A Inquisição: considerações sobre um mito

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É moda muita gente falar sobre a Inquisição como se ela tivesse sido o braço ensandecido da Igreja, a SS católica à serviço da caça e da execução cruel de todos os pecadores e hereges. A Idade Média ainda é vista como uma época de ignomínia, de louvor à ignorância e à confusão, na qual a Igreja manipulava a cultura a fim de que os letrados continuassem sob seu jugo e os ignorantes se tornassem reféns de um fanatismo planejado.

Será que foi assim mesmo, tal qual a mídia e os ideólogos anti-cristãos querem nos fazer acreditar? Até que ponto isso é verdade e quando começa a distorção?

A Igreja manipulava a informação?

De fato, mas não da maneira radical como isso é mostrado. É preciso compreender que a sociedade daquela época tinha outros postulados ideológicos, diferentes dos nossos. Se acreditamos, hoje, na liberdade de expressão e de consciência como um direito inalienável do ser humano, àquela época acreditava-se que a Igreja era a guardiã da verdade, devendo zelar por ela. E as pessoas se comportavam de acordo.

Mas a Igreja era até muito permissiva em relação ao conhecimento, especialmente depois da redescoberta da filosofia clássica dos gregos. Tanto isso é verdade que Dante Alighieri publicou, na alta Idade Média, um poema lírico-épico repleto de referências à cultura clássica, predominantemente pagã, e no qual colocava, inclusive, o Papa seu contemporâneo em um dos círculos de seu inferno literário. Outro caso curioso foi o de Camões, que publicou Os Lusíadas com a anuência da Inquisição, muito embora seu texto estivesse abarrotado de divindades pagãs, consideradas demônios pela cristandade católica.

É preciso aludir, ainda, para o fato de o conhecimento ser uma moeda rara, naquele tempo. Você não podia acessar a internet e pesquisar na Wikipédia, tampouco viajar de avião para tal lugar. Se quisesse informação, tinha que ser do jeito roots; ou se buscava livros em bibliotecas de mosteiros e/ou adquiria cópias, que eram de distribuição controlada, por razões econômicas e ideológicas. Ora, isso não impediu que muitos intelectuais “heterodoxos” surgissem, naquele contexto, e ainda que circunscritos a territórios de dominação católica. Isso é uma verdade vastamente documentada.

A Igreja embargou a “intelectualização” da sociedade!

Isso é mais mentira do que verdade. Malgrado certos livros tenham sido, de fato, considerados subversivos, e certas práticas como dolosas à Igreja, a posição oficial, como vimos, era mais liberal do que repressiva. Havia, sim, casos de arbitrariedade, como o caso do Papa que mandou decepar as partes íntimas das estátuas gregas, em Roma. Mas, via de regra, a tendência era outra.

Muitos podem não saber, mas as primeiras universidades foram criadas na Idade Média. E muito embora se diga que o conceito de “mundo redondo” fosse muito mal visto pela Igreja, havia certos globos terrestres em instituições de ensino católicas da época… E houve até quem escrevesse, na boa, tratados sexuais numa sociedade em que o tema era um suposto tabu.

Galileu Galilei

É preciso ser mais do que um marxista bitolado para acreditar na versão tradicional dessa história.  Pertence ao domínio do óbvio ululante desconfiar que uma teoria astronômica simples, sem implicações necessariamente religiosas, fosse o bastante para abalar a credibilidade de uma instituição consolidada há séculos. A não ser que fosse um caso de psicose-paranóica único na História…

Perceba que os detratores da Igreja nem sequer cogitaram a hipótese da inveja, na perseguição a Galileu. Sim, porque a maior parte dos cientistas da época eram eclesiásticos e adeptos da teoria tradicional grega, se não me engano pitagórica, segundo a qual a Terra era o centro do Universo. E todo mundo está sujeito à opressão da própria vaidade.

Não obstante, Galileu defendia suas versões científicas mais pelo apreço que tinha a suas convicções esotérico-antropocêntricas. Seu discurso de defesa foi bizarro. Munido de uma argumentação astrológica e gnóstica, Galileu desfiou suas obscuras ideias a respeito do Cosmos. Mas só isso não bastava para condená-lo; o tiro no pé veio quando ele negou que houvesse a transubstanciação do corpo de Cristo no pão eucarístico. Heresia era passível de morte, mas Galileu, infelizmente, tinha as costas quentes e supostamente veio a se arrepender de suas ideias.

Os assassinatos da Inquisição

Primeiro de tudo, é importante frisar que a Inquisição, o braço repressivo da Igreja, pode ser confundida com a Inquisição Espanhola, um aparelho do Estado espanhol. Por aí se contabilizaram mais mortes na conta da Igreja do que as realmente ocorridas sob responsabilidade do Vaticano. Mesmo assim, nem uma nem outra foi mais cruenta e irracional (e, quem sabe, mais mortífera) do que a Revolução Francesa, a Inquisição iluminista.

Por outro lado, muitas mortes de inocentes foram, de fato, cometidas. Qualquer sociedade que admita a pena-de-morte, contudo, está sujeita a equívocos. Mas esse não é o assunto que nos importa no presente momento. Prossigamos.

É sabido que o povo, independente da época em que viva, age coletivamente como uma massa, refém de seus instintos e de seus pré-conceitos. À época inquisitorial, uma pessoa que fosse acusada de ser bruxa tinha tantas chances de sofrer um linchamento público quanto alguém que, hoje em dia, fosse suspeito de algum crime hediondo. Muitas execuções, assim, associadas à Igreja por causa de sua característica religiosa, eram protagonizadas na verdade por algozes leigos.

Some-se a isso o fato de que grande parte das pessoas, especialmente da plebe, eram analfabetas. E que algumas dentre essas, sem dúvida condicionadas pelo clima teocêntrico reinante, estavam sujeitas a desenvolver psico-patologias associadas ao fanatismo religioso. Você pode, baseado nisso, acusar a Igreja de manter o poder usando da manipulação e da ignorância; mas deve admitir que funciona perfeitamente como álibi para os crimes normalmente atribuídos à Inquisição.

E mesmo que essa hipótese fosse desconsiderada, os métodos da Inquisição eram bem mais discretos. Sem dúvida cruéis, porque aliás fazendo uso de instrumentos de tortura comuns em todo mundo civilizado, os interrogatórios da Inquisição eram, não obstante, bem menos bárbaros do que aqueles praticados pelas autoridades não-religiosas. Mesmo por isso, criminosos comuns mentiam a respeito de seus crimes, adicionando-lhes o tempero herético que faltava para que fossem julgados pela Inquisição, cuja metodologia para obter confissões era bem mais branda. Decorre daí que também muitos dos que passaram pelos tribunais religiosos não eram, na realidade, da jurisdição inquisitorial; os números são altos demais.

Contudo seria também muita ingenuidade descartar por completo alguma queima de arquivo. Desacredito das teorias da conspiração Iluminati, ao pior estilo Dan Brown, mas faço coro com muita gente que dá como certa a presença de sociedades secretas no seio da alta cúpula do Vaticano. Figurões apontam até satanismo. Alguns creem que haja profecias na própria Bíblia a respeito, como a passagem do Apocalipse no qual João faz referência à “fumaça de Satanás no templo de Deus”.

Mas a Inquisição foi um erro. Ou não?

O grande problema não está no que a Inquisição fez, mas naquilo que ela não fez e nas concepções de mundo que separam nossas épocas. Sobre as mentiras alardeadas, muitas já foram esclarecidas. Quanto à validade das perseguições e mortes, fatos históricos comprovam sua realidade e escandalizam a muitos hoje em dia, que não conseguem mais aceitar o conceito da pena de morte. No entanto, quando você não extirpa o câncer em sua fase inicial, a tendência é a evolução da doença. Até que não sobre mais organismo vivo para contar a história.

Porém, nós sobrevivemos. E, se estamos vivos até hoje, parte disso devemos à Inquisição. Pois foi pelas obras da Igreja, inclusive pelo uso da força, que seitas gnósticas não se espalharam entre nós, como a que defendia a prática da não-reprodução. Se tal seita tivesse triunfado e perseverado na Europa, nem eu nem você estaríamos, aqui, hoje, lendo este post.

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19 comentários sobre “A Inquisição: considerações sobre um mito

    • Aecio

      Explique, por favor, o que é “colocar ordem na sociedade”. Seria queimar livros com idéias diferentes? Seria queimar pessoas que ousaram discordar da teoria geocêntrica? Li o verbete “Inquisição” da Enciclopédia Mirador Internacional e me emocionei com a caridade de Leão X, que instituiu uma bula papal que mandava torniquetear o condenado antes de tocar fogo nele. Eita caridade! Não me imagino nesta situação, nem de um irmão, ou mãe… E eu ajudei missa em latim: Introibo ad altare Dei. Ad Deum qui laetificat juventute mea! Leia: VAINFAS, Ronaldo. Confissões da Bahia. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. Leia: EYMERICH, Nicolau. Manual dos Inquisidores. 2. ed. Rio de Janeiro: ROSA DOS TEMPOS, 1993. 253 p. Estes dois livros são transformadores… Um deles foi escrito por um Frei.

  1. Adnilson Faria

    Não há justificativa pra crueldade> não entendem que o Amor é o sinal identificador dos verdadeiros cristãos?

    / Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. 35 Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.”
    João 1 3:34,35/

    /Todo aquele que nasceu de Deus não está praticando o pecado, porque a Sua semente [reprodutiva] permanece em tal, e ele não pode praticar o pecado, porque nasceu de Deus. 10 Os filhos de Deus e os filhos do Diabo evidenciam-se pelo seguinte fato: Todo aquele que não está praticando a justiça não se origina de Deus, nem aquele que não ama seu irmão.
    1 João 3:9,10/

    • Doctor Butcher

      Isso me faz lembrar do princípio da legítima defesa. Sabe o que é legítima defesa, Adnilson? Quando você mata alguém que está prestes a te matar. Nesse caso, o “homicida” é absolvido porque a razão de seu ato anula aquilo que, de outro modo, seria considerado crime: ao invés de morrer você, morre aquele que o mataria. E isso é justo.

      Isso se aplica também em nível de macroestrutura. Quando uma sociedade visa se defender de um agressor (um psicopata, por exemplo), ela legitimamente o elimina. Ou quando uma sociedade, vendo-se ameaçada de extinção por causa de uma guerra, entra nessa mesma guerra com o intuito de sobreviver. Tudo isso também é justo.

      Acho que eu não precisaria me estender, mas vamos lá: quando uma sociedade está fundamentada em princípios (cristãos ou não), ela invariavelmente vai procurar eliminar princípios contrários àqueles em que ela se fundamenta. Porque nem só de pão vive o homem, mas sobretudo da forma como entende a vida e organiza suas relações; naturalmente que a Igreja Católica entendia que sua proposta de vida precisava ser preservada a qualquer custo, sob ameaça de ruína do homem e da sociedade. É a lei da sobrevivência. E da responsabilidade.

      Ora, é responsabilidade das autoridades agir com rigor quando as circunstâncias o exigem.

  2. Suzana Rangel

    Ninguém tinha/tem o direito de acabar com a vida de ninguém entre os mortais, para quem é ateu sim….Mas para quem acredita e confia em Deus, somente ele pd nos colocar ou retirar aqui na Terra. Pq se a Igreja Católica era tão perfeita existia o trabalho de aborto entre freiras, padres e os demais servidores da igreja?? E o homosexualismo q qdo era percebi os pais ou o prório filho se entregava a vida religiosa?? É complicado….

  3. Nádia Cristina

    Chacinar os inimigos é claramente fruto espiritual podre. Durante a primeira parte de seu ministério, Jesus Cristo foi abordado por dois de seus discípulos – Tiago e João – que tinham acabado de voltar da pregação da mensagem do evangelho por todo o Israel. Esses dois discípulos estavam aborrecidos, porque algumas cidades inteiras tinham recusado ouvir sua mensagem; eles perguntaram ao Senhor: “Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez?” [Lucas 9:54] Jesus Cristo ficou horrorizado e respondeu: “Vós não sabeis de que espírito sois. Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las.” [Lucas 9:55-56]
    Em nenhum lugar nas Sagradas Escrituras Jesus matou alguém que discordasse dele, tampouco ensinou que seus seguidores fizessem isso. Nenhum dos apóstolos deu essa instrução à igreja mais tarde no Novo Testamento. Em outra passagem, Jesus Cristo anuncia o tipo de espírito suave que oferece ao mundo. Veja: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” [Mateus 11:29-30] Nosso precioso Salvador nunca ordenou que alguém seja morto por qualquer razão, especialmente por dureza de coração contra sua mensagem, ou por discordar dele em questões espirituais.

    • Doctor Butcher

      Ninguém está dizendo aqui que a Igreja Católica chacinou, indiscriminadamente, gente que discordava dela. A Inquisição existia para punir hereges. Você sabe o que é um herege? Herege é alguém de dentro da Igreja que distorce doutrinas. Ou seja, se você se apossa da doutrina católica, a desfigura e traz um séquito de ingênuos (ou malfeitores) atrás de si, você é advertido e, depois, se persiste no erro, punido. Por quê? Porque muita gente seria confundida e levada para o mau caminho, se a heresia se espalhasse; porque as ovelhas se dispersariam.

      Ora, é dever do pastor proteger as ovelhas dos lobos. Se os lobos atacam o redil, o bom pastor luta contra eles; naturalmente, pode ser que alguém saia morto. Se alguém se pusesse entre Jesus e seus discípulos, tenha certeza de que a atitude de Jesus seria drástica, como violenta foi a sua atitude contra os vendilhões do templo. No episódio do Getsâmani, no qual Jesus ordenou que Pedro abaixasse a espada, perceba que ele diz: “quem mata à espada, importa que seja morto à espada”, mas adianta que era necessário que ele fosse preso (e crucificado) para que o plano de Deus se cumprisse.

      Você transcreve uma citação na qual Jesus condena a proposta de Tiago e João, dando a entender que essa condenação se deu porque era uma proposta “violenta”. Na verdade Jesus a condenou porque não se deve impor nada a ninguém; deve ser dada a oportunidade (liberdade, ensino etc.) para que cada qual faça as suas próprias escolhas, dentro do tempo que lhe é dado por Deus (a vida). Quando Jesus se refere a si mesmo como “manso e humilde de coração”, não faz de si um bobalhão, mas alguém que visa sobretudo ser útil aos homens e a Deus, suportando nossas iniquidades até o limite do possível. Cristo nunca defendeu o pacifismo, e o exemplo disso se encontra nas próprias escrituras, em outra oportunidade: “enganam-se aqueles que pensam que vim trazer paz à Terra; eu vim atear fogo, lançar pai contra filho (…)”

      Talvez você não saiba, mas, segundo um escritor judeu, milhares de judeus se refugiaram no Vaticano durante a Segunda Guerra. Nenhum deles, naturalmente, tinha Jesus como messias -mas nem por isso foram mortos lá.

      Para completar, você retira passagens do novo Testamento para comprovar sua tese, mas se esquece de outras. Diz que não existem passagens que justifiquem a pena de morte ou algo semelhante. Mas Jesus mesmo disse que a Cafarnaum estaria destinada, ao fim dos tempos, um destino bem pior do que Sodoma e Gomorra, se não se convertesse a tempo. Já nas epístolas de Paulo, o apóstolo tardio manda que sejam calados aqueles que pregam coisas contrárias à sã doutrina -se o sujeito precisa ser calado, você concorda que isso não vai ser feito com beijinhos e buquês de rosa, não é verdade?

      Sua dúvida é muito pertinente e eu mesmo já as tive por muito tempo. Espero ter sido útil.

      • Nabucodonosor

        Doctor Butcher.

        Na verdade você não foi útil. Seus comentários são de uma inutilidade sem tamanho.
        Idéias como as suas é foram responsáveis por guerras e por várias outras desgraças que já atingiram a humanidade.
        Seguindo sua linha de raciocínio, acredito que você deva achar totalmente justificável a matança ocorrida pelos nazistas na segunda gerra mundial, pois eles precisavam eliminar princípios contrários àqueles em que o nazismo se fundamentava.
        Ainda seguindo sua lógica, seria plenamente justificável que as diversas religiões do mundo que tenham crenças divergentes, entrassem numa guerra generalizada, onde fossem utilizados todos os meios possíveis, incluindo torturas e mortes, para atingir o objetivo de fazer prevalescer a doutrina do vencedor.
        A Inquisição não têm justificativa. Se a Igreja Católica queria punir os hereges a expulsão (excomunhão) seria a opção, pois ninguém é obrigado a pensar da forma que você acha que ela acha que seja a correta.

      • Doctor Butcher

        1. A ideologia nazista não é justificável porque pune determinadas pessoas por existirem (judeus, negros, deficientes etc). Ora, como cristão, não posso ser cúmplice de semelhante barbárie. Uma sociedade minimamente saudável, pelo contrário, pune apenas seus criminosos -em alguns casos extremos, com a pena de morte.

        2. Nunca disse que as religiões deveriam entrar numa espécie de Jihad. Você, pelo visto, não leu tudo o que escrevi. Informe-se.

        3. Frei Boff foi excomungado, mas nem por isso deixou de desvirtuar cristãos católicos. Não sei se seria o caso de pena de morte. Mas, como Jesus disse: “Àquele entre vocês que for o responsável por perder um desses pequeninos, eu digo: teria sido melhor que nem tivesse nascido; teria sido melhor que tivesse se jogado no mar com uma pedra amarrada no pescoço (…)”.

      • Aecio

        Pena que o ser humano tenha esta necessidade de religião! Cada uma “verdade absoluta” do ponto de vista de seus adeptos, e “estranha” do ponto de vista de todos os demais habitantes da Terra. Assim, com esta necessidade, há espaço para tudo: cientologia, mórmons, cristãos, testemunhas de jeová, etc. etc. etc. (centenas, senão milhares) cada um acreditando estar com a verdade. Ninguém para para pensar que é tudo uma questão cultural. O brasileiro (maioria) é cristão pq o Cristianismo era poder na Europa quando Cabral aportou aqui, trazendo alguém para celebrar a “primeira missa” e o livro sagrado (Bíblia). Esta maioria brasileira cristã teria outra religião se tivéssemos sido colonizados por árabes muçulmanos. E teríamos certeza absoluta de estar com a verdade descrita no livro sagrado deles Alcorão… E por aí vai!
        Solidariedade, amor ao próximo, mansidão, caridade, compreensão, não seriam suficientes para os seres humanos viverem em paz? Precisa acreditar em cobra falante, chacinas (Josué), Deus mandando 2 ursas matar 40 crianças só pq chamaram Eliseu de careca, etc. etc.?

      • Doctor Butcher

        Não me compete saber por onde anda o homem nem por quais veredas ele passará. Se busca o Bem, pode ser que nossas caminhos se encontrem. Se nos encontramos, andamos juntos, ajudando-nos mutuamente, até quando Deus quiser.

        Porventura a mesma aurora não nasce para todos os que dormem nas trevas? Por acaso as estrelas não aparecem como guias dos navegantes perdidos, no meio da noite e da borrasca? Por que deveria temer se perder aquele que tem como bússula o Autor de todas essas luzes?

        Não são só os homens que dão testemunho de Deus: toda Criação aponta vestígios de Sua presença. Ele só está muito à frente de nós para que possamos distinguí-lo claramente.

        Ontem, quando tive a oportunidade de ler seu comentário, era justamente o dia de São João Batista, cuja música diz: Eu ouço uma voz que vem da montanha… Ouço cada dia melhor: ‘Preparai o caminho… Preparai o caminho do Senhor!'”. Você está inclinado a acreditar no acaso; eu, pelo contrário, estou inclinado a crer que nada é mera coincidência. Vê?

        P.S.: Apesar de ter nascido numa família católica, nunca fui católico. Era deísta até minha adolescência, quando me tornei marxista. Na maioridade, tive contato com gente da igreja batista, que me ajudou a enxergar a importância da religião (e não é de minha alçada saber com que intuito o fizeram). Quando estava mais aberto à religião, travei contato com católicos tradicionalistas; nesse momento, muitas ideias obscuras caíram por terra, e eu pude enxergar a verdade por trás das coisas. Meu caminho não tem sido reto nem tranquilo -mas sei que não sou o único nem o mais atribulado -e conheço quem vela por nós.

      • Aecio

        Parece que um dos mandamentos é “Não matarás”. Period.
        Não é: “Não matarás, exceção para pessoas que ousem discordar dos detentores do poder religioso”. Caramba! E ainda defendem isto!

  4. carlos

    Sr Butcher.

    voce termina seu comentario dizendo,” espero ter sido util”, tenho certeza que um ser como vc que tenta justificar a inquisicao nao pode ser util a ninguem neste mundo. Na realidade a igreja catolica e o estado espanhol e portugues na idade media, apenas faziam uso uso da fe cristã como meio de subjulgar a sociedade e assegurar seu bem estar. nao era raro, em cidades da espanha como teruel e saragoza, os cristaos tradicionais combinarem antecipadamente a partilha dos bens de criptojuedeus que eles posteriormente acusariam de heresia.
    O sr se diz dr, por favor me diga que escolas cursou para que nao haja o risco de um dia eu vir a frequenta-la e me expor a ensinamentos tão doentios.

    • Devillart

      “Quem derramar sangue de homem, pelo homem terá o seu sangue derramado; porque Deus fez o homem à sua imagem.
      Gênesis 9:6”
      “Quem ferir a um homem, de modo que este morra, certamente será morto.
      Êxodo 21:12”
      Esse é o melhor deles:
      “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são motivo de temor para os que fazem o bem, mas para os que fazem o mal. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; porquanto ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador em ira contra aquele que pratica o mal. Pelo que é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa da ira, mas também por causa da consciência.
      Romanos 13:1-5”

      Revejam bem o que escrevem…
      Não sou a favor da pena de morte… muito menos dos atos da inquisição, mas pegar um trecho da bíblia para justificar uma ação de tamanha barbárie como a morte de pessoas por interesses inteiramente pessoais, tanto que a própria igreja católica observa e cria formas de amenizar as suas ações criando os tribunais(inquisição) que dava oportunidade de perdão aos “hereges” … tenham dó, é patético um texto de vocês diz uma coisa e o outro a contesta, vocês buscam conhecimentos na mesma fonte e ainda não compreendem a essência do ‘todo’…
      Os textos que coloquei acima afirmam que em dado momento a bíblia mostra que matar seria justificado, abaixo fala de uma condenação por não seguir a “Crença”…
      “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus – João 3:18 “.

      Agora coloque tudo isso nas mãos de pessoas que só querem ver o que lhes convém, da a esses o pode de decidir quem vive e quem morre e teremos as tragédias no mundo…
      Não sou ateu sei que é o que metade deve está pensando nesse momento… só consegui entender a essência como um todo e não em trechos como vejo muitos nesse comentários.

      • Doctor Butcher

        Simples, meu caro: Deus é a ÚLTIMA INSTÂNCIA desta e da outra vida (a espiritual). Depois dele, não há como “recorrer”. Ou você é condenado ou absolvido.

        Na nossa “instância”, matar um homem depende do interesse da coletividade, interesse que se sobrepõe ao interesse do indivíduo (com isso até os iluministas estão de acordo, embora eles sejam contraditórios). Você, por exemplo, DEVE matar um terrorista (decorrido o devido processo legal), porque ele representa uma ameaça não apenas a uma pessoa -mas a todos.

  5. hercamp

    para: Doctor Butcher
    Qual vida espiritual? Qual Deus é a ultima instância?
    Vai à biblia e procura que Todos nós somos Almas quando estamos vivos. Depois de Morrer tudo morre,(Ezequiel 18) A alma que pecar essa morrerá!
    Jesus veio morrer à terra para nos livrar do Pecado, assim quando uma pessoa morre, os pecados deixam de existir, pois a morte é a paga de todos os pecados. Nascemos com o pecado devido a Adão e Eva. Estamos todos destinados à Morte.

    Quando vier o Dia do Senhor todos os que morreram, vão ter uma 2ª Oportunidade, vão ser ressuscitados por Deus e vão ter a oportunidade de se arrependerem. Se não se arrependerem, Sim vão ser destruídos para sempre.
    Agora ninguém sabe o dia e a hora, por isso temos de nos arrepender de todos os nossos pecados, pois segundo a biblia o dia está proximo e as profecias do fim estão-se a cumprir!!!

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