Nêmesis

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Nêmesis

Nêmesis é o nome que damos a uma suposta anã marrom que orbitaria o nosso Sol, descrevendo uma órbita completa há cada 26 milhões de anos. Surgiu como uma hipótese para explicar o curioso intervalo regular de tempo observado pelos cientistas entre a ocorrência de grandes catástrofes relacionadas a quedas de objetos celestes na atmosfera de nosso planeta. Essas quedas todas ocasionaram extinções em massa.

É claro que a especulação não nasceu do nada, como de delírios de um escritor de ficção científica. Além do suspeito padrão temporal, que nos leva a desconfiar de uma órbita regular de um corpo celeste, ocorre que a maioria dos sistemas solares não é constituído por uma única estrela apenas, mas por duas estrelas na realidade.

Se não entende como isso possa ter alguma relação com catástrofes na Terra, faço-me entender. Fora do nosso Sistema Solar há um Cinturão de asteroides. Como a órbita de Nêmesis, por natureza, seria mais longa que a dos outros planetas (duraria milhões de anos), então seria natural supor que ela passasse muito tempo tempo fora de nosso Sistema Solar. Em algum momento, a estrela irmã do Sol passaria pelo Cinturão de asteroides e, exercendo sua força gravitacional, catapultaria muitos deles em direção aos satélites do Sol -ou seja, nós.

É difícil que a teoria saia do papel porque é muito difícil chegar à evidência de que uma estrela assim exista em nosso Sistema Solar. Apesar de ser uma estrela e produzir luz própria, ela não é como o nosso Sol, que podemos enxergar a olho nu mesmo aqui da Terra. Nós só enxergamos outros corpos celestes fora de nosso Sistema (ou mesmo dentro) por causa da luz que incide sobre eles (ou provém deles). E de onde vem essa luz? Aqui, vem do Sol. Em outros sistemas, vem de outros sóis ou objetos que produzem luz própria. Nós só poderíamos chegar a ver Nêmesis, com efeito, quando ela se aproximasse o suficiente do Sol para que a luz deste incidisse sobre sua superfície.

Mas então Inês seria morta. Nêmesis seria como o homem-invisível da Liga da Injustiça do Lex Luthor. Ora, não dá para ver o homem-invisível até que ele faça algo que evidencie a existência de um ser humano em determinado lugar. Ele arremessar um copo fervente de café em cima de nós seria um “bom” indício. Logo, assim que Nêmesis se aproximasse de nosso Sistema, nós notaríamos os efeitos adversos antes mesmo de enxergar o vilão. Os telescópios de nossos astrônomos seriam como a “pele queimada”: nos notificariam da aproximação veloz de asteroides. Quiçá de dezenas ou centenas deles.

O nome “Nêmesis” é muito mais do que apropriado. “Nêmesis” significa “arqui-inimigo”. Ser o “nêmesis” de alguém é como ser o seu adversário mais aguerrido, o seu extremo oposto. Ora, se o Sol é o astro que nos dá vida, seu “nêmesis” seria o astro que nos traz a morte. Ademais, se não me engano, “Nêmesis” é o nome que damos à deusa grega da vingança. Muito conveniente. Como eu disse em outro texto, a vida no universo é muito rara e frágil; até mesmo entre os vivos é difícil de se verificar. Nêmesis seria, portanto, uma resposta da consciência cósmica à displicência com que tratamos um dom que nos foi tão generosamente ofertado?

Faria sentido um Fim do Mundo assim.

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