Impressionismos: Alexei Bueno

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Caiu em minhas mãos (por cerca de 60 reais…) o volume antológico da produção poética do polêmico Alexei Bueno. Nunca tive a oportunidade de travar contato com poeta contemporâneo, pela única razão de ter bom gosto e preferir a produção “arcaica”, livre dos influxos debilitantes dos concretos e “cabralinos”. Pois bem, eis aí um que chamam “arcaizante” e “pós-simbolista” -juntamente a Bruno Tolentino, presumo.

O epíteto de arcaizante cabe bem para a poesia de Alexei, inclusive na acepção depreciativa (e única) que os toscos costumam dar a essa palavra. De fato, Alexei parece ganhar mais vida quando se debruça sobre assuntos históricos, tendo a oportunidade de explanar sua erudição; o único porém nisso é ensejar o aparecimento de momentos realmente desnecessários ao longo dos textos. Quanto ao “pós-simbolista”, isso me parece sumamente ridículo e indigno de sequer ser considerado.

Os momentos mais sublimes ficam por conta da poesia expressada nas fôrmas mais líricas, como o soneto e a canção, e tratando sobre leitmovs específicos, como quando fala sobre o Não-Ser (ou sobre “Deus”…) ou sobre os já citados motes históricos. Algumas vezes, tropeça; especialmente quando cede ao desequilíbrio emocional (muitas vezes versando sobre suas arengas com os acadêmicos…) ou se perde num rebuscado prolixismo, quando as sondagens do passado e os influxos de seu vasto cabedal de influências se debruça, vaidoso, sobre si mesmo, transformando-se em prosa apenas (Metempsicose, Numisma, O Irrealista…).

Mas Alexei Bueno se garante. Seus bons momentos são muito felizes. Cito os belíssimos poemas “Mal dobrado e fiado foi o fio…”, e O Jacente da Sé como exemplos de bom emprego de sua erudição e olhar histórico. Outros, em que se fala sobre a ausência de Deus (A Santa Face), sobre o tempo, a inutilidade (A Taça) ou a ignorância do ser vivente, como em A Dança nas Trevas e O Mago. Mas é claro, entenda bem, que essa compartimentação é meramente artificial, para fins de análise, pois um elemento o mais das vezes está implicado no outro.

De certa forma, e até mesmo por isso, por tudo dito no parágrafo anterior, creio que na verdade até o aparente descompromisso de certos poemas que parecem meras “obrigações”, encheção de linguiça ou pura vaidade intelectual, versando sobre vultos históricos e seus rastros irrelevantes ou superficiais, parecem obedecer à lógica pessimista da cosmovisão de Alexei. Um complemento de seus poemas mais belos, aqueles que vão direto ao ponto. Whatever, pois os acho ainda assim um adendo incoveniente.

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