A Queda! As Últimas Horas do “Futebol Blitzkreig”

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Começou em 1990. Com a ascensão de Lazaroni, vimos o futebol brasileiro tomar outros rumos. Não me lembro muito bem da Copa da Itália, já que eu era ainda muito novinho na época. Mas sei que a Seleção de 94 foi uma espécie de continuação, de “upgrade” ao trabalho que estava sendo feito no mundial anterior. Ou de “downgrade”, que seja.

De qualquer forma, o caminho que o escrete canarinho trilhou, de 90 até a Copa mais recente, na África do Sul, foi marcado por uma transformação na maneira de entender o futebol, segundo me parece. Com mentalidades pragmáticas, o maior símbolo dessa era foi a onipresença dos malditos cabeças-de-área. Peça fundamental no esquema dos treinadores do “novo” Brasil, os volantes truculentos impuseram seu estilo de jogo a todo resto do time, com a conivência do treinador, esperando um erro para dar o “bote” e pescar uma vitória.

Mano Menezes recentemente deu uma entrevista reveladora nesse sentido; disse que Parreira havia lhe confidenciado que, nos EUA, ele precisava vencer de qualquer forma. Ainda segundo Parreira, os 24 anos longe de um título mundial tornavam urgente o tetra-campeonato, significavam que o Brasil teria que abrir mão do futebol arte, se quisesse resultados.

Mano Menezes: esperança de uma "nova" velha era.

A culminância do processo foi a “Era Dunga”. Não que eu ache Dunga um péssimo treniador; muito pelo contrário. Mas o problema de Dunga, presumo, talvez tenha decorrido exatamente de sua “evolução” enquanto jogador, dentro da seleção brasileira principalmente. Dunga foi uma vez campeão e finalista na outra. Isso marca. A mentalidade de Dunga, que já era de um adepto do futebol-força, recrudesceu com os resultados que obteve em campo. Dunga de fato acreditava num futebol baseado em contra-ataques e em resultados.

Com efeito, nessa última Copa nós pudemos assistir a uma espécie de “inversão” interessante. Enquanto o Brasil praticava um futebol pouco vistoso, mas presumivelmente eficiente, a Alemanha procurava dar mais “jovialidade” a seu jogo, enchendo o time de atacantes e de volantes que mais atacavam que seguravam o adversário. Enquanto o Brasil insistia com os velhos volantes de marcação a la Gilberto Silva, a Alemanha recuava o preciso e hábil Schweinstaiger para a posição de volante n° 1. O resultado? Ambos caíram… mas os alemães foram mais longe.

Mas isso não quer dizer que não poderiam ter vencido a Copa, jogando do jeito que jogaram. Quer dizer apenas que a Alemanha ganhou uma salva de palmas, por ter ousado, por ter se arriscado, por ter se aperfeiçoado. Quer dizer apenas que o Brasil saiu pela porta dos fundos, pois, sendo o gigante que é, penta-campeão mundial, negou-se a se impor, a demonstrar seu ID futebolístico. Quer dizer apenas que futebol não é apenas resultado…

O futebol não se reduz a fórmulas matemáticas, não se restringe a vitórias e derrotas, não se traduz em ufanismos tolos. Futebol, antes de mais nada, é diversão, é esporte, é confraternização. Por que determinados times, inferiores, vencem e outros, superiores, perdem? Por que a Seleção de 94 é menos respeitada e lembrada que a de 82? Não sei dizer ao certo. Mas o que eu posso afirmar, a própria história corrobora: independentemente de taças, é sempre do âmbito do mistério, como do talento, que surge a real majestade.

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