Pílulas Crônicas 4.0

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Capacete

 

* Teve gente que veio me perguntar sobre o andamento do Terceiro Capítulo de Nerávia. Perguntam-me também sobre meu processo de criação, o qual acham espantoso. Não sei como outros escritores fazem, mas eu trabalho com 70% de planejamento e 30% de improviso. Quero dizer que eu já tinha um rascunho do que fazer com o Terceiro Capítulo bem antes de começá-lo. E sei também o que fazer, em linhas gerais, com o Quarto e o Quinto Capítulo: neste eu vou continuar narrando a infância do protagonista, enquanto naquele eu pretendo descrever o Palácio dos Deuses e as Idades antigas.

* Eu vinha dizendo que o Terceiro Capítulo seria o mais contundente e violento dentre aqueles que escrevi. E será. Para se ter uma ideia, como fonte de inspiração eu tenho ouvido muitas bandas escandinavas de Black e Death Metal, como Burzum, Bloodbath e Blood Red Throne. A tendência a partir de agora é abandonar o tom lírico/melancólico (elegíaco) que predominava e adentrar nas trevas densas de uma Nerávia em ruínas.

* Não digo que vai ser uma obra épica, mas apenas para não soar presunçoso. Afinal, como escapar do épico um enredo que foca numa guerra civil em que estão implicados deuses e homens? Ao menos os motivos o são.

* Não sou um ser humano: sou artista. Sou pior. Tenho uma sensibilidade em sintonia fina. Então as partes mais pesadas daquilo que escrevo acabam me afetando psicologicamente. Sei, por exemplo, que o Capítulo V vai ser bastante sombrio e difícil de escrever. Presumo que será difícil até mesmo de ler, porque os tons serão três vezes mais pesados. É nesses momentos que dou uma parada para respirar. Porque senão fica foda.

* Às vezes sumo daqui porque estou puto. Às vezes sumo porque tenho coisas a fazer. Às vezes sumo para descansar. E muitas vezes eu sumo simplesmente porque estou escrevendo. Para o blog, por exemplo, eu tenho alguns textos prontos que eu não tive a paciência de burilar. Digo “burilar”: refiro-me à revisão de conteúdo. Nem tudo o que penso eu posso postar; seria processado com facilidade e muitas vezes mal interpretado também.

* Outro dia eu estava assistindo a “Gone Girl” e fiquei espantado ao perceber o quanto a vida imita a arte.  E vice-versa. Ao final de tudo, a morena cai em prantos ao descobrir que a loira vai sair ganhando apesar de tudo. A vida é muito simples afinal. O marinheiro espera pelo primeiro vento quente que o mova com força; mesmo que seja a voz da sereia. Porque sereias são apenas superstição. E filmes são apenas filmes.

* Aliás, Rosamund Pike e Ben Affleck estavam perfeitos em seus respectivos papéis. Parece que foram feitos um para o outro. Tão forte é a impressão que mesmo a autora do livro adaptado quer contar com ambos para uma possível continuação cinematográfica.

* Não, não assisto a notícias, a não ser acidentalmente. Eu simplesmente não quero saber. Não ligo para Jornal Nacional, G1, R7 nem porra nenhuma do tipo. Se sou alienado? Digo apenas que sei o suficiente sobre o mundo para não me surpreender com atos de muçulmanos na França ou a tendência editorial do jornalismo no mundo. Boring. Eles falam, eles agem, mas eu sabia de antemão. I can see fifth scenarios ahead, motherfucker.

* Não é que eu seja profeta: é que não sofro de Alzheimer nem de retardo mental. Em suma, eu sou o überbrasileiro.

* Sempre que me falam do Brasil eu dou risadas. Não sei por que alguém no mundo se importaria com o Brasil. Nem os brasileiros ligam. Os brasileiros, quando se importam com causas, importam-se apenas consigo mesmos; no entanto, esse mise en scene ridículo, quando quer afetar nacionalismo, acaba soando 10 vezes mais postiço do que aqueles poemas naturistas dos árcades mineiros. Eu simplesmente dou de ombros.

* Como qualquer brasileiro, sinto-me plenamente brasileiro e orgulhoso apenas quando posso esfregar na cara dos outros que sou melhor do que eles. Hoje amamos Gabriel Medina. Ontem era o Guga. Anteontem era o Ayrton Senna. De ídolo descartável a ídolo descartável. Nenhum exemplo verdadeiro; nenhum nume, referência espiritual. O único ídolo que não descartamos completamente foi a cultura francesa; mas nem precisávamos: quando ela foi pro limbo, nós fomos juntos.

* Todo escravo por natureza, diria Aristóteles (e ele não disse), sofre de senso de dignidade por osmose. A “brasilidade” é como uma ameba. O espírito de lacaio apossou-se da alma tupiniquim e não quer sair nem por exorcismo; o parasita deseja apenas ser alimentado como um balão inflável. Deve ser por isso que Levi Strauss uma vez disse, ao contemplar nosso estado de coisas, que o Brasil estava destinado ao mais violento dos conflitos. Geralmente eu cago e ando para os franceses; mas dessa vez eu levei a sério. 

 

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2 comentários sobre “Pílulas Crônicas 4.0

    • David Spranger

      Amigo Yuri!

      Pois é, falei do Terceiro Capítulo com você, Demétrius e com terceiros. Eu me lembro.

      Agora eu emperrei porque sei que está chegando a descrição de uma batalha campal. Não sei como fazer, por isso vou ter que dar uma averiguada na internet. Não dá simplesmente para dizer que os arqueiros mataram 12 bonecos, os cavaleiros mataram 32 e a infantaria matou 21; não é jogo de tabuleiro.

      Abraço.

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