Desconstruindo Niemeyer

Padrão

  1. MAC

    Niemeyer, uma vez, falando sobre a criação de Brasília, comentou a respeito do que lhe dissera um oficial das Forças Armadas. “Espero que faça nossa capital em estilo clássico”, teria dito o general. Oscar olhou para ele e redarguiu: “Você, como militar, gostaria de receber um fuzil velho ou de última geração?”. Para artistas do naipe de Niemeyer (que, bem a propósito, é comunista), a arte é um artefato revolucionário. Para mim (e para os gregos), arte quer dizer, pura e simplesmente, beleza.

  2. A arte moderna é tão presunçosa, vaidosa e egocêntrica que constrói coisas como o MAC e, além de denominar “arte” um disco voador de rampas sinuosas, ignora sua necessária e óbvia funcionalidade. O negócio é todo feito em concreto armado. Ninguém conseguiria sequer respirar e permanecer lá dentro, não fossem os gastos absurdos com ar condicionado. Tudo isso não para que fosse admirada a beleza da obra, mas a genialidade de seu criador.
  3. Levando-se em consideração o dito no tópico anterior e, por exemplo, cotejando a catedral de Notredame com a igreja que Niemeyer construiu na Pampulha, o contraste realça a precariedade da segunda. Na obra de Niemeyer, há necessidade de se colocar até cartazes para alertar aos fumantes sobre a sacralidade do lugar. Na obra medieval, ao contrário, há uma harmonia tão grande entre forma e conteúdo, um respeito tão profundo por Deus e pelo ser humano que a própria alma de quem adentra sua nave entra em estado de contrição absoluta, sendo desnecessário advertir sobre a proibição de fumar.
  4. A arquitetura moderna, assim como a arte moderna mais radical, geralmente se volta para seu próprio umbigo. São falácias e mais falácias para justificar sua criatividade, para edificar sua “genialidade”. São os deuses de si mesmos. Vide, como exemplo, os desnecessários e inumanos arranha-céus de 600 andares, construídos unicamente  para sustentar a vaidade de quem os fez.
  5. Há pouco, Niemeyer fez cem anos. Muitos renderam loas ao vazio de seus traços, à opacidade de seu branco, ao NADA de suas obras. Seria o caso de comemorar ou lamentar profundamente?

Ver também: Teoria Tomista da Beleza

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