13/07: Dia Internacional do Rock!

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Com alguns dias de atraso, posto este texto como homenagem ao glorioso Rock! Alguns certamente falarão da data com nostalgia, e seus elogios mais soarão como um afago póstumo. Mas não penso assim. O Rock é mais do que um estilo musical, é um estilo de vida. E, como tal, nunca vai morrer, ainda que a mídia, ajudada pela indústria fonográfica, se esforce por descaracterizá-lo.

Quando nasceu, atribuíram-no logo a um desvio de comportamento da juventude. O Rock não seria um valor em si, como música, mas uma maneira de controlar a juventude e subverter a ordem das coisas. Talvez tenha sido, talvez não. Com o tempo, porém, o Rock não subverteu a ordem das coisas, trazendo Satã à terra ou transformando o mundo num bordel anarquista,  mas ajudou a consolidar uma nova geração cujo espírito crítico e noção de individualidade estavam muito mais entranhados do que nas pessoas de épocas anteriores.

Com o passar do tempo, o Rock deixou de ser focalizado no seu aspecto subversor, e isso teve consequências boas e ruins. O Rock finalmente se livrara da pecha de instrumento dos libertinos, sendo encarado mais como uma manifestação difusa (e até compreensível) de um sentimento de inconformismo próprio de épocas de transformação; portanto, se o Rock surgia, significava que algo havia de errado com tudo o que nos cerca. Por outro lado, o Rock despertou a atenção da famigerada indústria cultural, até então voltada para o mercado das artes plásticas; e não pode evitar que se degenerasse num subproduto de si mesmo.

Penso que, hoje, finalmente libertado do mainstream, o Rock pôde se perceber. Mais do que acordes agitados ou violentos feitos para dançar ou se apaixonar perdidamente pelo o que quer que fosse, o Rock deixou de ser um desabafo e se descobriu como música. Com o surgimento do Heavy Metal, da técnica e das letras complexas, o Rock se deu conta de que as próprias atitudes que potencializava em si eram a essência da vida que, sem perceber, pregava a “seus seguidores”, ainda que sob diferentes perspectivas. É bem verdade que muitos grupos já levavam a sério o que faziam bem antes do advento do Metal, como o The Doors, por exemplo, mas só a partir da década de 80 uma postura mais séria e radical passou a predominar neste meio musical. O Rock deixou de ser um enlatado para consumidores e se transformou numa bíblia para seguidores.

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BeatlesThe Beatles

Os geniais de Liverpool começaram cantando seus amores e frustrações juvenis e terminaram fazendo proselitismo de sua visão libertária da vida. Mas não foram geniais por exatamente isso. Os Beatles não só ajudaram a impulsionar o gênero, divulgando-o pelos quatro cantos do mundo, como o fizeram reviver sob as mais variadas formas. O talento musical do quarteto inglês não se restringiu à habilidade em compor melodias suaves e refrões grudentos, mas foi além; para quem não sabe, foram os Beatles os responsáveis indiretos pela criação do Heavy Metal e de outros subgêneros roqueiros. Como se não bastasse, bandas de Rock de diferentes estilos se inspiram em suas canções ainda hoje. Quer mais?

Black SabbathBlack Sabbath

Ignorada pela grande mídia, essa banda obscura e controversa guarda um lugar no coração do novo e fiel público roqueiro. Certamente ligada ao satanismo e a atitudes excêntricas, Ozzy e companhia buscavam, sim, vampirescamente, um lugar distante do sol ao qual aspiravam seus predecessores; como se fossem algum personagem de Huysmans ou Oscar Wilde, o Black Sabbath foi o precursor de um Rock ensimesmado, sem a extroversão de que tanto foi vítima e pelo qual foi tantas vezes considerado heroi. Atitude que dividiu as águas, evidente. O Black Sabbath foi tão importante para o desenvolvimento do Heavy Metal que não existe crítico que não aponte pelo menos umas três tendências underground contemporâneas que não parafraseem a música do Sabá Negro.

Motörmotorhead2head

O Motörhead, mais do que uma banda, é um símbolo de resistência. Sobrevivendo às épocas e às futilidades da indústria fonográfica, o Motörhead, ou melhor, Lemmy Kilmister persevera, como se fosse um homem do passado que viajou no tempo diretamente até o presente. Tudo nele lembra atitudes típicas de um roqueiro das antigas, desde o vestuário até à “filosofia de vida”. Talvez por isso o Motörhead desperte tanta paixão e angarie tantos seguidores. Lemmy não é o cara por ser um exemplo de vida, mas é o cara por representar um estilo de vida, uma postura diante do mundo de um Homem que se afirma e se afirmará, mesmo em suas dúvidas e fraquezas; Lemmy é o anti-astro, aquele que incorpora a imagem de alguém que não se deixa controlar, se adequar a um modelo de homem que só satisfaz aos caprichos de alguns. Como não poderia deixar de ser, o Motörhead incorpora o melhor do Rock tradicional à fúria do Heavy Metal.

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