A Alemanha e a Segunda Guerra Mundial

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Adolf Hitler

Sempre fui fascinado por tudo o que diga respeito a guerras e batalhas. Para se ter uma ideia de minha predileção, outro dia eu fiquei o dia inteiro assistindo a um documentário do History Channel sobre as duas Grandes Guerras do século XX; se acha que exagero no exagero, saiba que o programa durou das cinco da tarde até as zero hora do dia seguinte. Embora eu nunca tenha sido simpático ao nazismo (é bom deixar o registro), duas questões me perturbavam no que concerne a esse período controverso da história: como os nazistas conseguiram perder a guerra e como teria sido o mundo se tivesse sido transformado num gigantesco Terceiro Reich?

Evidente que não posso me emprestar ares de cientista e querer demonstrar, por A + B, que teria sido assim ou assado; não sou historiador e tampouco estrategista militar. Mas sou um interessado no assunto e tenho um cérebro suficientemente desenvolvido para pensar em algo além de coleções de guerra ou fetiches por explosões à moda Michael Bay. Como dizem os próprios historiadores, e com razão, entender o passado é condição sine qua non para a compreensão do presente -e, eu acrescentaria, também para o planejamento do futuro.

Quando foi que Hitler começou a perder a guerra?

Luftwaffe

Quando subestimou o poder de reação da Inglaterra. Para mim Hitler foi genial ao se esquivar da marinha britânica, a melhor da época, desistindo assim de tentar um desembarque de tropas nazistas em solo inglês, provavelmente saindo de Pas de Gales ou da Normandia. Em vez de empreender um plano quase suicida por via marítima, o führer optou por enviar a sua poderosa Luftwaffe contra os ingleses. Por debitá-los e negociar. A Força Aérea Alemã foi tão devastadora e precisa que aniquilou praticamente 60% da capital inglesa em suas primeiras incursões.

O plano parecia bom da perspectiva política. E em parte coerente com as ideias raciais dos nazistas. Hitler em verdade nunca quis varrer do mapa ou subjugar completamente o povo anglo-saxão; ao contrário da estima baixa que tinha por outras etnias, o alemão considerava os ingleses irmãos em sangue. Talvez almejasse tratá-los quase em par de igualdade com os germânicos -isto é, desde que se subordinassem à supremacia alemã. Com efeito, o devastador ataque dos bombardeiros tinha o propósito bem localizado de instilar o terror entre os cidadãos londrinos, a fim de pressionar politicamente o Primeiro Ministro inglês à capitulação. Cederia por pressão popular. Acontece que o todo-poderoso da ilha não era mais o chiuhauha Chamberlein, com o qual Adolf estava acostumado a lidar, mas o buldogue Churchill.

A expectativa dos nazistas era pela rendição por via política -mas ela não veio. Eis o calcanhar de Aquiles: o tempo e a resistência bem articulada. Apesar dos ataques incessantes e da aniquilação iminente de Londres, é preciso lembrar que não havia tropas alemãs de ocupação do território inglês. Havia escombros e havia baixas civis, mas as Forças Armadas e os líderes políticos da Inglaterra continuavam de pé. De modo que eles podiam trabalhar com relativa paciência numa contraofensiva inteligente, provavelmente refugiados em bunkers. E foi o que fizeram. Em poucos meses, finalizaram a construção de uma grande quantidade de caças ágeis e leves, ideais para surpreender a pesada Luftwaffe. Foi um movimento arriscado, mas bem sucedido: expulsaram os aviões germânicos com o rabo entre as pernas.

Dois erros cruciais

Hitler planejando

Mas não foi o revés inglês o que afetou decisivamente a campanha nazista na Segunda Guerra. Penso que foram sobretudo a prepotência e o idealismo germânico, traduzidos em duas decisões equivocadas do führer. Hitler pensava, a certa altura de suas vitoriosas incursões sobre a Europa, que o exército alemão era invencível e que o mundo estava predestinado ao Terceiro Reich. As consequências de seus delírios megalômanos foram sentidas mormente em paragens eslavas; na iminência de conquistar Moscou e sobrepujar a Rússia comunista, as tropas nazistas sofreram com o flagelo do inverno russo e, vulneráveis, tornaram-se alvo fácil do exército vermelho. Acuados pela neve assassina, os nazistas talvez tivessem chances futuras de vitória, se aceitassem a derrota e recuassem estrategicamente. Mas Hitler não enxergava mais com clareza. Ordenou que avançassem até Stalingrado. Eles assim o fizeram. E sucumbiram.

Do outro lado do mundo, no Oceano Pacífico, o Japão travava uma guerra particular com os americanos para expandir seus exíguos domínios. As pessoas normalmente pensam que guerras são caprichos de governantes inescrupulosos, mas não é tão simples assim; embora erradas, as “guerras ofensivas” são em geral motivadas pela escassez de recursos naturais indispensáveis. Por cobiça então, diriam os apressados. Mais ou menos. Mais menos do que mais. Explico. Ocorre que o Japão era dependente do petróleo que importava dos EUA, um recurso de suma importância para a sobrevivência de uma nação naquela época (e ainda hoje). Se quisessem vencer qualquer guerra contra o Japão, os EUA precisavam apenas cortar o suprimento de combustível à Terra do Sol Nascente. Cientes de sua dependência, os japoneses queriam garantir terras de onde pudessem extrair carvão e petróleo. Nas redondezas, havia ilhas que lhes garantiriam isso. Mas a maior parte delas, vejam só, eram propriedade dos americanos.

Hitler, embora aliado dos japoneses, poderia (e deveria) se abster desse conflito; contudo, decidiu declarar guerra também aos americanos, de cujas terras ele pretendia se apossar num futuro hipotético. Um prejuízo incalculável para os nazistas. Se estava difícil segurar a Rússia de um lado e derrotar os aliados no front oposto, a tarefa se tornaria quase um milagre se os EUA, maior potência militar e econômica do mundo, tomasse partido da Inglaterra no conflito que até então estava restrito aos europeus.

A questão dos judeus

 

Judeus 3

A participação dos judeus na Segunda Guerra nunca foi tão passiva quanto se pensa. É claro, houve o holocausto, que foi acima de tudo injustificável e desumano. Mas o antissemitismo nunca nasceu gratuitamente, como se pudéssemos odiar alguém apenas em função de teorias raciais e eugênicas esdrúxulas.

Para início de conversa, os banqueiros judeus sempre foram ativos na articulação de guerras. Napoleão, como grande estrategista militar, já dizia que uma guerra se vence com dinheiro, e disso gente inescrupulosa e endinheirada bem o sabia. Países em guerra precisam financiar tropas e armas, o que não sai muito barato. Cada um dos lados do conflito requer aporte financeiro, que pode ser assegurado por empréstimos bancários -a juros extorsivos, é claro. Para quem só preza a conta bancária, guerra sempre foi sinônimo de ótimo negócio.

Em segundo lugar, em se tratando de uma comunidade reclusa e dedicada à atividade comercial, era natural que, mesmo em tempos de crise, os judeus vivessem em relativa prosperidade. Esse contraste existente entre o padrão de vida judaico e as condições gerais de vida do povo alemão, que definhava em razão das inúmeras sanções impostas à Alemanha pelos Aliados, seria logo motivo de rancor (maior) para este último.

Para finalizar, o ódio germânico se daria porque os banqueiros judeus seriam os grandes responsáveis pelo sucateamento econômico da europa e, inclusive, pela deflagração da Revolução Russa. Relação simples de explicar. Os alemães nacionalistas eram contrários ao comunismo no tocante à sua ojeriza pela identidade nacional. E também não nutriam simpatias pelo capitalismo “judeu”, porque ele transformava o mundo num grande cassino controlado pela banca sionista, espoliadora dos recursos. Mas o que o capitalismo “judeu” tem a ver com o marxismo russo? É curioso pensar que os banqueiros judeus tenham financiado a ascensão bolchevique, já que aparentemente não faz sentido; mas, se uma economia planificada está condenada à falência por si só, o monopólio econômico e a hegemonia a longo prazo ficam a cargo dos financiadores do regime; o comunismo quebra (como quebrou), mas a maior parte dos recursos nacionais termina arrendado aos banqueiros, inclusive por força do pagamento de empréstimos e juros. Entende a jogada?

Não estou dizendo que todo judeu tenha ambição desmedida, ganância e falta de escrúpulos. Essas são características humanas, que independem de sua origem étnica. Entretanto, os nazistas enxergavam antes a raça do que o ser humano. De modo que, se a raça germânica estava destinada à glória messiânica, o povo judeu, pelas circunstâncias acima aventadas (e outras), foi relegado ao lado oposto da moeda -ou seja, era a mácula genética a degenerar o mundo. Para os nazistas, os judeus eram os supremos inimigos da humanidade.

Conclusão

Stalingrado - Segunda Guerra

A Alemanha perdeu a guerra em razão de três erros pontuais, as três únicas brechas que Hitler não poderia ter dado aos adversários:

1. o idealismo: acreditar religiosamente que os alemães estavam destinados a governar o mundo, porque teriam uma genética superior. Isso faz com que o sujeito tome posições impensadas e temerárias. De fato, o povo alemão se destacou ao longo dos últimos séculos por estar voltado às coisas do espírito, mas é superstição crer que tal característica se deva exclusivamente à sua condição biológica, conforme acreditava Fichte. É preciso lembrar que, em tempos idos, os povos germânicos eram bárbaros em relação à maioria dos povos europeus. Se um povo se distingue pela superioridade cultural, podemos dizer que ele vive num ambiente propício para tanto; crer que sua distinção se relaciona com sua etnia, com laivos de messianismo, é de um provincianismo bisonho e muito semelhante, por ironia, à percepção que os judeus têm de si mesmos.

2. subestimar: nunca se deve subestimar um adversário de valor, durante a guerra. Por mais que ele se revele debilitado ou dê claros sinais de estar subjugado ou indiferente ao conflito, deve-se estar ciente que, desde o início, o ataque perpetrado contra ele foi planejado com cautela. E por quê? Por se conhecer o poder do oponente, inclusive o de reação. Hitler negligenciou o front inglês e menosprezou o poder de interferência dos norte-americanos. Dois equívocos cruciais.

3. desprezar o inverno russo: para mim o principal erro. Foram milhões de baixas no front Oriental, na luta contra o Exército Vermelho de Stálin. Os alemães estavam levando vantagem e quase conseguiram conquistar Moscou e vencer a URSS. Mas o rigoroso inverno russo chegou e se mostrou uma arma de guerra muito mais eficaz que a artilharia soviética. Se Hitler tivesse ordenado o recuo das tropas, talvez os nazistas tivessem até vencido a Segunda Guerra Mundial. Mas, pelo contrário, ele abriu mão de muitas tropas, às quais enviou em missões praticamente suicidas para invadir Stalingrado -e por puro capricho.

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