Os Ardis do Petê

Padrão

Luciana Genro

Uma mentira é tanto mais mentira quanto mais próxima da verdade ela estiver. E mentira é tudo aquilo que leva ao engano, por ausência de ser ou desordem no mesmo. Quanto mais engano propiciar, mais mentirosa é a coisa. Uma cadeira de três pernas não engana a ninguém; mas pode levar muitos à queda uma cadeira de quatro pernas na qual uma delas esteja quebrada.

Assim, muito embora a Política seja caracterizada pela luta em função do poder, o poder nunca é um valor em si mesmo. Exercer o poder pelo poder é uma arbitrariedade, se a ação está descontextualizada da vida em sociedade. Um bom político, estritamente falando, é um bom retórico. Mas um bom político nunca pode ser unicamente o que é, isto é, se reduzir a um bom político; antes de exercer a política, ele precisa ser um bom cidadão. E, antes de ser um bom cidadão, precisa ser uma boa pessoa. Uma natureza não aparece desvinculada da outra: não se nasce político.

O PT sabe da verdade, mas ama por demais o poder. Todo comunista é assim. O PT é a cadeira de quatro pernas em que todas elas estão quebradas. Pode-se sentar numa cadeira assim? E, afinal, para que serve uma cadeira? Tampouco poderia prestar um político que ambicionasse o poder como um fim em si mesmo, nunca como um meio. A Política é a arte de exercer o poder para fins de bem governar; não pode ser bom político o mau governante, com efeito, ainda que bom retórico.

Em uma de suas propagandas enganadoras, o PT diz que Aécio não pode representar o Brasil porque ofende às mulheres. Mostra vídeos em que o candidato tucano fala grosso com Luciana Genro e Dilma, chamando-as de “levianas”. Ora, “leviano” quer dizer “irresponsável”. Mas a maioria da população não sabe dizer o que significa essa palavra. De modo que, se alguém induz uma grande massa de eleitores, pelo tom e pelo discurso, a interpretar “leviano” como uma ofensa, então está mais do que claro que esse alguém está sendo, efetivamente, um “leviano”. Ademais, para início de conversa, “levianas” foi um qualificativo que um candidato atribuiu a duas pessoas em específico, não a um gênero. Aécio só deu nome aos bois -ou às raposas, para ser mais preciso.

Você contrataria um contador que fosse bom em seu ofício, mas que fosse desonesto? Está claro que não! De maneira semelhante, “roubar mas fazer” não é o slogan adequado para um bom político, apenas para um bom sacripantas. Alguém que passa a perna nos outros para obter a sua confiança pode conseguir muitas coisas de você, exceto a sua confiança. Não acha? Se foi desleal com o outro por amor ao poder, o que o impede de ludibriar o eleitor em nome desse mesmo amor? Primeiro o amor pelo ser humano, depois o amor pelas outras coisas. Não se pode amar primeiro o poder e depois as pessoas. Não se pode amar primeiro a humanidade e depois os humanos. Por isso os “humanistas” costumam ser os piores seres humanos. Ama-se e conhece-se bem apenas quando o fazemos ordenadamente: do simples ao complexo.

Não se deixe confundir pelas artimanhas daqueles que se dizem bons políticos, mas que se revelam o contrário disso ainda mesmo na prática da campanha. Uma boa cadeira é tão melhor cadeira quanto mais corresponder à ideia de cadeira. Não pode ser um bom político aquele que se assemelha mais a uma raposa do que a um homem ou a uma mulher: lembre-se disso no dia das Eleições.

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