um péssimo remake do remake de 82… Conta a história de uma equipe de cientistas da Antártida cujos membros vão sendo contaminados por uma espécie de parasita hostil que transforma o hospedeiro numa carapaça manipulável, deformável e faminta por carne humana. Assustador, não? A concepção artística dos monstros, apesar dos efeitos especiais datados, consegue ser perturbadora ainda hoje. Mas a grande sacada do filme consiste em obrigar os personagens saudáveis (e nós!) a conviver com os outros membros do grupo sem saber quais dentre eles são “inimigos à paisana”; na paisagem inóspita do ártico, ninguém tem para onde correr e estão todos condenados à cooperação, sem a qual também não há sobrevivência.

*** Alien - 8° Passageiro

7. Alien, o Oitavo Passageiro (1979) – escolhi esse filme não apenas porque, de fato, é muito bom, mas sobretudo porque foi muito original para sua época e estabeleceu um novo padrão que ainda hoje não conseguimos ver reproduzido com sucesso no Cinema (nem por suas continuações nem por suas emulações). A combinação de thillerhorrorficção científica criou uma simbiose tão perfeita que tornou praticamente impossível classificar o primeiro Alien.  Na atmosfera claustrofóbica e sombria da Nostromo de H.R. Giger, os tripulantes de repente se veem à mercê de um organismo alienígena e macabro do qual eles nada sabem; ao longo do filme, somos apresentados a uma Ellen Ripley ainda inepta no tocante a manobras militares e confronto com monstros de outro planeta.

*** À Beira da Loucura

6. À Beira da Loucura (1995) – se existe uma obra subestimada e praticamente deixada à deriva na análise do legado de John Carpenter, sem dúvida estamos falando  sobre ela agora. Creio que o filme ficou no ostracismo porque é lovecraftiano demais, cheio de monstros caricatos; as pessoas viam e não o levavam a sério. Mas o grande mérito ignorado de In The Mouth of Madness, como o próprio nome sugere, é o absurdo das situações limítrofes, do ponto de vista da coerência lógica, inclusive em sua estreita relação com a mente singular e perturbada do famigerado Sutter Cane. Não há razão para os personagens se comportarem do jeito caótico com o qual se comportam, mesmo depois que a chocante peripécia final é revelada. Eu falava de H.P. Lovecraft no início do texto e, pode ter certeza, muito da estética do escritor é reproduzida no filme. Apesar de anacrônica para o gênero, é uma obra de estirpe superior.

*** O Exorcista

5. O Exorcista (1973) – famoso caso do filme clássico de terror que se tornou uma referência do gênero por algum tempo e conseguiu sobreviver assim mais pelo hype criado em torno de suas histórias de bastidores (dizem que muita gente que participou das filmagens foi morrendo ao longo dos anos…). Em si, o filme não chega a assustar a quem está muito acostumado ao cinema americano de horror posterior ao impacto do estilo japonês de aterrorizar. No entanto, não podemos deixar de sublinhar o fato de que filmes como O Exorcista foram um verdadeiro marco para sua época. Se hoje se tornou corriqueiro ver uma garotinha pálida com semblante assustador se contorcendo feito uma aranha ou qualquer outro inseto asqueroso, devemos muito à inventividade dos responsáveis pelo “suplício” de Linda Blair. É engraçado, porque filmes pioneiros do estilo, como O Bebê de Rosemary A Profecia, não conseguem se consolidar como obras-primas, entretanto O Exorcista não perde em popularidade; acho que o tema da possessão tem um apelo muito grande.

*** REC

4. [REC] (2007) – o tema do apocalipse zumbi sempre foi muito popular entre os americanos -existe até mesmo uma rede social em que “crentes” se conectam para aprimorar seus conhecimentos sobre o cataclismo. Nos dois primeiros decênios deste século, muito em virtude do sucesso de franquias multimídia como The Walking Dead e Resident Evil,  Hollywood desandou a financiar produções do gênero. Mas todas explorando os clichês até a última gota. Um caso que foge um pouco da padronização do gênero é [REC], um filme espanhol de 2007 (fora que tem a deliciosa Manuela Velasco). Fazendo uso inteligente e simples de uma fórmula consagrada por Bruxa de Blair, a trama narra uma matéria de uma repórter e seu cinegrafista em que eles acompanham os bombeiros de Barcelona durante uma despretensiosa chamada de madrugada. O terrível é que os zumbis são velozes e letais e, como a câmera do cinegrafista não cobre todos os ângulos, você não sabe quando ou por onde virá o próximo ataque. Tenso!

*** Samara Morgan

3. O Chamado (2002) – para se ter uma ideia da importância que essa obra tem para o gênero, podemos dizer que os filmes de terror se dividem em antes e depois de The Ring. O Chamado representa para a nossa geração o que O Exorcista foi para a geração de meus pais; um novo patamar de terror foi alcançado. A meu ver, o terrível a respeito da estética japonesa é que não há escapatória para as vítimas; uma vez capturadas pelo mal inexplicável, os protagonistas tentam compreender e remediar sua situação, mas a sucessão surreal de absurdos quebra qualquer possibilidade de racionalização dos acontecimentos e os lança num mecanismo de desesperadora tortura psicológica. Deformação de fotos, prédios que aparecem sem fachada, filmes bizarros com tempo descompassado e outras cenas estranhas que culminam numa das mais icônicas da história do horror: a garota macabra que sai da tela de TV e, contorcendo-se de maneira surreal, aproxima-se de sua vítima para eliminá-la com um simples olhar.

*** Insidious

2. Sobrenatural (2010) – a cena retratada acima é, para mim, uma das mais assustadoras da história do cinema de horror -o demônio que tenta possuir a criança aparece logo atrás do pai dela. Não é de se admirar. Insidious foi um filme concebido por um dos maiores gênios do terror, o malaio James Wan. O currículo do cara impressiona por ser curto e, no entanto, significativo: dirigiu Jogos MortaisAnnabelle e Invocação do Mal, todos clássicos do estilo e campeões de custo/benefício. Sua técnica é muito artesanal, isto é, não recorre a efeitos plásticos caros e sofisticados, e aposta, com sucesso, no talento e no improviso; quando pretende aumentar a tensão, Wan recorre a tomadas de câmera, expressões dos atores, sonoplastia e outros recursos do tipo. O resultado, na soma dos esforços, é excelente.

*** Annabelle

1. Annabelle (2014) – esse filme fantástico é tão bom que faz parecer versões beta todos os recursos empregados com maestria por James Wan em suas obras anteriores. Um casal de satanistas invade a casa de uma mulher grávida e, no processo, acaba morrendo; o problema é que uma das bonecas do quarto do bebê é afetada pela energia malévola. Tinha tudo para repetir o ar cômico que sempre avacalha essas obras de terrir repetidoras de uma fórmula que envolva bonecos perversos e antropomorfizados, mas o filme na verdade é de assombração; a boneca Annabelle funciona apenas como catalizadora de seres de uma dimensão sombria. Acaba que Annabelle apavora mais pelo que sugere do que por aquilo que efetivamente mostra ou explica. Nesse contexto, todas as virtudes de James Wan (que não são poucas) se sobressaem. O filme é tão bem feito que, a partir do momento em que captura o espectador, a tensão aumenta e não se resolve por longos minutos -o que vai se repetindo ao longo de suas quase duas horas de duração.

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