Protesto para quê?

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Um exemplo do real propósito por trás das passeatas...

Um exemplo do real propósito por trás das passeatas...

Eu não consigo entender essas passeatas que se fazem por aí, pedindo principalmente por mais segurança pública. Se a polícia não se faz mais presente nas ruas, será que é porque não se sensibiliza com os casos com os quais se depara ou com aqueles que a mídia lhe esfrega na cara? Corpos e casos não faltam, e se isso não for o suficiente, uma multidão com cartazes e palavras de ordem o será?

Nunca vi telejornal que não noticiasse múltiplos casos de estupro, roubo, tráfico, mutilação, canibalismo e equivalentes. Fica até parecendo, para o telespectador, que o mundo foi tomado pelas legiões de Satanás. Sorte a nossa que as hostes de anjos celestiais estão a postos para defender os direitos dos cidadãos honestos, com suas camisas brancas e mãos imitando pombas da paz… Certamente que o mal será exorcizado dos corações. Ou, ao menos, do Terceiro Mundo.

Eu me lembro bem da época em que os chamados “caras-pintadas” saíram às ruas pedindo o impeachment de Fernando Collor. Não acho muito verossímil considerar que o então presidente da nação tenha visto aqueles jovens protestando nas ruas e, devido a isso, se despedido de Brasília com malas nas mãos e lágrimas nos olhos. Aliás, a deflagração daquela onda de protestos teve origem na mídia, não na “auto-conscientização” da juventude brasileira, pintada à época como a messiânica Vanguarda da Libertação do Povo Brasileiro.

Hoje em dia, se forem entrevistar um adolescente de 15 anos e lhe perguntar sobre assuntos relativos à política e à segurança pública, a resposta com certeza vai ser uma variação do bordão repetido um bilhão de vezes por algum “especialista” eleito pela mídia, disco arranhado do óbvio ou do utópico. Se forem entrevistar algum manifestante de passeata por segurança pública, a resposta vai na mesma linha, mas certamente será focalizada como a solução iluminada do assunto, que as autoridades policiais, por algum motivo (talvez exatamente por serem autoridades…), ignoravam até hoje.

Isso tudo aí faz parte da velha xaropada da confiança ilimitada na democracia. Democracia que, óbvio, não tem levado este país a lugar algum, senão a chover no molhado. Ninguém vai emergir das “minorias”, mobilizar o povo e salvar o país de seu sono letárgico; as únicas coisas que nos vêm assombrar até hoje, como num pesadelo sem fim, são os fantasmas projetados dos contos-de-fadas de intelectuais que se recusam a sair da década de 60.

Se há algo contra o qual protestar, é contra as elites iludidas, que transformam as classes populares em massa de manipulação.

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