Os Skyblues e o Rival à Altura: Eles Mesmos

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O Manchester City montou um plantel que não deixa dúvidas a respeito do rival a ser batido na corrida pela hegemonia na Premier League: eles mesmos. O lado vermelho de Manchester e o Chelsea de Abramovich não deixam de representar uma ameaça real às pretensões megalomaníacas do time do sheik, mas a pedra de tropeço dos skyblues pode estar mais próxima do Etihad Stadium do que se imagina.

Quando pensam que me refiro a Mario Balotelli e Carlos Tévez, enganam-se. Ambos são, individualmente, uma dor de cabeça imediata, embora façam parte de um problema maior que vai exigir, dos dirigentes do clube, uma perícia muito maior do que a exigida para dirimir eventuais carências de qualidade em campo. Balotelli e Tévez não são uma pedra no sapato em virtude do que apresentam dentro ou fora das quatro linhas.

Samir Nasri está brilhando com pouco tempo de clube. Kun Aguero também já mostrou a que veio. O preço que o City pagou por ambos, entretanto, não foi pequeno, especialmente em se considerando que o francês estava em fim de contrato. Como se o valor pago pelas transferências não fosse dispendioso o suficiente, é preciso ressaltar que os salários a eles oferecidos também são altos demais; em relação a outros times da Premier League, mesmo os maiores, são até mesmo desproporcionais.

E a questão não se esgota no aspecto financeiro. Se Tévez traduz sua conta bancária em gols e boas atuações, o mesmo não pode ser dito a respeito de Balotelli, Adebayor e Roque Santa Cruz, que também recebem gordos ordenados, embora nem de longe, é claro, cheguem a ser equivalentes ao percebido pelo atacante argentino. Como dispõe de recursos, Mancini se dá ao luxo de manter os improdutivos na “geladeira”, o que introduz outro dilema: se não aparecem em campo, mesmo recebendo o que recebem, o melhor seria vendê-los; mas quem os contrataria, nessas condições?

Todos nós sabemos que o futebol é ingrato e imediatista. Essa característica pode ser tanto benéfica aos clubes quanto maléfica. Quando Tévez viu que Ferguson o havia preterido em favor de Berbatov, optou por um clube (até então) aquém de sua estatura, mas que poderia encarnar seu contragolpe de ressentido -e quase a história se repetiu com Rooney. Em outro contexto, clubes menores se aproveitam dos baixos salários e da falta de oportunidade para contratar, a peso de ouro, bons jogadores, estagnados nos grandes clubes; quando o jogador, no entanto, já possui certa idade, o prejuízo dos grandes clubes é ainda maior. É uma faca de dois gumes.

Os poços de petróleo do sheik Mansour ainda vão ter que trabalhar a todo vapor por muito tempo, se o árabe quiser manter a competitividade de seu clube. Há sempre um preço a se pagar pela falta de tradição. E esse preço pode anular qualquer possibilidade de lucro -mesmo a longo prazo.

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