“Why so serious?…”

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Uma das coisas mais divertidas de ser um psicopata à paiscoringa-7755ana é o fato de poder praticar meus “desvirtuamentos” sem chamar muita atenção. Um sujeito pode ser um marginal, mas ostentará certo charme e atrairá alguma simpatia para si se souber dar um ar aristocrático a intelectualizar seus atos de terrorismo. Mesmo porque o terrorismo que não é intelectual dói muito, já que grande parte dos brasileiros é de analfabetos funcionais; a perda de um cérebro na explosão do homem-bomba lhes faria menos falta, talvez, do que a perda do dedo mindinho ou do apêndice.

Por essas e por outras, faço o chatíssimo jogo da vida, que, ao contrário do divertido jogo de tabuleiro de mesmo nome, foi cooptado pelo sistema para se tornar uma espécie de engrenagem de uma máquina da Casa da Moeda.  Quanto mais se produz, sobretudo a imagem de cidadão bem-sucedido, melhor para a órbita calculada em que gira o homem de hoje. Para o mundo moderno, não existe vida que não seja exterior, como uma paisagem que devesse necessariamente emocionar a quem olhasse, não importa o quão monótona tenha se tornado, com o passar do tempo. Ah, mas eu me divirto…

Você pode se passar por um “homem honesto” sem deixar de ser um perigoso subversivo. É só saber dosar os atos. Nunca se escapa de ter que bater o moroso cartão de ponto da vida comum, entre o viver e o morrer, mas sempre existem momentos que são só seus nesse interlúdio -e é aí que você pode fazer a diferença. Não precisa pintar o rosto, fundar Clubes da Luta ou ameaçar meia cidade para provocar abalos sísmicos na fábrica de autômotos: a estrutura já está corrompida; basta lançar as faíscas.

Ninguém está satisfeito. Assume-se responsabilidades demais e vida de menos. Alguém nasce, cresce, tem sucesso profissional, casa, tem lindos filhos e morre… mas para quê, se é sempre um filme standard hollywoodiano, sempre uns 15 minutos de fama? Um alguém nunca é aquele cara lá.  Um alguém nunca é o protagonista. E não ser o protagonista do enredo da própria vida não é lá muito bacana.

Com efeito, não se pode culpar, com pena perpétua, atos de louca excentricidade entre nós. Queremos sempre ser levados a sério, pintar nossa vida como um drama, uma história de superação. Mas, a rigor, um drama não é só um drama, e nossa pretensão acaba por lhe emprestar ares de tragicomédia. Resta, então, que saibamos ao menos rir com naturalidade.

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