Divagações de Outubro

Padrão

Guerra

* É muito fácil o sujeito ser “mais compreensivo” com uma mulher, se ele a está comendo. Foda é você abrir mão de um deleite por honra ou convicção pessoal. Foda é você arriscar tudo num lance só para fazer o que é certo, sem expectativa de lucro posterior. Para fazer uso do outro, mesmo por uma questão de vaidade, nada é empecilho. Contudo, para respeitar a si mesmo e ao outro, é preciso atravessar uma ponte vietnamita algumas vezes. Cada um faz a sua escolha, mas estou certo de qual é a verdadeira. Como eu dizia no mito de Orfeu, o amor possui uma certa autonomia.

* Eu nunca disse pra ninguém, mas a verdade é que eu nasci na Alemanha, em 1940. Aos cinco anos de idade, meu pai, oficial da Gestapo, pediu dispensa a Himmler, alegando que pretendia viver nos EUA. Claro que o bondoso regime nazista foi bastante compreensivo. Naturalizado americano, eu me formei como piloto da aeronáutica e fui convocado pela NASA para a Missão Marte. Na viagem, pegamos um buraco de minhoca e fomos parar no futuro, onde a Terra pós-apocalíptica havia sido dominada por chimpanzés. Quando retornei ao tempo atual, não notei diferença alguma -exceto pela aparência. Achei que seria mais coerente me naturalizar brasileiro.

* Deve ser porque nasci no Dia do Soldado, mas sou de um temperamento belicoso. Como dizia o Capitão Nascimento, “missão dada é missão cumprida”. De modo que, se traço algum objetivo, sou obstinado a ponto de atravessar campo minado, arame farpado, divisão de infantaria pesada, sniper e o caralho a quatro. Hesitação é deserção, não há dúvida. Se há rearranjo de parâmetros, bala no tímpano de meia dúzia e segue em frente. Guerra é assim mesmo.

* Tenho ímpeto de conquista, tanto pela característica feminina quanto pela masculina. Conquistar para alguns é um meio, mas para mim é um fim também. Sem falar que existe sempre aquela necessidade de subjugar. É natural do ser humano certa dose de vaidade nas relações, desde que não ultrapasse os limites éticos. Não obstante, existe uma grande diferença entre ser um competidor e entre ser um jogador nato. Embora haja certa similaridade entre o jogo de azar e o esporte, neste último você não precisa contar com a sorte, senão naquilo que é da vida. No esporte, perder ou ganhar não fazem tanta diferença; no jogo de azar, pelo contrário, ganhar é mais do que ganhar e vice-versa. A gente tem meio que uma compreensão intuitiva disso, mesmo quando faz merda.

* Deve ser por isso que adoro Rush, No Limite da Emoção. Já pensou como seria estar na pele de Nick Lauda, no hospital, longe da corrida que decidiria o título? Deve ser frustrante. Podia ser esporte, mas se transforma em jogo de azar: você torce pra bolinha não cair no número errado. O que deve dar um pouco de alívio é o cara estar na frente do segundo colocado por alguns pontos. É injusto, mas a vida é assim.

* A questão relacionada à caça é a seguinte: você tem que ter foco e concentração. Tem que saber os hot spots. Se não puder estar em posição superior, tem que pensar muito mais. Normalmente a gente caça animais ligeiros e ariscos. Então a gente fixa a mira e prende a respiração algumas vezes, para criar foco. Só então vai a bala. Adoro a sensação de jogar Sniper Elite, mas nunca fui fã de coisas como Medal of Honor.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s