“E Deus Criou o Mundo!” – Diz a Ciência

Padrão

O astronauta de Palenque. Artefato do mundo inca.

Os céticos em geral têm muita dificuldade para assimilar os prodígios relatados no Antigo Testamento porque estão muito acostumados a pensar em linha reta, segundo seus princípios totalitários. Felizmente, o saber não comporta uma única via metodológica, mas implica várias e, muitas vezes, força o entrelaçamento entre elas. Como compreender, por exemplo, as narrativas da tradição judaica apenas do ponto de vista da Física e da Biologia? Se não houver um feedback, ainda que mínimo, da Antropologia e da História, corre-se o risco de alcançar conclusões precipitadas e, não raro, maliciosas. Não me admira que os grandes pensadores de nosso tempo e de tempos pregressos tenham sido racionalistas ecléticos e respeitadores da tradição de seu povo; os filósofos gregos, para citar um exemplo muito conhecido, nunca criaram controvérsias a respeito da mitologia grega.

Sempre que falo sobre isso, lembro-me de uma emblemática parábola hindu, que supostamente serviria para comprovar a relatividade da existência. Relatava a hipótese de ser a vida, e o conhecimento que temos sobre a mesma, semelhante ao tatear de vários cegos sobre um elefante; cada qual chegaria a uma conclusão distinta em relação à natureza do paquiderme, uma vez que, enquanto um dos cegos tateasse a tromba, por exemplo, outro poderia estar passando a mão sobre seu robusto corpo. A verdade, portanto, seria uma questão de perspectiva. Mas o grande problema com essa linha de raciocínio está no seu equívoco epistemológico; ou seja, parte-se da pressuposição falaciosa de que o conhecimento, em vez de exterior, dependeria dos sentidos humanos e, em última análise, exclusivamente do próprio sujeito do conhecimento. Em realidade, como sabemos, o que o elefante de fato é independe do juízo que façamos dele; ele continua a existir, acompanhando sua manada nas savanas africanas, ainda que diverjamos sobre sua natureza.

Quero dizer, não existem formas igualmente válidas, distintas e contraditórias da verdade (o que seria, em si só, um contrassenso); tampouco existe um único meio de entender tudo. Existem dados fragmentados do Todo. A verdade das coisas é um mosaico cujo desenho inteligível, devido sua abrangência incomensurável, exige uma reunião criteriosa (e dificultosa) de diversas perspectivas. Dessa forma, sua natureza complexa, para ser compreendida, requer uma abordagem interdisciplinar, como dizem em pedagogia. Todavia, é necessário humildade; peças que não se encaixam no quebra-cabeça devem ser descartadas -em último caso, motivar a substituição das demais peças e, naturalmente, o abandono do esboço especulado.

O Antigo Testamento

Moisés separando as águas do Mar Vermelho.

Moisés separando as águas do Mar Vermelho.

Aposto como repetidas vezes você já deve ter ouvido um ateu militante debochar do livro do Gênesis, presente no livro sagrado de todas as religiões e seitas monoteístas. Para começar, eles vão argumentar que o mundo não foi criado apenas em sete dias. E eu, que sou religioso e acredito na narrativa mosáica, vou concordar. Mas precisamos ter em mente que o profeta egípcio não era um funcionário do IBGE. Repare que o número “sete” e o vocábulo “dias” autorizam uma interpretação não-literal da passagem; porque, muito embora os judeus antigos não tivessem um conhecimento sofisticado de astrologia, eles sabiam perfeitamente que o Deus Criador teria que ter começado sua obra antes do aparecimento do Sol (portanto, os “dias” referidos seriam apenas a alusão a um padrão temporal reconhecível). Mas qual a razão do 7? Bem, se a narrativa não queria nos informar a respeito de um dado matemático, ao falar em “dias”, nada nos autoriza a acreditar que o número apontado seja um referencial meramente quantitativo; muito mais provavelmente, o sete foi tomado pelo seu valor simbólico de perfeição, mesmo porque a exegese literária faz muito mais sentido, nesse contexto: a criação do homem (ou da mulher, para ser mais exato) seria o ápice da criação, conforme Moisés.

Como eu dizia anteriormente, você não pode fechar os olhos para um saber apenas porque não simpatiza com sua linguagem ou com suas conclusões -ou despreza sua eficácia. Ao analisar a história dos povos ancestrais, não pode fechar os olhos para a ciência histórica e moderna, porque deixa de saber, por exemplo, que as crônicas dos povos antigos não tinham a função precípua de informar a respeito da realidade física e social, mas de consolidar a identidade de um povo e harmonizar suas relações sociais; numa época turbulenta, cujo conhecimento científico era precário e a sobrevivência sempre estava na ordem do dia, as ideias tinham a força de unir as tribos e, dentre outros benefícios, criar uma descendência forte (a abolição do incesto é clássica). Não há dúvidas acerca do papel da Ilíada, um misto de relato histórico e literatura, no desenvolvimento da cultura grega -pois muito embora não tenhamos achado o Estige e comprovado o valor “bélico” de suas águas, Platão e Aristóteles venceram muitas batalhas a nosso favor.

Por mais absurdas que possam parecer, as pragas egípcias do Livro do Êxodo poderiam ter sido, de fato, reais. Quem nos confirma é a própria ciência. Não foram relatadas, à época, segundo o rigor das ciências naturais porque Moisés não tinha graduação em ciências biológicas -no máximo, graças a sua criação aristocrática, devia saber muito acerca de mitologia egípcia -e, ainda que tivesse, não sendo essa a forma de conhecer daquelas culturas, tampouco seria justificável adotar certo rigor pedagógico. Além de demonstrar a onipotência divina, o interesse da narrativa do êxodo, claramente, era teológico; parecia querer simbolizar, na escolha de imagens e na priorização de certos aspectos históricos, que agir com confiança em Deus era mais importante do que se libertar de certas privações materiais (hebreus), ou ficar refém delas (egípcios) -não por acaso, a identidade do povo judeu não é étnica, mas religiosa.

A Ciência do Inexplicável

Embora o papel da ciência seja apenas descritivo, muitas vezes ela clareia suficientemente os caminhos a ponto de questionarmos certas convicções nossas, quase dogmáticas. Quem pensou que eu me referia aos religiosos, enganou-se. Na verdade, a própria “religião da ciência” é uma contradição de termos; a ciência não pode ser religiosa porque sua própria natureza é anti-dogmática, experimental; em suma, ela não pode substituir o papel da religião (ou da filosofia) como explicação da realidade uma vez que ela é uma atividade-meio, não uma atividade-fim. A ciência é o instrumento, a bússola; e o sistema de ideias (ou ideologia) é o itinerário dos propósitos. Muito me surpreende, portanto, que certos cientistas “religiosos” neguem categoricamente a imortalidade das coisas; se a matéria não pode ser destruída, mas apenas transformada (Lei da Conservação da Massa), e se existem estados da matéria que ainda não compreendemos, com que justificativa um sujeito arrogante nega a existência da alma e de sua imortalidade? No máximo, se fosse honesto, deveria agir com indiferença.

Porque, a rigor, as evidências tendem a nos tornar mais crédulos do que céticos. A física quântica é um exemplo. No mundo das menores partículas, as leis que regem a nano-dimensão são quase que completamente distintas das  que regem o mundo na nossa escala; não obstante, a realidade é a própria evidência de que os acontecimentos na estrutura visível estão em sintonia inexplicável com o aparente caos das sub-estruturas quânticas. A não ser pelo bóson de higgs, curiosamente chamado de “partícula de Deus”: segundo os entendidos, seria a peça que faltava no quebra-cabeças, porque seria ela a responsável por dar massa às coisas, por impedir que tudo entre em colapso. E não é apenas isso. A chamada “sintonia fina” do universo é de uma precisão tão absurdamente estonteante que torna qualquer probabilidade de o acaso reger o universo uma hipótese quase tão fantasiosa quanto o mais descabelado desenho animado.  Tudo isso nos induz a concluir que existem diferentes leis físicas dentro de um mesmo universo e que um Princípio Racional rege essa sinfonia cósmica com uma precisão matemática invejável.

Não me surpreende que, uma vez encurralados, os céticos admitam que a vida na Terra foi obra de inteligência superior… mas alienígena. Eu não discordo. Creio em Deus, mas não existe nada de errado em supor que o Divino Criador seja uma entidade extraterrena -porque ele, de fato, não “nasceu” na Terra! Por outro lado, também não existe nada de absurdo em crer na sua natureza transcendente, uma vez que já sabemos da existência de diversas dimensões de realidade e das propriedades desconcertantes de certas “coisas” (matéria escura). O grande problema, a grande barreira a transpor, como já aventei, é a falta de abertura das pessoas em relação aos saberes que não façam parte de seu microcosmo; assim como os incas temiam os espanhóis como deuses, quando aqui aportaram, grande parte das pessoas de nossa época autossuficiente e antropocêntrica tratam do assunto alienígenas/divindades com irracional temor ou desdém. Porque é inato, no ser humano, o temor do desconhecido.

Conheço muitos partidários da Teoria do Divino Astronauta, como Erich Von Daniken, e sei do desprezo que sofrem tanto dos céticos quanto dos crentes em Deus, apesar dos indícios. Não há razão para isso. As pessoas têm muita dificuldade, reitero, para sair de seu casulo. Quando falamos em “tecnologia”, só para aludir a um entrave mínimo, tendemos a pensar em eletrônica em geral, associando a palavra a computadores e robôs; não pensamos em “escadas que saem do céu” ou na invenção do fogo. Como se depreende facilmente, é uma forma muito restrita, limitada de pensar, totalitária. A tecnologia de hoje não vai parecer tão revolucionária no futuro quanto o fogo pareceu para nossos ancestrais, trocentos anos atrás. Como dizia Arthur C. Clarke (acho eu), a tecnologia do futuro (ou de civilizações extremamente avançadas) parece mágica aos olhos de povos muito atrasados em relação a ela.

Anu: deus do panteão sumério. Perceba a semelhança com a descrição atual de alienígenas.

Não é preciso ser um gênio para saber que viagens interestelares exigiriam o desenvolvimento de uma tecnologia quase inverossímil para nós -parecida com mágica. Os planetas mais próximos do Sistema Solar ficam a anos-luz da Terra; ou seja, para que um extraterrestre chegasse aqui, teria de possuir, dentre outras tecnologias, uma nave que viajasse numa velocidade maior do que a da luz (o que implicaria viagem no tempo…), ou que criasse buracos de minhoca. Essas possibilidades são simplesmente inaceitáveis ou improváveis, segundo os parâmetros da Física atual, mas imagine as possibilidades; caso sejam reconsideradas no futuro, os milagres descritos na Bíblia, como andar sobre a água ou ressuscitar mortos, pareceriam brincadeira de criança para alienígenas capazes de transitar entre mundos (quiçá dimensões). Quando um ateu ri dos milagres  bíblicos, ele está esboçando cálculos mentais sobre um escopo mínimo de probabilidades; seria como se considerasse, no conjunto universo, apenas três possibilidades de combinações dentro uma caixinha de fósforos perdida no meio da floresta amazõnica… e estou sendo muito modesto na comparação.

Nem precisamos descer a minúcias matemáticas. Voltemos à História. A arqueologia demonstra que, no mundo sumério, havia muitas representações de deuses e objetos que lembram, quase representam, descrições de alienígenas e desenhos de foguetes que temos em nossa época. A própria mitologia suméria, se cotejada com as mitologias semita e inca, apresenta semelhanças notáveis. Krishna, a reencarnação de Vishnu, tem histórias relatadas no Baghavad Gita que lembram muito a história de Jesus (e diz-se que o Nazareno esteve na Índia durante parte de sua vida…). Existem tecnologias de povos antigos que não encontram par no mundo moderno. E por aí se seguem outras coincidências que, de tão notáveis, despertam suspeitas muito fundamentadas.

O Universo Ainda é uma Caixa Preta

Há muito pouco tempo atrás, havia a convicção de que não existiam mundos fora do Sistema Solar; provou-se o contrário. Há bem pouco também caiu a ideia de que a vida só poderia existir dentro de determinadas condições: descobriu-se vida sustentada por amônia, pouco carbono e sem nenhuma luz. Enfim, a Caixa de Pandora ainda começou a revelar seus segredos… e nem todos são uma revelação desagradável. Basta adotar uma perspectiva muito menos limitada e pessimista.

***

OBS: Não estou dizendo que Jesus é reencarnação de Vishnu ou que religiões pagãs valem tanto quanto o cristianismo. Tampouco estou dizendo que os deuses (Deus, anjos e demõnios) são aliens sem escrúpulos e mancomunados. CUIDADO para não extrapolar na interpretação: o que fiz foi apenas uma análise da similitude entre diferentes crenças, segundo a tese de que os deuses seriam extraterrestres -sem fazer juízo de valor entre crenças ou entre a cultura desses supostos povos alienígenas. Depois não vá chorar e contar para a mamãe que eu sou mentiroso e malvado.

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