Zelaya, legítimo ditador democrático de Honduras

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Eu não entendo o que acontece com o mundo democrático, sinceramente. Manuel Zelaya, o atual presidente de Honduras, acaba de ser deposto por não respeitar a constituição do país. É justo? Não perguntem a mim, que abomino o sistema democrático; perguntem aos democratas. E eles lhe responderão em uníssono: a vontade do povo é soberana.

Então, se a vontade do povo é soberana, porque dar mais valor à legitimidade do Judiciário ou do Legislativo do que a um referendo popular? Que vão às favas os preceitos constitucionais! Que o Leviatã de Honduras, para o deleite do filósofo absolutista Thomas Hobbes, se divirta com suas arbitrariedades! Que aplaudam os jacobinos e gerundinos! O povo, sempre soberano, delegou o poder de decisão a um indivíduo! O povo, arauto da Razão, concedeu um arreio para que pudesse ser montado!

Por que o espanto? É uma incoerência? De incoerência vivem os ilustrados, que inauguraram a verdadeira “Idade das Trevas”. E mais trevas vêm por aí, pode anotar.

Mas por que tanto pessimismo da minha parte? Pode ser que eu esteja errado, afinal, a vontade do povo é a vontade de Deus, como diz um ditado popular, como se fosse um dogma da modernidade. Tudo vai dar certo e os verdadeiros golpistas serão condenados, segundo o julgamento infalível do povo. É só se lembrar do fim de um agitador da Galileia, um golpista que se arvorava “Rei dos Judeus”, sem referendo popular ou eleições democráticas.

Pois é…

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