Revisando um espólio “inexistente”…

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Não porque eu queira, mas as preocupações mundanas têm tomado emprestado todo o meu tempo, e isso dificulta que eu procure “dar à luz” minhas obras já concluídas. Quem já tentou um contato com uma editora sabe como é. Para ver um livro seu publicado em condições minimamente favoráveis, o esforço é hercúleo.

Recentemente revisitei meu livro de poesias de estreia -já todo devidamente organizado -e já não o enxergo com o mesmo entusiasmo. Não que seja ruim, apenas não me parece bom o suficiente. Existem, é claro, poemas de alta qualidade, mas existe também muito exibicionismo e muita perda de foco; alguns poemas ficam até pálidos com a quantidade exorbitante de referências espúrias. Nunca duvidei que fosse a estética simbolista o meu real caminho, porém o arsenal de experiências insólitas com a linguagem (especialmente no que diz respeito a aproximações léxicas mirabolantes),  pode diluir o núcleo pulsante de uma cosmovisão mística que sempre foi a minha.

Estou escrevendo para mim mesmo, já que nem sequer publiquei alguma obra. Talvez eu queira digerir o passado para me aprimorar como artista. De qualquer forma, não penso que seja necessário.

Isso porque um segundo livro de poesias deve estar pronto até o fim do ano. Não tenho as soluções e a verve de quando iniciei, mas os poemas talvez estejam livres daquela busca por sintetizar minhas influências culturais e literárias. Eu falo mais sobre minhas experiências de vida e menos sobre arte, e também não há a tentativa ( inconscientede outrora) de impressionar o leitor e sobretudo a mim mesmo; nada, portanto, de metáforas cabulosas e Simbolismo carnavalesco.

Como é o processo de composição? Mais dedicado e menos eufórico. Antes, quando escrevia, os versos vinham como uma enxurrada; hoje, escrevo pausadamente e sou mais criterioso na escolha de palavras e soluções poéticas -mais chato, resumidamente. Mas a diferença que me tem mais saltado aos olhos está relacionada à minha relação com o que escrevo; antes, eu achava fantástico tudo quanto eu punha no papel; hoje, fico irritado com 99% do que escrevo. Só espero que isso não queira dizer que meus poemas atuais são uma bosta (rs rs rs…); afinal, nem sempre escrevi poesia (daí o fôlego e a veneração do princípio), mas sempre fui perfeccionista (daí a dedicação aprimorada e a lentidão de hoje).

O novo livro se chamará, pelo visto, “Solipsismo”. Digo “pelo visto” por causa do rumo das composições. Mas não são egoístas, apesar de egocêntricas. Tenho notado que o vocabulário  é o mesmo, embora com menor variação do que em “As Fosflorescências da Dor”. Os títulos dos poemas, já pela simplicidade, dão uma ideia da distância dessa obra da minha inaugural, cujos títulos dos poemas eram sempre pomposos; alguns dos novos:

“Assombrações”, “Narciso”, “Malogro” e “O Forasteiro”, entre outros.

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