BBB 12: A Polêmica Daniel/Monique (Epílogo)

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Eu sabia que o assunto ia render pano para manga, mas nunca imaginei uma repercussão tão absurda sobre uma questão que poderia ser solucionada com um pouquinho só de senso crítico -e de muito menos paixão. Até entendo que muita gente fique escandalizada com certa falta de pudor e excesso de cinismo, mas grande parte de meus críticos, ao que me parece, se ressente intimamente por ter assistido um NEGRO transando com uma BRANCA; acredito que, na cabeça deles, isso seja muito desconfortável…

De qualquer forma, creio que seja necessário ressaltar três pontos fundamentais de meu texto anterior. Embora possam parecer óbvios, talvez muitos leitores de boa fé, no “calor do momento”, tenham acabado por ignorá-los solenemente:

1° Eu defendi a hipótese de que Daniel NÃO ESTUPROU  a garota. Continuo batendo nessa tecla (adiante eu explico o porquê).

2° Deixei bem claro que não sou a favor de atitudes levianas e promíscuas, tanto da parte do homem quanto da mulher. Só não me aprofundei no assunto, no texto anterior, porque o foco era outro (mas agora vou ter a oportunidade de dissecar a questão, espero).

3° O foco do texto anterior era desmascarar certo preconceito feminista. Eu poderia falar, também, sobre o preconceito racial que está rolando nas entrelinhas, mas prefiro deixar as chatices para os pós-graduados na área: os politicamente corretos.

Dito isso, vamos aos trabalhos.

Por que eu acho que transar com uma mulher bêbada não é estupro.

Para fins didáticos, vamos inverter a equação (embora o resultado seja o mesmo…). Digamos que eu, homem, tenha bebido e me deitado com uma mulher sóbria. Não seria ridículo se, no dia seguinte, eu tivesse acusado a moça de ter abusado de mim? Só de imaginar a situação eu tenho vontade de rir. Ou será que, por ser homem, a interpretação devesse ser outra? Quero dizer, num homem é fácil reconhecer a excitação… numa mulher, não. Novamente a famigerada ojeriza ao pênis! Sempre que é conveniente, percebam vocês, feministas apontam o pênis para justificar certa discriminação (injusta) entre homens e mulheres; quando você é do sexo feminino, pode dar sempre uma de joão-sem-braço, embora quase sempre não se possa mensurar, objetivamente, a sua má-fé.

Eu me lembro daqueles casos em que o sujeito, depois de ter se relacionado sexualmente com uma mocreia, durante uma festa (em show, boate etc.), fala para os amigos que a baranga se aproveitou dele porque estava bêbado (claro, fala sem nenhum sentimento de culpa -pelo contrário). Será que foi isso mesmo? Ou será que ele não quer ser zoado? Quando o sujeito faz isso, ele geralmente o faz por duas razões: 1° Bebe para ficar desinibido e chegar mais fácil na menina; e 2° Como quer transar, procura uma garota com quem, supostamente, teria mais probabilidades de conseguir o que quer. Veja só se tem cabimento um cara desses dar uma de joão-sem-braço…

Outro exemplo: um sujeito, bêbado, faz sexo não-consensual com uma mulher (isto sim, estupro). No processo, ele tem a audácia de dizer que não sabia o que estava fazendo. Pode ser que a alegação do réu atenue o crime, mas o crime continua sendo crime. Ou seja, bebida não é uma justificativa, a priori, para se afirmar que o sujeito não tenha praticado voluntariamente o ato. É claro, se alguém está desacordado(a) e outrem se aproveita dele(a), não há consentimento e, portanto, há estupro -mas este não é o caso, ao que parece, da relação entre Daniel e Monique.

Para finalizar, devo dizer que já fiquei bêbado algumas vezes; embora tivesse dito mais do que deveria, nessas ocasiões, ou lidado com situações em que, normalmente, eu não me envolveria, eu nunca fiz nada que eu não quisesse. Ninguém, sendo maior de idade, é inocente; ninguém ignora que a bebida desinibe e torna o bebedor influenciável. Se você bebe na balada porque quer ficar mais sugestionável para o sexo, assuma. Muitas mulheres bebem na balada por esse motivo; se essa é a convicção delas, o que quer que eu faça? Jogue pedras no parceiro que ela escolheu? Por quê? Por que ele é negro? Por que ele é safado? Por que ele é alfa? Por que ele é gama? Por que ele é beta? Por que ele é branco? Por que ele é virgem? Por que ele é casado?

Pode ser que eu esteja errado a respeito de ter sido estupro ou não, porque não sou médico, nem psicólogo (e nem veterinário…), mas eu não tenho o costume de pensar com a cabeça alheia. O amigo ali em baixo, ao comentar o texto, disse que ninguém é dono da verdade; eu sei disso. Aquilo que vivi como experiência e racionalizei com minha mente, nisto eu acredito. Até prova consistente em contrário, porém, eu penso o que penso.

Ser exemplo de macho é importante (embora o exemplo de ser humano seja melhor)

O que gosto no Daniel é que ele não tem recalque. Apesar de toda babaquice feminista que insiste em soterrar toda a apolínea vitalidade masculina, o sujeito é um perseverante. Ele mantém o foco. Poderia se render a essa epidemia andrógina que está fazendo uma vasectomia ostensiva e vergonhosa na humanidade (nos índices de natalidade, nas artes etc.), mas mantém o foco. Poderia entrar na onda do efeminamento, que obriga o homem a fazer papel de confidente e eunuco, mas mantém o foco. Ser macho hoje em dia é mais importante do que se imagina; NÃO É COINCIDÊNCIA que o número de homossexuais tenha aumentado em progressão geométrica. Sem yang, não há yin. E se isso se concretizar, dê adeus ao “crescei e multiplicai-vos”: será o fim da espécie.

Por outro lado, a hiper-sexualização de nossa sociedade é como uma faca de dois gumes. Se o sexo deixa de ser sagrado, acaba arrefecendo a vitalidade que, como eu dizia, é essencial; o sujeito(a) que faz sexo como louco(a) acaba deixando no automático e, por fim, se desinteressando (e buscando outra forma de satisfação). O sexo é uma parte vital do ser humano e, como tal, tem uma dimensão que não é meramente física; quando você separa uma coisa da outra, é como se separasse a alma do corpo. E, sem a alma, o corpo apaga, morre; o corpo é fogo, mas não tem luz própria (precisa do outro para se enxergar). Esse é o lado yin da história, que o feminismo também tem deixado de fora, na ânsia de querer se nivelar, por baixo, com o que comumente se entende por “machismo”.

A Bíblia dos iluministas não é a minha Bíblia

Eu não entendo por que muitos venham me espezinhar com artigos de lei. Não cola. A Bíblia iluminista, vulgarmente conhecida como Constituição, passa longe de ser meu parâmetro moral. Estou pouco me lixando para o que os iluministas pensam ou deixam de pensar, porque eles estão comprometidos com uma visão de mundo que passa longe de ser a minha. Enquanto a lei deles coincidir com a lei de Deus, eu defenderei a Constituição também; a partir do momento que os iluminados conseguirem suprimir o ranço cristão da Carta Magna, instituindo o seu sonhado “paganismo civilizado”, então entraremos em confronto franco.

O que a lei deles ainda me garante, no entanto, é a liberdade de expressão para criticar qualquer ideia, como era de praxe na maçonaria. Eu só não posso fazer apologia de crime -e isso eu não fiz. Quando falei do suposto caso de estupro, por exemplo, o que fiz foi criticar entendimentos doutrinários a respeito do que, de fato, pode ser considerado estupro. Não fosse o exercício especulativo permitido, nenhum pensamento filosófico (que é crítico dos costumes por excelência) poderia sequer existir (e não haveria civilização…). Eu repudio o estupro, assim como os iluministas também o repudiam -fato.

Do porquê eu NÃO transaria com uma bêbada

Sou católico praticante. Entendo que o corpo é santuário do espírito e trabalho para aperfeiçoar e imiscuir essa convicção em mim e nos demais, de modo que possamos levar uma vida plena enquanto seres humanos. Isso quer dizer que nunca, a princípio, permitiria que uma relação entre homem e mulher se degenerasse a uma condição irracional. E isso tem muitas implicações -inclusive na área sexual.

Se uma mulher não está preparada, de corpo e de alma, para dar o passo além, eu também não estou: não gosto de nada pela metade, vacilante. Se, no entanto, uma mulher bebe para transar e um homem se aproveita disso, por que eu deveria pôr tudo na conta do cara? Ambos se nivelaram por baixo, e a Justiça deve ter o mesmo peso e a mesma medida. Se ela acabasse engravidando, por exemplo, eu diria que era responsabilidade de ambos assumir a criança, ou seja, nenhuma das partes poderia alegar, como justificativa para o aborto, que não usou camisinha ou que bebeu demais.

Uma das leitoras comentou, ironicamente, no post anterior, que é o “sonho de toda mulher ser bulinada”. Ora, pode ser que não seja o sonho dela, mas eu CONHEÇO MUITAS que anseiam por isso. E sonho é sonho, camarada… Eu poderia contar casos de cair da cadeira, de tão escabrosos, mas alguns insistem em permanecer num mundo onde todas as mulheres são as virgens etéreas do Álvares de Azevedo. Eu gosto do Álvares de Azevedo e das virgens etéreas dele -mas no papel, porque, como dizia a música, “cada um no seu quadrado”.

Não há culpados nem vítimas, em certos assuntos.

Não existem culpados na história do BBB. No dia seguinte, Daniel e Monique estavam juntos, com caras de bunda e provavelmente arrependidos. Poderiam ter evitado a fadiga, mas preferiram bater com a cara na parede; dessa forma, pelo menos, eles têm a oportunidade de sentir o gosto vívido do erro.

O mal do puritanismo não é ser anacrônico: o mal do puritanismo é macaquear uma moralidade genuína. Livre-se disso.

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2 comentários sobre “BBB 12: A Polêmica Daniel/Monique (Epílogo)

  1. Girl

    Bom, caro doctor butcher, a situação é a seguinte: Monique não reclamou que foi estuprada. O que ocorreu foi uma avaliação dos seguidores do programa que levaram-os a crer que Monique estava desacordada e ,sim, incapaz de reagir.
    Você está apelando ao dizer que isso é um preconceito racial, pode até haver certo preconceito de certas pessoas mas nao pode-se afirmar que venha de todas as partes, certo? Você disse que um homem bebado seria ridiculo de acusar uma mulher com quem dormiu de abuso. Obvio, ridiculo porque não estava em condições de perceber se foi ou não abusado sexualmente. Entenda isso, continuo a bater na tecla de que você não entende que um estado de embriaguez , dependendo do nível, pode fazer um indivíduo não conseguir reagir. Monique não estava em condições de responder se queria ou não fazer sexo com o rapaz. Tanto que, após dizer á produção do Big Brother que não teria feito sexo, a moça saiu perguntando a todos da casa o que tinha feito na noite anterior.Chegou a dizer até mesmo pra produção que não sabia como tinha ido dormir. Sinceramente meu amigo você acha que ela lembra de alguma coisa?
    Permita-me comentar umas frases suas, nas quais você ironizou que achamos as mulheres ‘santas’. Acredito que realmente ninguém é santo, mas você dizer que beber muito significa que você está querendo agilizar o sexo, você esta generalizando. Pode ter pessoas que fazem isso, mas você não pode simplesmente generalizar e praticamente dizer que todas as mulheres que bebem estão se deixando na reta para o sexo. Tem pessoas e pessoas meu querido, NÃO GENERALIZE. Sinceramente, você expos sua opinião.. ok. Cada um pensa de um jeito, certo? porém, não é só porque eu achei seu texto completamente machista que você pode dizer que sou feminista ou outras coisas que você criticou nos leitores que voce julgou feministas.
    Permita-me, novamente, comentar a seguinte frase sua: ‘Se, no entanto, uma mulher bebe para transar e um homem se aproveita disso, por que eu deveria pôr tudo na conta do cara? ‘
    Você realmente nao pode afirmar que uma pessoa bebeu ou não pra transar, OK? Estamos entendidos? Pare de generalizar, novamente em seu texto você alegou não estar dizendo coisas que ESTÁ SIM DIZENDO! O tempo todo, tanto nesse texto como no outro, você quis ,nas entrelinhas é claro, culpar Monique por beber e se aproveitar pra dizer que Daniel foi herói por se aproveitar da situação já que ela deu liberdade no momento em que bebeu muito e se tornou indefesa. Não adianta, você o tempo todo mostrou isso só não quer admitir que é machista e culpa. Não só culpa como acha que as mulheres devem se comportar como santas, caso contrário estão dando espaço para serem bulinadas/xingadas/mal vistas perante a socidade e etc. Machista, sem mais.

    • Doctor Butcher

      Estou dizendo que, se duas pessoas querem transar, esse é um problema delas. Se elas bebem ou não, para facilitar isso ou aquilo, aí são outros quinhentos. Como você disse, se alguém está desacordado, não está em condições, óbvio, de consentir em nada (o que eu disse a respeito do coma alcoólico foi uma ignorância da minha parte).

      Não estou dizendo que toda pessoa bebe para transar ou autoriza, bebendo, um passe livre para o sexo. Isso é ignorância sua, que não soube me interpretar. Não estou dizendo que, se uma mulher bebe SUPOSTAMENTE para transar, o cara não tem culpa de se aproveitar: eu disse, TEXTUALMENTE, que, se uma mulher BEBE PARA TRANSAR COM O CARA, e o cara se aproveita, o problema é deles, não é meu -nem seu, nem do Papa. Eu e o Papa achamos um ato repulsivo -mas é a nossa opinião particular.

      Você lê “se aproveitar” como se fosse, necessariamente, um ato imoral. Ora, isso não é verdade. Se eu sei, por exemplo, que vai abrir um concurso tal daqui a um ano e me aproveito da informação (estudando antecipadamente), estou agindo na malandragem, mas não estou sacaneando meus concorrentes. O cu não tem nada a ver com as calças.

      Onde eu disse que Daniel foi herói por se aproveitar da situação? Em algum momento eu explicitei porque eu chamava Daniel de herói? Deixei nas entrelinhas porque não achei que tudo isso iria virar o pandemônio que virou. Alguém pode ser herói por uma infinidade de motivos. Um bombeiro que morre soterrado por resgatar vítimas, por exemplo. Ou um big brother que é linchado e caluniado por não ser um homem recalcado, podado, castrado (independente de minha opinião sobre libidinagem). Pode ser que um seja mais herói que outro, mas não é essa a discussão.

      Com efeito, eu não culpei ninguém (nas linhas ou nas entrelinhas) por isso ou aquilo. Como eu disse desde o início, na hipótese de Monique HAVER CONSENTIDO, não houve estupro. Isso é óbvio. Isso é claro. Na parte em que eu falei das minissaias, coisa e tal, o que eu fiz foi chamar a atenção para o fato de que HOMENS NÃO SÃO BONECOS KEN DA BARBIE. Se você se deita com alguém, você deve estar ciente de que autoriza esse alguém, nas entrelinhas, a tomar certas liberdades com você, correto? Se você se esfrega no bilau dele, dançando funk, você está dando os mesmos indícios, correto? Então por que você acha que o sujeito não está autorizado a sugerir o sexo? Ele tem que fazer o quê? Esperar que a mulher diga que quer transar, que quer que ele enfie uma rola na xoxota dela? Você quer que ele assine um contrato autenticado em cartório?

      Sem mais.

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