O Dia do Cínico

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Dia desses eu estava lendo no blog do Marco Polli um texto dele interessante sobre o Dia dos Namorados.

Fiquei pensando: pior do que passar sozinho o Dia dos Namorados é passar sozinho o Reveillon. Crime digno de cadeira elétrica; os olhares inquisidores, à espreita. No mínimo, os vizinhos devem pensar que o sujeito matou toda a família e escondeu os restos no freezer, para depois fazer a seia… Afinal, que ser normal passaria sozinho o Reveillon?

Não que o Dia dos Namorados também não seja perigoso, para quem não tem par. No Dia dos Namorados todos os lugares são públicos, exceto para os solteiros. Fica-se com a sensação de estar invadindo território particular ou, o que é pior, devasando cômodos pessoais. Há sempre o casal sentado atrás, nas poltronas do cinema, que se interroga sobre o cara solitário à sua frente; em alguns casos, os solitários esperam até ser presos à saída da sessão, certamente por atentado ao pudor

Mas nem tenho mais medo da solidão do que do calendário. Chega a dar calafrios quando chega a véspera de seu aniversário… Será que vão lembrar? Será que vão me dar aquele horrível par de meias de novo? E à angústia da espera se soma o sabor amargo de se descobrir tão mesquinho quanto a 10 anos atrás -ou quando tínhamos 10 anos, tempos atrás.

Bom, pelo menos nesse aspecto nos mantemos jovens, considerando-se que o aniversário é uma cerimônia que celebra a velhice. O calendário, bem por isso, serve para mostrar que, exatamente por  seguirmos uma trajetória oscilante, a do destino é sempre perfeita.

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