Top 5 – Animes Cyberpunk que me Impressionaram

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Cyberpunk

É bom deixar de sobreaviso que estou apenas descrevendo, não necessariamente ratificando tudo aquilo que se pode depreender de cada um dos animes a seguir. Serviram-me de algum modo, mas nem por isso eu digo que sigo a “filosofia” disso ou daquilo. Mesmo porque os animes mais complexos não trazem “filosofias”, mas retratos e recortes da realidade. Evidente que não me refiro a todas as obras, uma vez que algumas servem para consumo e outras para a reflexão.

1. Ergo Proxy – esta obra-prima da Manglobe se passa dentro de um contexto misto entre mundo cyberpunk e pós-apocalíptico, mas não tem nada de estereótipos. Não há exatamente uma luta pela sobrevivência, já que a cidade tecnológica de Romdo, separada por um domo do mundo desolado, é segura e generosa para com aqueles que se portam como bons cidadãos. E é exatamente esse o problema. Numa espécie de previsão arquissinistra de futuro, Ergo Proxy busca retratar os conflitos inerentes a uma sociedade altamente organizada, onde cada aspecto da vida do indivíduo deve estar atrelado às necessidades da coletividade (para se ter uma ideia, humanos nascem em úteros artificiais e têm números de série). Ocorre que é fora da realidade asséptica e artificial do domo que os personagens têm que se defrontar, fascinados, com si mesmos. Quem somos nós verdadeiramente? Qual é a nossa raison d’être? Embarcamos numa jornada interior dentro desse thriller psicológico repleto de elementos de filosofia, onde os protagonistas são deuses, eles mesmos, o eu em suas projeções ou… nós! Talvez de tudo um pouco. Detalhe instigante: “Ergo” significa “eu” em latim, uma língua morta, e “Proxy” é, em linguagem cibernética, o nome usado para identificar um servidor substituto.

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2. Ghost in the Shell – “Fantasma na Casca” é basicamente um anime que tem como temática explorar a ideia de que a consciência independe do cérebro -ou de qualquer outro tipo de engrenagem, própria ou alheia. Assim sendo, e dentro de um mundo onde a percepção de realidade se fragmenta (o frenético futuro), não haveria verdadeira diferenciação entre a inteligência humana e a inteligência artificial ultra-desenvolvida. Como em qualquer obra egressa do gênero cyberpunk, é um mundo em que até os humanos obedecem a programações de que estão pouco conscientes. No entanto, não é exagero dizer que o foco mesmo do anime é a espiritualidade: em meio a um mundo de intrigas governamentais e corporativas, o que há de mais forte é o desejo de escape, de individuação desalienante, de fusão a uma realidade que transcenda o fluxo caótico de acontecimentos do mundo “hardware” onde somos reduzidos a peças de encaixe. Qual seja? O amor. O desejo de ser reconhecido como um ser vivente. Ao fim e ao cabo, por ironia, o que permanece são as realidades virtuais.

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3. Akira – caso o leitor não conheça o aclamado anime a que me refiro, é provável que seja novato ou não tenha o menor interesse em cultura japonesa. Está longe de ser sofisticado como as duas obras que analisei há pouco, mas Akira é um marco no gênero. O mainstream do mainstream. O padrão dos padrões. Está tudo lá: jovens desajustados com brinquedinhos tecnológicos e megacorporações ultra-poderosas e maléficas. Não há nada de muito profundo em Akira, mas a trama é alucinante, bem amarrada, coesa, agradável e o aspecto técnico do desenho é sensacional. O que há de mais? Bom, corridas com motos maneiras, armas fodas, trilha sonora impactante, telecinese poderosa, explosões e um desenho feito a mão com uma porrada de quadros por segundo. Tecnicamente é impecável, supimpa. No que diz respeito ao conteúdo e à estrutura, não tem nada de impressionante. Se você não abre mão de uma experiência enriquecedora, vá ler um livro do Dostoiévski; mas se você curte ficção científica e ama dar uma relaxada descompromissada de vez em quando, assista a Akira e não vai se arrepender.

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4. Parasite Dolls – vale a pena apesar de não ser nenhuma obra-prima. Thriller policial muito manjado, uma espécie de Blade Runner japonês que fala sobre os Boomers, uma espécie de androide nipônico. Tem como pano de fundo uma reflexão existencial muito meia-boca a respeito de a humanidade ser muito mais do que uma questão de alguém ser feito de carne e osso. Também fala sobre intrigas corporativas, corrupção policial, devassidão das elites e tudo mais com que estamos acostumados em obras do gênero. O enredo é tão arrastado que eles meio que forçam a barra e incluem um interesse amoroso entre a policial Michaelson e outro agente da Branch. Impressiona sobretudo pelo aspecto sociológico, já que fica muito evidente que assombra a cultura japonesa a questão da tecnologia e da instrumentalização do humano, num contexto de hedonismo e massificação. É um OVA dividido em 3 episódios que faz alusão ao universo cyberpunk de Bubblegum Crisis. Vale a pena se você é muito fã do gênero policial e se você curte muito a técnica japonesa de desenhar, porque a qualidade gráfica do anime, apesar e em razão mesmo da falta de recursos, é um deleite para os olhos de tamanho primor.

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5. Genocyber – não é nenhuma obra de arte… na verdade é uma porcaria ultra-sofisticada. Mas, como o compromisso aqui é apresentar um panorama de animes que me impressionaram e, naturalmente, me influenciaram de algum modo, eis Genocyber. O autor dessa coisa deve ser sádico em alto grau, porque não é possível… O roteiro é pífio. A trama parece uma desculpa esfarrapada para que, a certa altura, entre em cena um festival de mutilações, gore para todo o lado. Os desenhos variam de qualidade e normalmente são mais complexos e bem feitos quando a intenção é mostrar desmembramentos, decapitações e eviscerações. Todo mundo tem um pouco desse lado. Não o tivesse, as salas de cinema não lotariam para que as pessoas assistissem a filmes como Sexta-Feira Treze ou Massacre da Serra-Elétrica. Se você tiver estômago forte e curtir filmes trash de terror como eu, então vai ter um prato cheio nas mãos. Se seu intento é levar a namorada para ver um filme na sua casa, enquanto comem macarronada e bebem vinho, recomendo que procure por qualquer outra coisa que não Genocyber -acredite em mim.

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