Um “Crepúsculo”, enfim…

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Stephanie Meyer

É lugar comum: não se pode falar sobre o que não se conhece. Uma outra frase associada ao preconceito cultural diz, mais ou menos na mesma linha: “Não li e não gostei”. E eu “não li e não gostei”. Mas porque conheço. Ao menos em forma de filme, o Crepúsculo foi um dos meus pecados financeiros dos quais mais me arrependo. Depois eu soube que haviam escrito um livro antes do filme… Cruzes, se centrado nas imagens é ruim, que dirá focando no enredo? Tem gente que não tem mesmo senso de ridículo.

Outras descobertas se fizeram a posteriori. Descobri que a autora de semelhante vandalismo se chamava Stephanie Meyer. Descobri que ela não havia escrito somente um livro sobre o assunto; como se fosse tão sádica quanto o Conde Drácula, Stephanie encaminhara outras porcarias ao prelo -e às telonas, por conseguinte. E então uma última revelação estarrecedora veio me assombrar, por fim: planejavam uma continuação da película! Não que eu me importasse exatamente com isso; bastava não ir ao cinema e ignorá-lo solenemente quando chegasse à locadora. Me preocupava, na verdade, que isso se transformasse numa franquia. Porque assombração pouca é bobagem.

Eu bem sei que uma obra adaptada para outro formato é praticamente uma outra obra. Sei bem disso. Mas, francamente… não dá para ter boa vontade com tanta farofada. Um vampiro que se transforma em mona purpurinada quando exposto à luz? Parece mais a história de um gay excêntrico e enrustido. Outros escorregões também queimam deveras o filme, como o argumento no pior estilo “Titanic” -inclusive com os naufrágios de enredo típicos do gênero. Mas nada afunda mais “Crepúsculo” do que as pífias atuações dos “atores”, e nisso devemos, claro, dar um desconto à Stephanie, que nada teve a ver com direção de elenco; o vampiro protagonista, por exemplo, faz as vezes de um autista quando banca o ser misterioso… Não preciso nem dizer mais nada, naturalmente.

Ficam os pêsames aos que, como eu, gastaram uma baba para assistir a essa piada. Fica a preocupação também. Afinal, quando é que vão voltar a fazer aqueles belos filmes de vampiro, dos quais “Dracula, de Bram Stocker” e “Entrevista com um Vampiro” são os exemplos mais bem acabados? O assunto é vasto e muito rico, para quem sabe como explorá-lo. Para quem não sabe, vampiros são zumbis com caninos aguçados. Ou seres sedutores e misteriosos de romances de quinta.

O fim do dia deveria ser o momento ideal para os vampiros saírem da toca, mas, ao invés disso, quem sai são os Wes Cravens, as Stephanies Meyers da vida; acabam sugando de nós não o sangue, mas o dinheiro. E deixando só o bagaço como lembrança.

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