Minha relação com a Poesia

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Sempre acreditei que,  se houvesse alguma espécie de mediunidade humana, esta seria expressa pelas suas faculdades artísticas tão-somente. Nunca fui muito crédulo em relação a esse tipo de coisa; espíritos que se comunicam com os vivos, fantasmas… para mim nada disso faz sentido, se consideradas suas implicações meramente religiosas ou sociais.

Todavia, minha relação com a Poesia, por exemplo, vai além da técnica linguística e da psicologia; nunca escrevi objetivando me auto-conhecer, para exercer minha” função” social ou seguir alguma tendência da moda. É uma relação sobrenatural, sem dúvida. Quando escrevo, posso dizer que tenho certeza de estar me comunicando com alguma espécie de entidade não-corpórea.

Mas isso pode trazer problemas algumas vezes, como já anteveem alguns. Talvez já tenha sido relator tanto de demônios quanto de anjos. Mas não é isso o que verdadeiramente importa, considerando que todo ser humano, quando conectado com seu âmago, é um só na angústia. Todo ser humano é um amálgama de conhecimentos e experiências boas e ruins.

Não raro vemos muita gente se identificando com o que leem em livros ou observam em quadros. E não é natural observar empatia entre seres humanos? Não. Além de não ser comum, especialmente nos tempos em que vivemos, é muito raro que essa solidariedade de interesse se estenda a um grupo muito grande de pessoas -como o que acontece na apreciação da arte.

Isso porque a solidariedade humana mais genuína ocorre através de um fenônomeno conhecido como metempsicose, que, como já se pode deduzir, creio só ter acesso mediante o êxtase artístico. E é isso o que busco com a Poesia.

Não quer dizer que eu, como poeta, esteja sendo caridoso ou esteja procurando me aproximar de outras pessoas através da escrita: quer dizer, em primeiro lugar, que eu me interesso pelo que é genuinamente espiritual e Humano; considero todas as outras possíveis funções e/ou objetivos do ser poeta como secundárias.

Com efeito, Poesia é, para mim, muito mais um mantra ou um ritual do que um método de inserção ou modificação da realidade. E isso faz toda a diferença. Escrevendo, procuro me purificar e, talvez, em segundo plano, purificar aos outros -mas simplemente por angústia de Ser, de me adequar a uma realidade espiritual que considero perfeita. Outros querem se ver nos olhos e nos corações de outras pessoas ou num mundo melhor.

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