Veganismo e Ecoterror

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Que algumas pessoas se recusassem a comer carne por causa de asco por sangue, eis uma frescuragem que eu costumava aceitar. A maioria dos vegetarianos que eu já conheci era adepta dessa dieta apenas por pruridos gastronômicos. Não havia, na época em que os seres humanos se dividiam entre onívoros e herbívoros moderados, qualquer questionamento metafísico a respeito de morticínios bovinos ou coisa que o valha. Naqueles tempos, eu simplesmente não acreditava que o nível de imbecilidade humana pudesse ultrapassar certa fronteira.

Mas ultrapassou. Não sei precisar exatamente nem onde nem quando essa barreira foi quebrada, mas acompanhei, entre sobressaltos e gargalhadas, a saga de Capitão Planeta e cia em prol da libertação dos animaizinhos das florestas -e dos abatedouros, naturalmente. Um dos momentos mais marcantes para minha memória humorística foi ter ouvido a “argumentação” de um pré-vegan contra o consumo de carne animal; dizia ele que os animais são seres vivos, como nós, que eles têm sentimento, como nós… Que fofo!

Isso se passou em dias em que ainda não se conhecia direito os veganos; eram representantes de uma “doutrina” ainda incipiente, no Brasil. Mas tudo estava evoluindo na direção da fúria verde à moda Bruce Banner, e qualquer um podia perceber. Não demorou muito e já havia manifestos totalmente vegan, pipocando aqui e acolá, do Oiapoque ao Chuí. Dentro em pouco, explodiu, trazendo consigo uma onda de ecoterrorismo, verbal e material, certamente condicionada, em grande parte, por um comportamento psicótico muito semelhante ao fanatismo religioso, uma vez que essas criaturas já haviam se organizado em ONG’s que eram verdadeiras seitas, com doutrinas e tudo.

Mas o pior do veganismo não é nem o comportamento que estimula; o pior são os dogmas mesmo. Você abre a página do Vegan Pride e encontra, por exemplo, uma camisa com a inscrição: “Salve uma vaca, mate um fazendeiro!”. Ou seja, matar um animal perigoso está fora de cogitação, mas matar um ser humano que pense diferente, isso sim é uma atitude ética! Uma vaca é um animal inofensivo, de certo. Mas um vegan, para os carnívoros pelo menos, não tem sido; nem por isso eu saio por aí incendiando suas casas ou vendendo camisas com suásticas feitas de costela de porco.

Quando dizemos que o comportamento carnívoro de determinadas espécies é condicionado pela “lei” da cadeia alimentar, eles retrucam afirmando que nós, por sermos racionais, não devemos nos comportar como os animais irracionais, que agem por instinto; se um leão devora a carcaça de uma zebra, não quer dizer que devamos imitá-lo. Sem dúvida! Se eu fosse o leão, selecionava melhor a carne e usava uma pimentinha, um sal a gosto, cozinhava… Pois o que, de fato, choca, pelo menos a mim, é ver uma criança ficar anêmica por causa de uma dieta vegetariana, que exclui do cardápio as proteínas animais necessárias ao seu pleno desenvolvimento. O que me parece deveras irracional é uma mãe se negar a amamentar seu filho recém-nascido, recusando-lhe seu leite de origem “animal”. Os veganos gostam de jurar pela Bíblia Sagrada da Natureza quando querem igualar animais e seres humanos; quando os mesmos salmos rezam por cartilha diferente, eles recuam -e assumem o discurso mais conveniente…

A contradição e a irracionalidade são os estandartes do veganismo, e não o oposto. Essa discussão, aliás, não precisaria nem vir à luz da ribalta, se nos lembrássemos que os próprios vegetais, a fonte de sustento vegan, são eles mesmos seres vivos, tal qual os animais. Quem me garante que eles não tenham sentimentos? Os budistas defendem algo semelhante, é bom lembrar. A propósito, dando um passo adiante na desconstrução: por que seriam os sentimentos critérios valorativos? Pessoas choram e pessoas riem, mas nem por isso há quem seja mais do que o outro exclusivamente por esta razão -nem por qualquer outra. Há uma distância muito grande entre animais e homens, um abismo que nenhum pieguismo pode, num pulo, ultrapassar.

Mas vai ver os veganos estejam certos, fico pensando… Talvez eles estejam à frente de seu tempo e eu, com minha consciência tiranossáurica, não possa perceber. De fato, agora me veio à mente uma imagem de futuro bem compatível com a ideia de humanidade “evoluída” que eu faço: quadrúpedes no matagal, devorando capim e assassinando fazendeiros. Lindo…

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