A Tática da Rotulagem Inversa

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Dia desses eu estava lendo, no blog do Sílvio Koerich, um post que falava sobre as mulheres que devemos evitar. Pensei que, naturalmente, se fôssemos levar ao pé-da-letra o que ele, reproduzindo o Doutrinador, nos diz, então as fêmeas não fariam mais parte de nossa vida. Qualquer mulher, em maior ou menor grau, comete algum dos deslizes citados no referido texto, odiados por 10 entre 10 dos cuecas.

Mas o que cada macho está disposto a tolerar de uma mulher varia enormemente de um para outro, o que torna o processo seletivo um tanto quanto relativo, embora ancorado em preceitos muito semelhantes. Eu, por exemplo, não consigo suportar a chamada “Técnica da Rotulagem Inversa”, uma variação do “Inferno Emocional”.

A “Técnica da Rotulagem Inversa” consiste, basicamente, em transferir o ônus de um mal para o macho que não seja responsável por ele. Quando, por exemplo, uma menina comentou, no blog citado, que o homem não deveria rejeitar mulheres traumatizadas porque isso seria o indício de que ele não sabe lidar com os próprios traumas, eis aí um exemplo prático de rotulagem inversa.

Uma mulher neurótica que se recusa a enfrentar objetivamente seus traumas não está no mesmo patamar do homem que se recusa a bancar o saco de pancadas, ou o psiquiatra voluntário. Querer perseverar e se aprofundar na própria visão distorcida de mundo não equivale a querer preservar a própria sanidade, como pode atestar qualquer um que faça uso da razão -mesmo que seja um uso mínimo.

É curioso notar que esse estratagema também deriva de outro, igualmente irritante e enlouquecedor. A “Técnica da Rotulagem Inversa”, a meu ver, é um desdobramento da “Síndrome da Atriz”, outro mal patológico que aflige o universo feminino. O que seria isso? A “Síndrome da Atriz” se traduz numa técnica feminina através da qual a mulher insinua, mediante gestos e palavras, que o homem cometeu algum erro grave contra ela; se ele a questiona objetivamente sobre o “clima estranho”, o labirinto se aprofunda: ela age sempre como se ele soubesse do que se trata (embora ele, de fato, não saiba).

Mas por que eu digo que a “Técnica da Rotulagem Inversa” deriva da “Síndrome da Atriz”? Porque me parecem psicopatologias complementares. Enquanto a “Síndrome da Atriz”, mais próxima da psicose, “inventa” uma agressão, o procedimento neurótico caracterizado na “Técnica da Rotulagem Inversa” atribui o papel de agressor ao cerne do desvario emocional feminino: o arquétipo do homem. Não o homem propriamente dito, tenha-se claro, mas sua imagem surreal, talvez prefigurada inconscientemente como resultado de alguma vivência traumática -ou da imagem onipresente do pai, talvez. O homem, para certas mulheres, é um deus. Um deus que, ao meu ver, ela não pode vencer -ou só pode vencer hipertrofiando o próprio orgulho, burlando as regras.

Com efeito, não é de egocentrismo sádico que elas sofrem; seu mal está enraizado no seu senso de inferioridade crônico (segundo me parece). É impossível manter um relacionamento saudável com uma pessoa tão perturbada assim, a não ser que o homem se sujeite aos seus jogos masoquistas de poder. Caso contrário, ou seja, se você, homem, prefere os benefícios de uma convivência civilizada (racional), o jeito é procurar por outra mulher.

PS: este post veio de um texto antigo que eu finalmente resolvi transcrever para o computador. Há atualizações.

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