Classe Média: Emergentes e Submergentes

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Rei do Camarote

O retrato típico de certa sub-categoria de classe média (a emergir) no Brasil é ter alguém chamado “Paola” dizendo com boca grande, afetando humildade, que faz “análise há dez anos”. Lastimável. Claro, não uso o prefixo “sub” aqui para designar espécie, mas como subdivisão taxonômica de classe… biológica. Vocês sabem: existem os pavões e existem os homens. E os (c)aptos e os mentecaptos têm se distinguido igualmente, ao longo do desenvolvimento da civilização.

Olha, eu não acredito em darwinismo e muito menos no Augusto Comte. Mas acreditaria, se me dissessem que a humanidade passa na verdade por um processo irreversível de subdesenvolvimento mental. Ou que a famigerada “Seleção Natural”, um ente etéreo dos sacerdotes materialistas, selecionasse na realidade os menos aptos e mais burros. Se bem que a classe média, sob os auspícios dos socialistas, tende mesmo a desaparecer… Então…

A coisa mais idiota do mundo que um sociólogo pode fazer é separar grupos sociais por seu poder aquisitivo. Demétrio Magnoli definiu com correção o conceito mais apropriado de classe média: trata-se de um grupo de indivíduos que sobrevive de sua produção intelectual. A classe média não é uma “abominação cognitiva” porque usa 200 reais para comprar sapato; outro é o nome que damos àqueles que (se) definem pelo que gastam ou pelo que têm. A pessoa que não consegue comprar uma calça porque custa mais de 300 reais não é a mesma abominação cognitiva que ganha 15 mil reais para produzir conteúdo intelectual de natureza gástrica.

Primeiro de tudo, é preciso dizer que considero um verdadeiro disparate uma “Paola” se achar grande coisa, mais do que uma Jhenyfer com “h” e “y”, apenas porque carrega um nome italiano. Porque geralmente uma “Paola” brasileira é chamada de “Paola”, enquanto que, na Itália propriamente dita, toda “Paola” de RG é uma verdadeira “Paula” na linguagem oral. Quer dizer, por que os pedantes não abrasileiram logo esse nome de uma vez? Mas não… No fim das contas, alguém chamado Paola tem muito mais em comum do que imagina com alguém que se chama Jorrân porque a mãe achou muito bonito o tal do Johann que ela ouviu pronunciarem durante um filme sobre a Segunda Guerra.

Sim, eu acho coisa de débil mental fazer meditação transcendental. Pior ainda frequentar psicanalista. Receber passe em Centro Espírita, então, nem se fala…

O problema é que neguinho se acha foda porque fez pós-graduação em Humanas, leu a obra completa de Sidney Sheldon, é fã de Chico Buarque e passou em concurso público para o MP. É presunção muito comum entre os tupiniquins. Eu não tenho nada contra se você tem um gosto X ou Y, mas me causa espécie perceber que essa gente se acha mais requintada do que os outros porque tem “um Portinari” na sala de estar da casa dos pais e leu qualquer porcaria do Immanuel Kant. Em tempo: ser filósofo ou esteta não significa conhecer história da arte ou da filosofia, mas ter paixão pela contemplação dos objetos belos e dos objetos da realidade -inclinações que precisam ganhar força de hábito nos espíritos verdadeiramente elevados.

Eu sei que é motivo de consternação saber que sou parte da nata intelectual deste país caindo aos pedaços, totalmente lobotomizado. Porque eu sou aquele babaca grego e cínico, aquele Diógenes expatriado no tempo e no espaço e mais ou menos amargurado. Mas eu vou fazer o quê? Não acredito em reencarnação; sou pior, sou brasileiro HUE. Hoje em dia a galera que tira algum no fim do ano gosta de viajar para Paris, porque é “romântico”, ou para Nova York, porque é “chique”. Eu poderia dizer que o ápice do Romantismo se deu em países não-latinos, por razões históricas. Poderia dizer que viajar para Kyoto ou Florença é muito mais relevante do que viajar para os EUA. Mas eu seria um chato de galocha no meio da lama. E o máximo de altivez que meu espírito me permite no presente momento, a bem da verdade, é desejar comprar um PS4 por um preço módico… porque aqui o negócio custa mais de 300 reais.

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