Espanha: campeã de fato e azarão do direito!

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Sejamos francos: a seleção espanhola não mereceu ganhar este mundial. Fernando Torres fora de jogo, Xavi tímido, Iniesta irregular… Mas, fora a Espanha, quem poderíamos apontar como merecedor? Subindo um degrau a mais na escala da franqueza, acredito que, embora a Fúria espanhola não tenha jogado nada, esse nada foi o suficiente para inferiorizar tudo o que os outros escretes apresentaram -em campo e fora dele.

Os espanhóis chegaram quietinhos e não fizeram barulho nem quando atiçados com vara curta. A Fúria estava absolutamente calma. Por outro lado, Brasil, Alemanha, Argentina e até Costa do Marfim fizeram aquele fuzuê danado, aquela puta tempestade em copinho de café. A Copa parecia até aqueles filmes de guerra americanos, cheios de palavras de ordem, enaltecendo o país e a vitória… Mas e o futebol? Foi (quase) esquecido. Pois, ao menos em campo, enquanto alguns se preocupavam em não deixar jogar futebol, a Espanha se ocupava em bater sua bolinha. E assim, com um futebol envolvente, ainda que pouco inspirado, eles foram jogando, e vencendo, e chegando…

É lastimável que times como a Holanda e o Brasil, consagrados justamente pelo bom futebol, agora sejam considerados inimigos da Jabulani. Tudo em nome da eficiência. Tudo em função da vitória. É como se eles tivessem que optar, escolher entre vencer ou jogar bonito; entre casar com a baranga ou transar com a gostosona. Mas essa contradição não existe, senão na cabeça deles.

Futebol é probabilidade, a incerteza dentro da ciência exata e inata daqueles que entendem verdadeiramente de futebol, compreendem por intuição que jogar bem é pré-requisito para qualquer time que se queira vencedor. Existem aqueles que ganham na cagada? Sem dúvida. Os 5% da zebra também fazem parte do jogo. Foi assim com os italianos em 82 e com os brasileiros em 94. Mas os pequenos 95% da outra parte estão lá também, constituindo os escassos indícios que não podem ser ignorados no planejamento para a Copa seguinte.

Ora, a Holanda apostou nos 5%, a Espanha confiou mais nos 95%. Cruyff arriscou morrer pela língua, mas foi nos 95 da Fúria também. Para concentrar e consertar seu futebol, a Holanda apostou nas patadas dejonguicas e adaptou sua Laranja Mecânica a um estilo mais Stanley Kubrick. Para compensar a pouca inspiração, a Espanha buscou dar mais volume à partida, abusando da troca de passes. O jogo, com efeito, foi se arrastando à prorrogação entre os coices de um lado e a técnica tímida do outro. Poderia ter sido diferente? Poderia! Mas, para compensar a frustração dos amantes do futebol, dessa vez foram mãos, e não patas, a ergueram a taça ao final.

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