Buracos Negros

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Buraco Negro

Buracos Negros são como nós que unem o tempo e o espaço num único ponto. São como funis que drenam a matéria e, devido a sua voracidade, “cospem” a energia excedente na forma de destruidores raios beta e raios xis (os famosos quasares). Sua força gravitacional é tão poderosa que é capaz de sugar até mesmo a luz, que possui a maior velocidade do universo; a muito grosso modo, seria como se pudéssemos sugar para dentro de nossa boca um Bugatti Veyron que passasse por nós a 400km/h.

Nem sempre se aceitou a existência dessa excêntrica “coisa”; pois, apesar de cálculos matemáticos de físicos do século XX terem apontado nessa direção, buracos negros permaneciam no domínio do imaginário, da especulação. Apenas recentemente a realidade dos buracos negros foi constatada através de experimentos. A dificuldade se dava por motivo muito simples: como não refletem luz (eles a devoram), não podem, naturalmente, serem vistos. Apenas indiretamente poderíamos chegar a eles. Por exemplo, através da observação de emissões de quasares ou da verificação de um ponto no espaço onde as estrelas de grande magnitude gravitam em torno.

Como nascem os Buracos Negros?

Como nós: das estrelas! Estrelas de grande envergadura, quando chegam a seu limite de “auto-consumo”, implodem e espalham grande quantidade de matéria pelo espaço, num fenômeno conhecido como supernova. Seu núcleo, por seu turno, pode continuar a se devorar, formando um buraco negro, ou pode se solidificar numa estrutura muito densa, formando uma anã branca ou uma estrela de nêutrons. Em qualquer caso, são como bolinhas de gude com peso de Monte Everest.

Somente se for o caso de explosão de uma estrela ultra-massiva haverá ocasião de criação de Buraco Negro.

O que os Buracos Negros têm a ver com viagens no tempo?

Ocorre que o tempo está estritamente relacionado ao espaço -numa relação inversamente proporcional, digamos assim. Quanto mais rápido você se desloca no espaço, menos tempo vai ter se passado… para você. Para os outros, relativamente a você, muito mais tempo terá transcorrido. Se você fosse o The Flash e, digamos assim, terminasse de percorrer o globo terrestre cronometrando 60 segundos no seu relógio, ao chegar ao ponto de partida teriam se passado, sei lá, 60 anos para as demais pessoas. De maneira que, como o Buraco Negro possui uma massa absurda, sua força gravitacional seria igualmente absurda, obrigando os objetos que gravitam em torno dele a se deslocarem em uma velocidade proporcional aos satélites, para evitarem de ser sugados. Quero dizer, para viajar ao futuro, existe a possibilidade teórica de partir com uma nave da Terra, contornar o Buraco negro algumas vezes e, em seguida, retornar ao planeta natal.

Há também outra alternativa. Se existirem os chamados Buracos de Kerr, a força centrífuga (isso mesmo, tipo liquidificador) da gravidade seria suficientemente grande para impedir a formação de uma singularidade, a parte central no Buraco contra a qual a matéria atraída se choca e se desfaz. Desse modo, ao menos teoricamente, a matéria que entrasse no Horizonte de Eventos passaria diretamente pelo “funil” do espaço-tempo. Então o leitor estará se fazendo a seguinte pergunta: “Mas então? O que acontece?” Não sei. Mas sei que, em tese, pode haver um buraco de minhoca; o que quer dizer que, enquanto você pode, por um lado, ser sugado por um Buraco Negro, por outro lado você pode ser catapultado por um Buraco Branco para um lugar mais distante no espaço-tempo.

Se me permitem fazer uma digressão neste ponto, gostaria de relembrar de Zenão de Eleia. Ele era um filósofo pré-socrático, discípulo de Parmênides, que contava um monte de histórias para provar que o movimento não existe (apenas o Ser, estático e indivisível). Contava ele a história de Aquiles e a tartaruga: ainda que o animal saísse à frente do herói numa corrida entre os dois, Aquiles nunca poderia alcançá-lo, uma vez que o espaço é infinitamente divisível. Agora imagine-se num carro e, ao lado, o carro do tempo passando em alta velocidade; se você pudesse acelerar a ponto de fazer coincidir o seu carro com o dele, seria como se você estivesse imóvel em relação ao tempo e vice-versa. Estar lado a lado com o carro do tempo equivale a dizer que a pessoa se encontra num presente contínuo -uma outra palavra para assinalar a eternidade. Legal, não é?

Onde ficam os Buracos Negros?

Por toda parte. Na realidade as pessoas pensam que todo Buraco Negro é um negócio gigantesco, o que não é verdade. Não de todo. Buracos Negros podem ser microscópicos ou colossais. Os maiores dentre eles se encontram no centro das galáxias, são a força que aglutina as estrelas e, como num efeito dominó em espiral, vão compondo a galáxia inteira, um conjunto de sistemas solares. Outros, todavia, ficam vagando pelo espaço intergaláctico e interestelar.

Sim, há Buracos Negros andarilhos. A bem da verdade, que eu saiba nada é “paradão” no universo. O próprio Buraco Negro no centro da galáxia é nômade, tanto que o nosso está em rota de colisão com o Buraco no centro da galáxia Andrômeda.

Podemos ser destruídos por um Buraco Negro?

Sim, em mais de um sentido. As pessoas normalmente pensam que os Buracos Negros são perigosos apenas porque engolem a matéria. Mas o “apenas” é um advérbio muito impreciso e otimista. Se um desses monstros espaciais puder simplesmente influenciar a órbita da Terra, a vida seria destruída, nós morreríamos muito provavelmente. Isso em razão da sintonia fina que permitiu o desenvolvimento de vida por aqui. A vida é muito rara e frágil no universo. Não o fosse, qualquer bar por aqui teria a diversidade de seres que aparecem naquelas cenas em que Han Solo toma um daqueles drinks.

Ademais, os Buracos Negros emitem gigantescas ondas de radiação cuja força seria suficiente para fritar e desintegrar o nosso pequeno globo, caso passassem próximas da Terra. São os quasares a que me referi no início do texto.

Felizmente, para nós, o Buraco Negro mais próximo fica a 3 mil anos-luz do nosso planeta. Quer dizer, ele precisaria de 3 mil anos correndo na velocidade da luz para nos alcançar. A não ser que você seja muito precavido, não vai ser agora que vai precisar de um traje de astronauta e de um projeto de foguete para as férias planejadas longe do sistema solar.

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