Sob o domínio do Mal

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Não gosto de ser repetitivo, especialmente quando já tenha falado sobre assunto semelhante há bem pouco tempo. Mas as circunstâncias me obrigam. Num país onde as “minorias” (de neurônios, diga-se de passagem…), organizações ao melhor estilo SA, se julgam no direito de falar mais alto do que qualquer outro ser humano ou instituição “tradicional”, estamos sempre na iminência de atentados culturais suicidas. Para ser mais claro, estou falando do comício que Dilma fez, dia desses, a uma multidão de protestantes que apoiam sua candidatura, por força de convicções políticas de terceiros, aos quais aqueles se sujeitam feito cordeirinhos mansos.

Cabe abrir um parênteses aqui. Sim, porque a Igreja Católica já havia se pronunciado contra a candidata do PT. Finalmente abrindo o olho para as graves idiossincrasias entre ideologias tão díspares como o cristianismo e o comunismo, um bispo instruiu seus eclesiásticos a incentivarem o voto contrário a Dilma Rousseff.

Os motivos seriam a legalização do aborto e do casamento homossexual, duas das bandeiras da presidenciável petista. De fato, ambas as questões estão fora da pauta política seja de católicos, seja de protestantes. Mas existem mais peças a serem mexidas nesse tabuleiro, sobretudo quando a vez é dos evangélicos, porque sua relação com a Igreja Católica sempre foi conturbada -passando inclusive pela concepção de Estado.

Como todos sabemos, Lutero foi o primeiro a pôr em pauta (e em prática) a separação entre Estado e Religião. Tinha medo, e com razão, que isso pudesse suscitar o aparecimento de um “novo Papa”, ou seja, de alguém com poder suficiente para interferir nas decisões que regulamentam as leis humanas. Era inevitável que assim fosse, porque as religiões falam em nome de um ser superior -procuração contra a qual os regimes de organização social humana não poderiam competir hierarquicamente. E, assim sendo, essa máxima autoridade religiosa teria a prerrogativa de acolher ou preterir, a seu critério, ideias mais ou menos heterodoxas. Naturalmente que isso ia de frente com a tese do “livre-exame” de Martinho, muito embora ele tenha caçado e perseguido seus opositores, quando autoridade-mor religiosa na Alemanha…

Olhando dessa perspectiva, não fica difícil entender a razão da aceitação tão rápida, pela parte da Assembleia de Deus, de uma candidata que, de francamente anti-cristã, de repente pareceu tão francamente anti-católica… É necessário ressaltar que Dilma não ocultou suas convicções -no máximo, podemos falar em “maquiagem” de discurso… No comício que fez aos protestantes, por exemplo, os eufemismos de que se utilizou para abordar questões supostamente caras a seu público-alvo, como as supracitadas, só não seriam entendidos pelas inteligências mais limitadas (ou “encarceradas”…).

Com efeito, o uso vergonhoso da religião como plataforma política, um meio de ascender social e economicamente às custas da ignorância e da lobotomização coletiva, era uma estratégia típica de protestantes e esquerdistas. Mas se tornou um meio da Igreja Católica, que despreza o Estado laico. Um meio para justificar um fim. Na verdade, para ser mais preciso, um meio, precário muito embora, para evitar o Fim…

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