Dunga e seus 22 anões (mais Kaká)

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Saiu a convocação para a Copa, mas não creio que ela deva ter surpreendido aos mais atentos. Está certo que, no fundo, a gente sempre nutre alguma esperançazinha de que as coisas tomem outro rumo… Pois, por incrível que pareça, apesar de inflexível, Dunga já se mostrou um cara surpreendente. Quando colocou o Daniel Alves na lateral-esquerda, por exemplo, foi um choque. Ou quando convocou, mais recentemente, o Grafite -jogador que só atuou 5 minutos sob sua batuta.

Mas os 23 continuaram os mesmos cotados ou apostáveis na lista. Nenhum craque de peso, à exceção do Kaká, foi chamado para a Seleção. Isso é ruim, sem dúvida, mas por outro lado reflete uma postura que me agrada muito da parte de Dunga: ele se manteve firme em suas convicções. E ninguém vai poder questionar as convicções dunguísticas, pois os resultados da Era Dunga são expressivos e falam por si mesmos.

É preciso lembrar aos mais críticos que Dunga assumiu a Seleção com o compromisso implícito de alterar o comportamento dos jogadores e sua forma de se relacionar com a Seleção Brasileira. Depois da mal-fadada campanha de 2006, na qual os jogadores canarinhos, em sua maioria, foram acusados de fazer corpo mole, houve um clamor popular e midiático no sentido de puxar o cabresto, derrubar as máscaras e construir um escrete que fosse mais no campo do que parecia no papel. A CBF entendeu da mesma forma e atendeu. Sem dúvida alguma que minha preferência e a de muitos, quando se trata de Seleção Brasileira, é de ver os jogadores mais técnicos nos representando. Mas minha memória não é fraca; lembro do tal do “quadrado fantástico” perfeitamente; por isso dou o braço a torcer.

Goleiros: sobre o Júlio César não há nem o que falar; o sujeito é um dos melhores goleiros do mundo. Já o Gomes, devido principalmente à sua ótima forma, foi convocado para deixar o Doni como terceira opção.

Zagueiros: Salvo a presença do Luisão, assino em baixo em relação aos outros nomes. Lúcio e Juan, em que pese o fato de terem sido os nossos melhores jogadores em 2006, ainda continuam jogando muito, cada qual ao seu estilo, diferente e complementar. Thiago Silva foi a grata surpresa das últimas convocações de Dunga e garantiu sua vaguinha demonstrando o beque gigante que é, quando teve sua chance.

Meio-Campistas: Quase a totalidade dos nomes é lastimável tecnicamente. É um meio-campo de beques e, quando muito, de segundos volantes. Exceto por Kaká, ninguém entende muito por ali de uma coisa chamada desburocratização do jogo. Elano e Ramires são os únicos volantes que sabem o que fazer mais com a bola além de passar para o lado e para trás, como o faz o glorioso Gilberto Silva (tomara que convocado para sua derradeira Copa…).

Ataque: Robinho é um cara que, apesar de ter se deixado podar pelo jogo europeu, ainda tem alguma capacidade de criação e sempre se deu bem com a amarelinha (embora isso nem sempre se traduza em grandes atuações). Luís Fabiano é, indiscutivelmente, criativo e matador. Nilmar sempre foi um dos melhores atacantes daqui, veloz, versátil, ágil e finalizador. A única surpresa fica por conta de Grafite, que, apesar de não ser ruim, nunca foi jogador selecionável; no entanto, quando foi chamado para fazer, no amistoso contra a Irlanda, em cinco minutos o que o titular Adriano não fez o jogo inteiro, ele correspondeu: meteu um calcanhar selecionável para o gol de Robinho e pronto: carimbou seu passaporte.

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