Politicagem Não, Cazzo!!!

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O caso Bolsonaro reacendeu mais do que a velha polêmica acerca da liberdade de expressão ou dos direitos homossexuais. Lar de víboras oportunistas, o Congresso Nacional se inflamou, colocando novamente esquerdas contra direitas. Ou então os partidários de uma e outra corrente relativizaram seus “postos” ideológicos, conforme lhes parecia ser a direção tomada aquela que os “ventos” mais favorecessem…

“Ventos”, aí, nada mais são do que um eufemismo para “opinião pública”. É um tipo de expediente muito empregado em política. Bolsonaro, por exemplo, se valeu muito da polêmica gerada, uma vez que pôde se auto-proclamar “defensor da família” durante as inúmeras entrevistas que concedeu após o incidente. Nessas ocasiões, foi-lhe dada a oportunidade de denunciar o “kit gay” que o ministro pró-GLBT queria repassar para as escolas públicas; ao criticar a iniciativa, Bolsonaro não lançou uma só palavra contra os homossexuais: preferiu chamar para si a “responsabilidade” de representar os pais desses estudantes. Jogada de mestre.

Mas o kit gay não é, de fato, uma impostura do Ministério da Saúde? Sem dúvida. Também acredito que eles queiram “homossexualizar” as crianças, a pretexto de “combater a intolerância” (a realização da chamada “desconstrução da heteronormatividade”). Mas não é essa a questão. O que importa ressaltar, na presente análise, são outros embustes. Porque, embora Bolsonaro se qualifique como “defensor da família” ao repudiar a nojenta tática dos esquerdopatas, foi esse deputado mesmo quem defendeu o aborto em outra oportunidade. Como pode um sujeito proteger crianças de comportamentos viciosos e, ao mesmo tempo, apregoar a sua eliminação?

De qualquer forma, não posso dizer com certeza se Bolsonaro está encarnando um papel por pura conveniência eleitoreira ou se realmente ignora as contradições do próprio discurso. Isso porque ele pertence àquele gênero de pessoas que foram educadas segundo valores tradicionais e, de certa maneira, anacrônicos. O senso comum de sua época misturava muito indiscriminadamente valores cristãos e comportamentos machistas. Não por acaso Bolsonaro recriminou Preta Gil por sua conduta sexual escandalosa (a suruba), mas falou sem constrangimento algum, em entrevista à Isto É Gente, sobre sua própria experiência sexual em zonas de baixo meretrício.

Outro, no entanto, é o papel da senhora Marta Suplicy, durante a repercussão do episódio. Conhecida defensora dos direitos gays (inclusive da PL 122), coincidiu de ser ela a alardear, aos quatro ventos, que foi sua a iniciativa de incluir, na PL 122, um parágrafo em que ficava protegido o direito de se pregar contra o homossexualismo em edificações religiosas. Digo “coincidiu” porque essa mesma senhora passou a vida inteira pregando o exato oposto, ou seja, tentando empurrar leis cerceando direitos da cristandade, como a lei da mordaça contra quem não defendia a causa GLBT. O que teria feito essa criatura mudar tão repentinamente de opinião? Eu aposto que não foi o poder de oratória do deputado Bolsonaro, mas coloco todas as minhas fichas na reverberação “miraculosa” das vozes de apoio ao deputado, que se multiplicaram na internet…

Sobre essas “anomalias” nós não devemos nos surpreender, mas precisamos ficar atentos aos seus efeitos nocivos. Muitos votarão em Bolsonaro por motivos equivocados. Outros tantos, ludibriados pela retórica tosca e 200% demagógica de Marta, cairão no conto do vigário da petralhada, como se devêssemos ser gratos por exercer nossos direitos básicos, como se fôssemos um empregado que devesse agradecer ao patrão pelo salário no início do mês. Mas comigo o buraco é mais embaixo.

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