Exu Caveira nas Missas de Domingo

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Ao longo de minha trajetória de católico, poucas vezes eu vi um espírito santo tão exótico quanto o que frequenta as missas de domingo. Assim, com minúsculas mesmo. Porque não pode querer se passar pela Terceira Pessoa uma entidade que parece ter saído diretamente de um terreiro.

Em tese, um espírito que fosse santo não teria razões para se esconder. No entanto, passada a soleira da igreja para o mundo, ele fica tímido. Tão tímido que desaparece. Dentro da igreja, toda aquela irreverência e entusiasmo, todo aquele gosto pelo vinho, pelo pão e pela música. Fora de solo sagrado, não tem capacidade nem de ceder o lugar para um idoso, dentro do ônibus.

Um verdadeiro Dionísio. Por isso é que fazem (e fazemos) pouco caso de nosso “espírito” de domingo. Embora afirmemos sua diferença, ele se parece exatamente com uma daquelas entidades pagãs que “baixam” no sujeito de repente, como aquele espírito que “abduz” os pentecostais. O “espírito” de domingo não convence, porque não somos nós que estamos lá; são a rotina, o tédio e o medo que arrastam uma sombra de nós à nave divina, como uma espécie de encosto.

Na verdade, eu prefiro muito mais o Tranca-Rua, o Zé Pilinta e a Pomba-Gira dos macumbeiros. Porque eles são mais reais. Mais leais. Recebem uma porção de farofa e frango e ainda fazem um “trabalho”. O que nosso “espírito” de domingo faz? Recebe o corpo e o sangue de Cristo e não faz porra nenhuma. O espírito dos macumbeiros, apesar de “desorientado”, ao menos honra aos homens; o “espírito” de domingo, apesar da pose, fica longe de honrar a Deus.

Das poucas vezes em que eu vi o que parecia um espírito honrando a Deus, mormente o vi entre os protestantes. Eu já vi pastor levar porrada de tudo quanto é lado por criticar político defensor do aborto. E vejo os protestantes serem pisados por se oporem frontalmente ao homossexualismo. Será que esse espírito deles é santo? Não sei. Só sei que o Espírito Santo não tira o corpo, quando vem a cruz e a chibata.

Entretanto, ninguém tira o corpo fora quando chega a hora da eucaristia; parece o convidado que só chega na hora da recepção, depois do “martírio” matrimonial. Sei que não posso julgar ninguém. Comungo pouco e, como cristão, faço ainda menos. Eu só posso julgar a mim mesmo. Por isso, tendo visto tudo o que vi, tomo cuidado com o preço barato do sagrado; em tempos de pirataria, pode ser que eu leve o Exu Caveira, em vez daquilo que foi desejado. E não dá para reclamar com o PROCON.

***

OBS: está completamente enganado quem acredita que eu esteja detonando o catolicismo. Justamente por ser católico, eu tenho obrigação de ser crítico e desmascarar a mistificação (ingênua ou não). Portanto, não venha encher o meu saco se você não entende o que eu falo; procure se instruir antes de emitir opinião.

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