As Forças Bichadas

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Discutiu-se, faz um bom tempo, no Congresso brasileiro, sobre a possibilidade de integração dos gays nas Forças Armadas. O assunto veio à baila quando os deputados faziam a arguição de praxe aos candidatos ao cargo de general de suas respectivas “forças” militares. Um desses fodônicos oficiais chegou a dizer que os subordinados não obedeceriam a um superior que fosse uma bichona.

Ora, e qual é o critério de avaliação da autoridade moral de um superior hierárquico, seja ele de que setor for? Ele ser bicha ou não? Sim, de fato, esse é um critério moral. Mas existem outros. E mais importantes. Eu, por exemplo, muito embora repute o homossexualismo como vício de conduta, da mesma forma que muitos outros católicos como eu e partidários de seguimentos similares, tenho ojeriza maior a muitas outras atitudes aviltantes. Atitudes essas solenemente ignoradas pelas “autoridades morais” da nação.

Outro dia saiu na mídia que um menino de 15 anos, depois de muito ter estudado para entrar na Marinha, acabou pedindo dispensa meses após a incorporação. Estranho? Nem tanto. O menino foi sistematicamente perseguido dentro do “quartel” ou seja lá o que for, até finalmente apresentar um quadro psiquiátrico instável (para dizer o mínimo) e assinar o termo de desistência. É aí que me surgem dúvidas e mais dúvidas… e conjecturas justificáveis. Por que o moleque foi perseguido? Já que era um quadro incessante, por que providências não foram tomadas? Quem foi o mentor da perseguissão ao garoto? Outro garoto de quinze anos? Foi o perseguido quem, após anos de estudo, foi atrás de termos de desistência passados apenas alguns meses? Mas, além dessas questões, surgem outras ainda mais relevantes. Por que não houve e não há quem assumisse a responsabilidade, seja por expulsar gays ou assumir erros e/ou retaliações? Onde estava a “autoridade moral”, o homem de culhões? Estava em Brasília, discutindo bichices, escondendo suas convicções em frases eufemistas? Ahhh…

Eu não gosto de bêbados cambaleantes pela rua. Mas também não saio para espancar um quando vejo. Porque não sou covarde. Por isso, e também porque existem bêbados que são covardes e amnésicos quando sóbrios, eu me revolto quando vejo gangues espancando mendigos cachaceiros nas ruas e fardados metidos a valentões metendo a porrada em quem é macho o suficiente para assumir determinada postura. Existem viados no exército, mas e daí? Não existem aos montes no Brasil?! Não creio que só heterossexuais tenham servido ao exército ao longo dos anos, mesmo porque, se nem mesmo a Igreja converte a multidão de gays, deve-se supor que eles não encontram de repente a redenção quando vestem coturnos e empunham fuzis. Ou não?

Pior do que quem dá o brioco é quem dá o brioco e esconde o furo recheado, só para posar de “autoridade moral”. Só mostra a protuberância, a contundência das medalhas, da farda e das opiniões. Pois fariseus não têm autoridade moral alguma, mas pensam que têm e estão pouco se lixando. Abundam os casos de pederastia de enrustidos nas Forças Armadas: até minha avó sabe disso. Dentro desse cenário, se alguns oficiais querem expulsar quem não é HOMEM de dentro das Forças Armadas, eu, como humilde cidadão sujeito à autoridade dos homens de bem, estou de pleno acordo: que começem por si mesmos…

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