Tudo o que você sempre quis saber sobre a “Real” e ninguém nunca lhe contou

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De uns tempos para cá, venho percebendo um interesse crescente sobre o tema. Antigamente não era assim. Anos atrás, nós nos reuníamos em grupos pequenos para tratar daquilo que considerávamos benéfico para o nosso “desenvolvimento pessoal”, termo que vem sendo erroneamente interpretado por alguns. Aliás, muitos dos chavões do famigerado “movimento masculinista” (ou da “Real”, como alguns preferem dizer) tem tido sua real significação distorcida, segundo inclinações ideológicas ou leituras equivocadas (ou insuficientes). Muito embora eu não frequente comunidades “masculinistas” há algum tempo, vou tentar mapear e responder às diferentes dúvidas que as pessoas porventura possam ter a propósito do que realmente foi isso que chamam hoje de “masculinismo”, na sua “versão original”.

Vamos simular um interlocutor curioso e conduzir a conversa.

1. O que vem a ser o masculinismo?

Primeiro é preciso deixar bem claro: o movimento nunca teve um nome propriamente dito. Nós começamos a nos reunir por acaso, predominantemente no Orkut antes de o assunto ganhar os blogs e os sites; todos perplexos porque muitos de nós éramos chutados das relações ou simplesmente preteridos por sujeitos que considerávamos desprezíveis, muito embora correspondêssemos ipsis literis ao ideal de homem que as mulheres descreviam: românticos, dedicados, carinhosos, amigos etc. Nosso objetivo era modesto: queríamos descobrir o que havia de errado, para tentar reverter a situação logo em seguida. Não sei dizer como o movimento, que brotou de maneira espontânea, acabou sendo denominado de “masculinista”; talvez por causa dos nomes dos sites e dos blogs que pululavam à época.

2. Mas o masculinismo seria uma espécie de “feminismo às avessas” ou de “antifeminismo”?

Nem uma coisa nem outra! Com o desenvolvimento de nossos raciocínios, de nossas pesquisas, era natural que esbarrássemos em questões como o feminismo. Mas eu lhe digo que ele nunca foi o foco, o alvo de nossas discussões (pra você ter uma ideia, não me lembro do Nessaham Alita fazer uma única menção ao feminismo). O que nos interessava sobremaneira, no que diz respeito aos “ismos”, era descobrir como as ideias ou ideologias interferiam negativamente nas relações entre mulheres e homens. Não por academicismo, mas porque desejávamos sanar um problema prático, um problema que existia, estabelecendo um plano de ação. É importante enfatizar que não o fazíamos por mero diletantismo; nosso desejo era estabelecer uma relação próspera e não entendíamos por que não dava certo (já que levávamos 10 em todas as matérias).

3. Chegaram a alguma conclusão?

Nosso mentor, o Nessaham Alita, gostava de dizer que suas ideias não eram à prova de erros; ele falava sobre as experiências que teve e, portanto, não podia assegurar que suas interpretações e soluções fossem aplicáveis a toda a realidade.  O que quero dizer com isso? Quero dizer que o masculinismo, pelo menos da perspectiva de seu único teórico, nasceu anti-dogmático. É claro que convergíamos em alguns pontos, mas o principal a ter em mente era o seguinte: se uma ideia não pode ser aplicada na prática, não serve. De modo que só podíamos chegar a conclusões parciais, que talvez se confirmassem com o tempo ou talvez não. O importante para nós era decodificar a realidade, sair do senso comum, a fim de enxergarmos as situações com clareza. Porque só assim podíamos ter o que queríamos.

4. E quais foram essas conclusões a que chegaram?

A mais sólida de todas foi a certeza de que homens e mulheres têm, cada qual, uma natureza própria. Ela não é boa nem má. Ela não pode ser questionada e nem, consequentemente, “superada”. Nós focávamos na personalidade feminina, mais especificamente no seu “lado obscuro”, porque queríamos contornar as dificuldades que nos impediam de estabelecer uma relação estável. Claro que respeitar nossa natureza masculina tinha um papel fundamental nesse contexto. Por exemplo, era preciso desconstruir a falsa noção de que o amor erótico é espiritual e de que as mulheres são anjos de candura. Para nós, românticos, era urgente superar esses preconceitos, porque essas pseudo-certezas não combinavam com aquilo que a gente observava na prática: constatávamos que havia uma “padronização feminoide” na dinâmica entre os sexos, coisa que só dificultava, em diversos níveis, nossas relações. Um exemplo simples: se havia uma briga entre um casal, o homem sempre pensava que ele tinha errado em algo e que tinha que mudar, já que a mulher tinha sempre o monopólio das “boas intenções”; nós passamos a questionar esse paradigma.

5. Quer dizer que vocês constataram que o problema era o “feminino”? Então foi por isso que, da perspectiva de vocês, as mulheres desceram da categoria de anjos à condição de demônios?

Mas como posso estar dizendo que o feminino é o obstáculo se é precisamente ele o prêmio a que ansiamos? A alternativa ao anjo não é o demônio: é o ser humano. O ser humano tem limitações que precisam ser respeitadas, e nós apenas reconhecemos que as mulheres são seres humanos também. Para o bem… e para o mal.

6. Ok. Mas dizem que vocês são frios com as mulheres. Que ensinam o homem a viver independente de uma mulher…

“Vocês” é muita gente, haha… Na verdade, um casal é um casal porque não é irmão siamês, não é verdade? Acreditamos apenas que uma pessoa com luz própria é mais sedutora e mais fácil de se relacionar e conviver, em certo sentido. Por isso nossa ênfase no “desenvolvimento pessoal”. Ganhar dinheiro não é crime. Ter um belo corpo não é crime. Tampouco formação intelectual sólida. Um homem íntegro, que explora o máximo de suas potencialidades, tem mais chances de fazer uma mulher e uma família felizes. Para aqueles que dizem que somos todos misóginos: vocês sabiam que muitos de nós acreditam que é direito da mulher exigir de um homem que tenha um belo corpo? Que é direito da mulher solicitar prazer? Que a mulher pode (e deve) escolher um parceiro por sua capacidade de alcançar sucesso (e vice-versa)? A tecla em que batemos é a do individualismo, mas as pessoas frequentemente confundem isso com egoísmo -sobretudo no Brasil. Cuidar de si mesmo não impede que o homem seja generoso com sua mulher ou vice-versa, ou seja, que ambos se auxiliem mutuamente em função do sucesso pessoal, familiar e profissional.

7. Mas por que vocês dizem que os homens devem treinar a indiferença em relação às mulheres?

Rs, não é bem assim… Na verdade, reconhecemos que a mulher é insegura e confusa por sua própria natureza; é uma criatura que precisa de auto-afirmação. O homem, pelo contrário, é decidido e objetivo. Em vez de sufocar  a natureza (porque o mundo está se feminilizando), os homens devem trabalhar suas qualidades inatas, justamente porque são complementares às lacunas femininas. Mas, não: os homens modernos querem ser “amigos” das mulheres, compreender o seu “âmago”, “ouvir” as suas dores… Veja você: conheço meninas bonitas que têm trezentos amigos cada, babando a cada foto que a amada posta. Você realmente acha que eles querem ser apenas amigos dela? Cada um deles vive na esperança vã de que ela vai reconhecê-lo como sua “alma gêmea”, se ele for “sensível”. No entanto, elas fingem que não enxergam o interesse e o sentimento deles, porque as mulheres têm necessidade de alimentar a auto-estima (talvez porque estejam em competição entre si 24 horas por dia). Fazer isso de propósito é mau caratismo, mas eu acredito sinceramente que as mulheres repetem esse procedimento  na inocência, de maneira subconsciente. Pois bem: nós acreditamos que as ilusões não colaboram em nada para o desenvolvimento pessoal. Nada de jogos emocionais é uma exigência que fazemos A NÓS MESMOS. Se uma mulher de nossa preferência não está disposta a retribuir nosso afeto do jeito que nós queremos (ou se a competição é grande), então não há razão sequer para tentar; a vida é curta, o mundo é grande e há muitas mulheres por aí.

8. Então vocês querem que todo homem seja um cafajeste?

Errado de novo! Um fenômeno interessante de nosso tempo é ver um monte de cara romântico, fiel e babão sendo preterido por cafajestes sem escrúpulos. Apesar do discurso feminino. Por quê? Porque o ser humano não gosta de gente fraca, dependente. Se é verdade com todos, muito mais o seria da perspectiva de uma mulher. No entanto, ao se deparar com uma situação assim, o romântico tinha apenas duas alternativas há bem pouco tempo: ou se tornava cafajeste ou saía culpando Deus e o mundo por seu infortúnio. Mas ele se esquecia de uma terceira via, esquecia-se de reconhecer que ele tem seu próprio valor e que pode trabalhar para ter sucesso. Em vez da choradeira, o melhor seria identificar, no adversário que levou a melhor, as qualidades que fizeram com que a mulher optasse por ele. Não se trata de emular o comportamento cafajeste, mas de utilizar as ferramentas que eram negligenciadas. Você pode continuar sendo um romântico, mas não precisa se alhear da realidade a ponto de ignorar toda chance que sua experiência lhe dá para se aperfeiçoar.

9. Vocês são contra o casamento?

De novo o termo “vocês”, generalizando… O casamento, como sabemos, é uma instituição em crise. De modo que há uma diversidade de opiniões pró e contra. EU não sou contra o casamento, muito pelo contrário, mas normalmente os masculinistas o enxergam com desconfiança. A verdade é que o casamento moderno está fadado ao fracasso porque os cônjuges buscam tirar máximo proveito um do outro; não mais se veem como parceiros. Eu não quero dizer que os parceiros não devam agradar um ao outro, mas simplesmente que o matrimônio se vulgarizou, arrefecendo, como é natural, a necessidade de se comprometer com algo maior. Sem necessidade de se comprometer com uma vida em comum, o vínculo se estabelece na rasura. Hoje em dia o sujeito se casa porque pensa que vai transar todo dia (aos 15 anos, era assim que eu era um entusiasta do casamento); então se passa algum tempo e o casal se separa, porque o ideal de vida de um era viver num eterno filme pornô. Hoje em dia a menina se casa porque sempre quis entrar na igreja de véu e grinalda. Então… ela percebe que o casamento não é apenas o dia da cerimônia, mas também os dias de briga e de trocar fralda. Eu sou a favor do casamento, mas desde que ele seja de verdade, e não apenas uma cerimônia para celebrar paixões mundanas.

10. Vocês acham que o homem deve ser no estilo tradicional ou no moderno?

Veja, acreditamos que o homem passa muito tempo tentando conquistar uma mulher, enquanto poderia empregá-lo melhor tentando conquistar a si mesmo. O homem tem que estar preparado para ser um bom pai e um bom marido; para tanto, importa se tornar um homem desenvolvido, não um moleque hipertrofiado. A partir do momento em que ele adquire uma personalidade vigorosa e bem estruturada, não vai ser necessário fazer muito esforço: as mulheres vão se sentir naturalmente atraídas. Perceba você que, antigamente, o homem já tinha experiência e uma vida consolidada quando se decidia por se casar, normalmente com uma mulher bem mais jovem. Hoje em dia o sujeito quer imitar o comportamento feminino, fracassa (sempre vai fracassar) e depois fica com raiva de quem consegue prosperar. Vivemos numa época em que a inveja e o desprezo pelo passado se tornaram estilo de vida, e não pode ser assim.

11. É verdade que vocês defendem a promiscuidade? E que o homem não deve se casar com mulher “rodada” ou mãe solteira?

A posição consensual de comunidades masculinistas vai bem mesmo ao encontro disso que você está dizendo. Acredita-se que uma mulher rodada só procura o casamento porque ela quer ser sustentada por um homem a partir do momento em que ninguém a deseja mais. A mãe solteira desejaria um homem para casar não porque ama seu parceiro, mas porque ela carrega um “ônus” que quer repartir. Faz sentido, mas eu acho que são generalizações reducionistas. Nem sempre dá para rotular alguém somente tomando como base seu comportamento exterior. Muitas vezes uma menina que frequenta a igreja pode se tornar uma péssima companhia, o inverso ocorrendo com uma mulher “rodada”, marcada pela experiência e pelo arrependimento. Você precisa viver a situação para poder mensurar, porque as pessoas são complexas e únicas na vida real; na base da teoria, pelo contrário, todo mundo é mais ou menos igual e “encaixável”. É a armadilha do idealismo.

12. Acha que o masculinismo vai prosperar?

Não. Quando eu frequentava comunidades masculinistas, a partir de certo tempo elas começaram a ser invadidas por garotos adolescentes, todos raivosos porque não conseguiam namoradas ou estabilidade na relação. Eles achavam que a gente ensinava a “pegar mulher”, como nas comunidades PUA, mas logo descobriam que não era bem assim. O problema da juventude é que você tem uma tendência natural a ser impaciente e não está preparado para lidar com certas situações da vida; quando há fusão desses predicados, a tendência é responsabilizar os outros ou ficar desiludido, com raiva do mundo. O sujeito ama uma mulher e idealiza uma relação, mas não está preparado para não ser correspondido ou para enfrentar turbulências no convívio a dois. Sonhar é bom, mas é preciso ter em mente que o mundo não existe para realizar seus sonhos; se você quer prosperar, precisa lutar para dar certo. Hoje em dia essas comunidades são praticamente dominadas por esses caras, o que significa que eles ficam eternamente girando em volta de seu próprio rabo.

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