Rock and Roll, City!

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Stephen Ireland

Existem certos momentos em nossas vidas em que se tornam bastante evidentes as diferenças entre um vencedor e um eterno perdedor, para dizer o mínimo. Vencer ou perder, isso faz parte; mas o modo de reagir diante dessas duas possibilidades faz toda a diferença, na profissão e na vida. Com efeito, figuras como Craig Bellamy e Stephen Ireland demonstraram, pelas suas posturas, haver mais distância entre o País de Gales e a Irlanda do que o mapa da Grã-Bretanha nos faria supor.

Fiquei muito decepcionado com Stephen Ireland. Para quem um dia foi chamado até de Superman de Eastlands, o irlandês se comportou como um verdadeiro Lex Luthor. Ostentando, aliás, uma carequinha ridícula, o novo meia-ofensivo do Villa Park tirou a suposta criptonita do bolso e foi disparando, covardemente, contra o clube que o formou para o futebol; numa entrevista para o jornal Daily Mirror, Ireland não poupou críticas aos skyblues. Esculhambando o técnico, o clube e até mesmo seus antigos companheiros de equipe, Stephen fez a caveira legal do Manchester City.

O City, em suma, na visão de Ireland, virou um campo de mercenários, onde as relações e os sentimentos não contam mais do que a ambição ou do que o dinheiro. Evidente que ele não o disse literalmente. As conclusões são o que podemos inferir, por exemplo, de declarações como esta: “Eu estive no City por oito ou nove anos, mas lealdade não conta para esse clube mais.”. Ou esta: “Gente com a qual cresci jogando ou pelas quais fui treinado se foram. Há um monte de caras lá que não sentem o mesmo pelo City e um monte dos que cresceram lá sentem isso também.”. Para completar, Ireland se mostra surpreso com a postura de Mancini: “Nunca tive um relacionamento com Mancini (…). Mancini não constrói relacionamentos.”

Ora, meu caro Ireland… Você pensava estar na casa da mamãe ou num clube que busca ser um dos maiores do mundo? Se estivesse numa empresa, talvez as circunstâncias e as razões estivessem mais claras, sem dúvida. Mas o problema com os jogadores britânicos, em geral, é exatamente a mentalidade provinciana que alguns mantêm, malgrado a Premier League já tenha, há tempos, abandonado a periferia do futebol para se tornar talvez o maior campeonato de clubes do planeta.

James Milner sabe muito bem disso. Tanto é que já chegou mandando a letra: “Vim para ser campeão!”. Não lastimou pelo Aston Villa nem pelo Newcastle. Não ficou choramingando misérias pelo fato de Mancini ter sorrido ou não para ele. Não achou bonito ou feio o visual do Tévez. Ou seja, demonstrou o tipo de relacionamento que se espera de um campeão, de alguém que sabe muito bem separar o que importa para um jogo e o que importa para alguém que convida os companheiros de equipe para a ceia de Natal.

Bellamy é outro que compreende isso muito bem. Saiu porque seu futebol já era medíocre para o clube. Saiu porque se tornou inútil para o progresso e as ambições atuais do Manchester City. Ele mesmo reconheceu isso, por alto, numa entrevista: “Fui comprado pelo City para levá-lo ao próximo estágio e me sinto uma grande parte nesse feito. Os jogadores contratados agora são incríveis…”. E quanto ao Roberto Mancini? “Sem ressentimento. Eu espero que ele se dê bem; é um técnico top”.

Craig Bellamy

O que Ireland e outros precisam compreender é que o City não é mais a Casa da Mãe Joana. Você não perde um jogo de manhã e vai tomar o chá-das-cinco depois, no C.T., trocando amenidades como se nada tivesse acontecido. Mancini, como qualquer outro técnico de ponta, quer a vitória antes de tudo; isso se reflete nos relacionamentos, isso se reflete nas contratações. Normal. Antes de ser um namorado, ou um pai, ou um amigo, um técnico é para um jogador o que ele tem que ser: um técnico. Esse é o tipo de relacionamento que se espera, porra…

Ireland que vá curar sua TPM em outras paragens.

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