R.I.P. Brasil

Padrão

RIP Brazil

Aos vermes que primeiro roeram as frias carnes desse cadáver, a indigestão. O Brasil é como carne de porco mal passada e cheia de doenças: quem quer que abocanhe que suporte as consequências. Tudo quanto é brasileiro típico é como um Brás Cubas versão zumbi, que se esqueceu de sua condição fantasmagórica, invisível; vive em estado de doença e de necrose, mas se comporta como se tivesse sido redimido pela Graça ou nascido em Imaculada Conceição. É o fenômeno da esquizofrenia de um sub-ser.

Eu nunca viajei para outro país, mas as entrevistas, palestras e shows de humor do exterior me dão uma dimensão do abismo de diferença que separa um povo culto e civilizado do nosso. Os momentos de frustração e de conflito, inclusive, são equacionados de maneira engenhosa, com presença de espírito. No Brasil, pelo contrário, tudo descamba para o ad hominem, mesmo quando não cabe. Todo debate público passa invariavelmente por três pontos: provar que suas qualidades, principalmente morais, são superiores às do seu opositor, que os problemas dele não se comparam aos seus (muito maiores!) ou, por fim, rebaixá-lo a um nível em que você não se sinta inferiorizado e possa, como um deus, conceder-lhe misericórdia.

Nunca na face da Terra, nem na sociedade dos vermes, um ser vivo chegou a um nível tão baixo, vil e mesquinho do que o brasileiro caricato. Porque todo brasileiro que “mereça esse nome” é uma caricatura. Todo brasileiro que sinta orgulho de sua condição é caricato. Arranja meia dúzia de jargões sobre uma personalidade standard, projeta-os neuroticamente sobre si e se rejubila com os aplausos da plateia, sequiosa de pão e circo. O que antecipa a construção minuciosa de uma personalidade vigorosa e gourmet é o requinte de uma sensibilidade sofisticada, educada pelos altos padrões culturais e morais: o brasileiro típico, pelo lado avesso, é como um animal de circo que faz truques em troca de agrados. É só lhe dar um osso para roer e ele repete sempre as mesmas asneiras que um joão ninguém qualquer, numa “manifestação” qualquer…

Não existe mecanismo nenhum que mova a alma do brasileiro, à exceção da concupiscência. São os baixos instintos os guias da psiquê tupiniquim, não os altos ideais a que toda mente sã deve aspirar. Inveja, cobiça e vaidade são os três principais pontos cardeais de sua natureza desorientada, necessitada de arreios. Enquanto em outros países as pessoas são incentivadas a se desenvolver, considerando-se o bem próprio e  o comum distintos e, não obstantes, indissociáveis, aqui somos educados desde a tenra idade a cobrar “direitos”. Tudo são os “direitos” que não estão sendo respeitados. Se o outro está ganhando dinheiro honestamente, nosso “direito” de ganhar dinheiro não está sendo respeitado. Se o outro prospera, nosso “direito” à realização se vê ameaçado. Se o outro argumenta com acerto, nós temos o “direito’ de pensar diferente.

Não é uma mentalidade formadora, mas deformadora. A educação para a “cidadania” é uma deseducação para a vida!

Com efeito, se a mente é sub-utilizada, o brasileiro “médio”, o “brasileiro-brasileiro”, com orgulho de ser alguma coisa que se presuma verbalmente “brasileira”, se torna uma marionete nas mãos dos “formadores de opinião”. Mas quem são eles? Em geral, estão mais para deformadores de opinião. São piores do que os simples palpiteiros, que vivem de se locupletar de títulos acadêmicos. Os deformadores de opinião, em suma, “formam” sua opinião de acordo a moda do momento. Avaliam sua conduta em função dos aplausos que recebem. São demagogos degenerados, só contando com o prestígio, destituídos de eloquência.

Eu diria que, no Brasil, os cegos guiam os cegos; mas estaria ofendendo os cegos, que nada têm a ver com a miséria daqueles que enxergam. Então eu diria que se parecem mais com burros montados em burros; mas o burro é um animal astuto para o relevante, coisa que o brasileiro não é. O mais apropriado seria chamar o brasileiro de VERME, porque o verme depende de um corpo em decomposição para que possa se alimentar e ser percebido. O brasileiro sabe que sua existência é irrelevante e anseia pisar nos outros, para que, colocando-se acima de alguém, ele ganhe alguma relevância aos próprios olhos e aos alheios.

Mas nem mesmo assim me parece uma associação verdadeira! Na verdade é ofensiva… aos vermes! Na escala biológica, o brasileiro caricato se encontra um degrau abaixo da sanguessuga, do esquistossomo e da ameba. Uma lombriga, se tivesse consciência de seu estado, rejeitaria o alimento; se pudesse compreender que se alimenta de um merda de um brasileiro, um parasita teria ânsia de vômitos imediatamente. O brasileiro caricato faz o inverso. Ele tem consciência de que é parasitário, mas vende a alma e o futuro do país para gozar de prestígio e bens materiais ínfimos e desonestos; desde que pague 10 centavos a menos na conta de luz ou receba um cargo na universidade, o MERDA SUPREMO jamais vai se incomodar com sua própria miséria, sua recusa de compreender e reagir à adversidade como uma pessoa sensata, honesta. O brasileiro é o Anti-Fausto.

Antes mesmo que o Brasil fosse enterrado junto com a cidadania, o brasileiro comum já havia encomendado o caixão e a missa de sétimo dia sem o saber. O brasileiro não sabe o que é ser brasileiro. Se não chega a compreender nem o que vem a ser GENTE, como poderia? De modo que, antes mesmo que o corpo nacional pudesse se deitar no berço esplêndido do féretro da INOCUIDADE, a alma brasileira já havia abandonado o mundo dos vivos. O Brazil não existe aos olhos do mundo. Também pudera: o Brasil nunca existiu sequer aos olhos dos brasileiros, a não ser num passado muito, muito distante.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s