5 filmes que eu não vi, não quero ver e tenho raiva de quem viu…

Padrão

1. O Procurado – Impossível levar a sério um filme que, sem ser do gênero “fantasia”,  não busca respeitar nem ao menos as leis da Física. Francamente, uma “Fraternidade de Assassinos” é difícil de engolir -mas indeglutível mesmo é tolerar a história da “bala curva”, uma técnica através da qual o sujeito consegue dar um tiro “curvado”, como um jogador de futebol chutando uma bola de trivela. O filme, eu soube depois, é baseado numa minissérie de HQ cheia de absurdos, como um nazista viajante do tempo e um vilão feito de fezes. A questão ignorada por Bekmambetov, em sua adaptação, não foi apenas o sarcasmo subjacente nos gibis, que zomba dos heróis tradicionais, mas sobretudo o fato de que deslocar um realidade de seu contexto deliberadamente fantasioso para fazê-la passar-se pela nossa, além infrutífera, torna a tentativa algo grotesca -e não precisamos ir além do trailler para o saber.

2. Transformers 2, 3 e subsequentes – Quando começaram a pipocar os filmes de catástrofe, logo passaram a ser chamados “filmes-catástrofe”. Uma substituição equivocada, já que, segundo a morfologia, altera o sentido do termo original. Quanto a mim, penso que são termos sinônimos… Afinal, a experiência comprova que todo filme que fala de catástrofe é uma catástrofe. O que dizer então de um filme idealizado por uma catástrofe ambulante? Para quem não se lembra, Michael Bay dirigiu Armageddon, uma porcaria protagonizada por Bruce Willlis, película pioneira dos filmes de tragédia em mega-proporção. Voltando a Transformers, devo dizer que, infelizmente, assisti ao primeiro episódio; resume-se a uma sucessão de explosões, estímulos visuais e  demais pirotecnias. Parece que Michael Bay ignorou personagens, roteiro, mote e qualquer coisa que pudesse tornar o filme minimamente relevante, para fazer uma descrição fantasiosa da própria megalomania. Quando as coisas chegam nesse nível, parece que o mundo vai acabar… e tem gente que ainda tem o fetiche de registrar isso em película.

3. Senhor e Senhora Smith – Mesmo se esforçando muito para acreditar que esse filme não veio à tona apenas para pegar carona no casal-sensação da época, o próprio trailler faz questão de passar o óleo de peroba que faltava na cara de seus produtores. Jolie e Pitt aparecem juntos, marido e mulher, um atirando no outro com armas de alto poder de fogo. É mote de comédia, mas os caras quiseram cometer o disparate de levar à sério esse absurdo. A sinopse não me deixa mentir. Diz lá que os cônjuges são assassinos de aluguel, que um não sabe do real trabalho do outro (sic), e que ambos são contratados para a mesma missão (sic). Diante de tanto surrealismo, não resta fazer comentários (desnecessários), mas apenas oferecer uma solução aos atores diletos dos orfanatos do Terceiro Mundo: quando forem chamados para o terceiro filme, atirem também nos responsáveis pela orfandade da Inteligência.

4. Saga Crepúsculo: Lua Nova, Eclipse, Amanhecer, Escurecer, Esquecer e por aí vai – Eu vi o primeiro crepúsculo, na visão de Stephenie Mayer, para não querer voltar a ver nem eclipses nem luas novas dela -prefiro dormir mais cedo, inclusive dentro do cinema. Todo mundo sabe o que esperar de uma crítica a respeito dessa caricatura de filme cainita, assim como todo mundo sabe o que esperar de suas continuações. É o famoso triângulo amoroso adolescente entre Cullen, Bela e o lobinho-que-esqueci-o-nome, repetindo seus conflitos “muito profundos” ad infinitum. No caso, “ao infinito” é mais do que uma mera força de expressão, uma vez que, para piorar a situação, a mitologia e a riqueza simbólica da cultura vampírica são reduzidas às cinzas através desse atentado violento ao palor -especialmente, devo ressaltar, quando Robert Pattinson aparece brilhando ao sol. Lamentável.

5. O Artista – Não, obrigado. “O Artista” ganhou oscar de melhor filme, melhor ator e o escambau, mas não sei se merece tanto. Não entendo por que todo esse alvoroço em torno de um filme que não tem diálogos e é feito em preto-e-branco. Filme mudo e em preto-e-branco não é recurso: é ausência do recurso. A exploração das expressões das personagens, enfim, pode ser feita no cinema moderno até com maior relevância; não é um privilégio de quem tem preguiça de escrever um roteiro -ou inventa uma desculpa esfarrapada para tanto. Pudera. Num mundo governado por Michael Bay, onde o cinema foi reduzido a estímulos sensoriais, merece algum alento quem se presta a fazer algo centrado nas atuações. Bem, posso estar errado… Mas não tenho a mínima vontade de assistir uma hora e meia de mímica -e você?

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